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Porque a família não se escolhe : os impactos psicossociais passados e atuais do alcoolismo parental nos ACOAs

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Detalhes bibliográficos
Resumo:À luz da Psicologia Sistémica, o alcoolismo é uma condição que influencia muito para além da vida daquele que consome abusivamente esta substância. Neste sentido, desde os anos 70, os estudos acerca dos impactos extra-alcoólico desta dependência têm demonstrado um interesse crescente nas experiências dos filhos adultos de pais alcoólicos (adult children of alcoholics – ACOAs). Sabendo-se que estes indivíduos tendem a ser mais suscetíveis a diversos outcomes psicossociais negativos (e.g., abuso de substâncias, sintomas depressivos, perturbações de ansiedade), este projeto de dissertação almeja, então, caracterizar as suas trajetórias de desenvolvimento sui generis. Posto isto, pretende-se compreender de que forma a exposição e convivência com o alcoolismo (parental) dos ACOAs impactou, no passado, e impacta, atualmente, as suas vivências e perceções, a satisfação das suas necessidades psicológicas básicas, postuladas pela Teoria da Autodeterminação (Deci & Vansteenkiste, 2004), e o seu bem-estar. Para dar resposta a tais objetivos exploratórios, nesta investigação qualitativa, foram conduzidas entrevistas individuais semiestruturadas a 6 ACOAs (n=6), selecionados por conveniência. Numa ótica de triangulação de métodos, também se procedeu à aplicação de instrumentos quantitativos complementares, ao longo das entrevistas. Decorrentes da análise temática, emergiram 4 subcategorias relativas ao passado, que permitiram caracterizar a relação primária dos ACOAs com as suas figuras parentais alcoólicas (FPAs), o funcionamento das famílias “alcoólicas” dos participantes, as suas experiências precoces associadas ao alcoolismo parental e algumas das suas perceções anteriores. Para além disto, surgiram também 1 tema referente ao percurso de alcoolismo e às diferentes fases que o compõem, bem como 5 subcategorias alusivas ao presente, descritoras do relacionamento diádico atual dos/as entrevistados/as com as suas FPAs, de algumas das suas perceções atuais, de impactos psicossociais decorrentes das suas exposição e convivência com a dependência, de estratégias por si implementadas para lidar com estas consequências e, finalmente, do carácter de resiliência das suas narrativas. Tendo estes resultados em conta, são, ainda, discutidas as principais conclusões, em função das limitações do presente estudo, bem como exploradas algumas sugestões para investigações futuras. De qualquer modo, conclui-se que a vivência dos ACOAs está longe de poder considerar-se homogénea, uma vez que, tal como salientam as evidências deste trabalho, embora muitos reportem problemas na idade adulta, também existem ACOAs que não os revelam, demonstrando que estas experiências aumentam o risco, mas não determinam o desenvolvimento de problemas psicossociais. Mais do que isso, estas constatações vêm, sobretudo, enfatizar o potencial de resiliência de que estes indivíduos dispõem, apesar das adversidades (e também graças a elas) que compõem as suas narrativas.
Autores principais:Costa, Joana de Morais
Assunto:Alcoolismo Bem-estar Resiliência Necessidades psicológicas Autodeterminação Filhos adultos de alcoólicos Comportamentos de risco Dissertações de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:À luz da Psicologia Sistémica, o alcoolismo é uma condição que influencia muito para além da vida daquele que consome abusivamente esta substância. Neste sentido, desde os anos 70, os estudos acerca dos impactos extra-alcoólico desta dependência têm demonstrado um interesse crescente nas experiências dos filhos adultos de pais alcoólicos (adult children of alcoholics – ACOAs). Sabendo-se que estes indivíduos tendem a ser mais suscetíveis a diversos outcomes psicossociais negativos (e.g., abuso de substâncias, sintomas depressivos, perturbações de ansiedade), este projeto de dissertação almeja, então, caracterizar as suas trajetórias de desenvolvimento sui generis. Posto isto, pretende-se compreender de que forma a exposição e convivência com o alcoolismo (parental) dos ACOAs impactou, no passado, e impacta, atualmente, as suas vivências e perceções, a satisfação das suas necessidades psicológicas básicas, postuladas pela Teoria da Autodeterminação (Deci & Vansteenkiste, 2004), e o seu bem-estar. Para dar resposta a tais objetivos exploratórios, nesta investigação qualitativa, foram conduzidas entrevistas individuais semiestruturadas a 6 ACOAs (n=6), selecionados por conveniência. Numa ótica de triangulação de métodos, também se procedeu à aplicação de instrumentos quantitativos complementares, ao longo das entrevistas. Decorrentes da análise temática, emergiram 4 subcategorias relativas ao passado, que permitiram caracterizar a relação primária dos ACOAs com as suas figuras parentais alcoólicas (FPAs), o funcionamento das famílias “alcoólicas” dos participantes, as suas experiências precoces associadas ao alcoolismo parental e algumas das suas perceções anteriores. Para além disto, surgiram também 1 tema referente ao percurso de alcoolismo e às diferentes fases que o compõem, bem como 5 subcategorias alusivas ao presente, descritoras do relacionamento diádico atual dos/as entrevistados/as com as suas FPAs, de algumas das suas perceções atuais, de impactos psicossociais decorrentes das suas exposição e convivência com a dependência, de estratégias por si implementadas para lidar com estas consequências e, finalmente, do carácter de resiliência das suas narrativas. Tendo estes resultados em conta, são, ainda, discutidas as principais conclusões, em função das limitações do presente estudo, bem como exploradas algumas sugestões para investigações futuras. De qualquer modo, conclui-se que a vivência dos ACOAs está longe de poder considerar-se homogénea, uma vez que, tal como salientam as evidências deste trabalho, embora muitos reportem problemas na idade adulta, também existem ACOAs que não os revelam, demonstrando que estas experiências aumentam o risco, mas não determinam o desenvolvimento de problemas psicossociais. Mais do que isso, estas constatações vêm, sobretudo, enfatizar o potencial de resiliência de que estes indivíduos dispõem, apesar das adversidades (e também graças a elas) que compõem as suas narrativas.