Publicação
A crença no afeto feminino como imperativo do trabalho docente, em casa e na escola
| Resumo: | Considerando o sistema de géneros como decorrência de um processo social e histórico, e a divisão sexual do trabalho (Kergoat, 2000) como fator fundamental para as configurações familiares atuais, este estudo dedica-se a analisar a distribuição de tarefas domésticas e de cuidado entre os adultos de um mesmo núcleo familiar. Dando destaque à forma como o trabalho doméstico e de cuidados, historicamente relegado exclusivamente às mulheres, articulou-se gradativamente com a esfera da educação de crianças e jovens, em casa ou na escola, estabelecendo uma feminização do dever de desenvolver e cuidar do outro. Na busca de respostas às questões propostas inicialmente pelo estudo, foi desenvolvida uma investigação que contou, além da pesquisa bibliográfica, com a aplicação de questionários e entrevistas a pais e mães residentes em Portugal. Os questionários foram divulgados por redes sociais e os dados recolhidos foram complementados por entrevistas semiestruturadas com uma amostra menor de respondentes. As conclusões da investigação apontam para uma acentuada assimetria da distribuição das tarefas domésticas e de cuidado, que ainda hoje desfavorece e sobrecarrega as mulheres. Os dados recolhidos mostram, por exemplo, que recaiu à 93% das mães exclusivamente a função de supervisionar a agenda e as aulas remotas dos filhos durante os períodos de aulas em casa após o fechamento das escolas. Os relatos revelam ainda que, apesar de ter havido uma redistribuição na divisão de tarefas domésticas entre os adultos e as crianças em casa, para as mulheres, esta sobrecarga de trabalho intensificou-se nos períodos de confinamento. Antes do fechamento das escolas, 85% das mães afirmou ter sido exclusivamente responsável pelo contacto com os professores dos seus filhos. Após o fechamento das escolas, este número sobe para 90%. |
|---|---|
| Autores principais: | Oliveira, Carolina Muricca de |
| Assunto: | Trabalho-família Educação das crianças Papéis sexuais Género Mulher Pandemia Teses de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Considerando o sistema de géneros como decorrência de um processo social e histórico, e a divisão sexual do trabalho (Kergoat, 2000) como fator fundamental para as configurações familiares atuais, este estudo dedica-se a analisar a distribuição de tarefas domésticas e de cuidado entre os adultos de um mesmo núcleo familiar. Dando destaque à forma como o trabalho doméstico e de cuidados, historicamente relegado exclusivamente às mulheres, articulou-se gradativamente com a esfera da educação de crianças e jovens, em casa ou na escola, estabelecendo uma feminização do dever de desenvolver e cuidar do outro. Na busca de respostas às questões propostas inicialmente pelo estudo, foi desenvolvida uma investigação que contou, além da pesquisa bibliográfica, com a aplicação de questionários e entrevistas a pais e mães residentes em Portugal. Os questionários foram divulgados por redes sociais e os dados recolhidos foram complementados por entrevistas semiestruturadas com uma amostra menor de respondentes. As conclusões da investigação apontam para uma acentuada assimetria da distribuição das tarefas domésticas e de cuidado, que ainda hoje desfavorece e sobrecarrega as mulheres. Os dados recolhidos mostram, por exemplo, que recaiu à 93% das mães exclusivamente a função de supervisionar a agenda e as aulas remotas dos filhos durante os períodos de aulas em casa após o fechamento das escolas. Os relatos revelam ainda que, apesar de ter havido uma redistribuição na divisão de tarefas domésticas entre os adultos e as crianças em casa, para as mulheres, esta sobrecarga de trabalho intensificou-se nos períodos de confinamento. Antes do fechamento das escolas, 85% das mães afirmou ter sido exclusivamente responsável pelo contacto com os professores dos seus filhos. Após o fechamento das escolas, este número sobe para 90%. |
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