Publicação
A arquitectura da memória
| Resumo: | A maior parte da habitação colectiva contemporânea continua a ser projectada de acordo com normas modernas nas quais cada espaço tem uma forma e área pensados de modo a albergar uma função específica. É a habitação composta por espaços pré-determinados funcionalmente, que respondem a um número limitado de funções (confecção de comida, comer, dormir, trabalhar, lavar o corpo). Cada espaço dificilmente conseguirá suportar outra função senão aquela para o qual foi pensado. A habitação de espaços pré-determinados limita a possibilidade por parte do seu ocupante de interpretar os espaços, de ser este a atribuir-lhe um uso consoante as suas necessidades, de se apropriar da habitação. Não há lugar para o espaço-perdido, para o imprevisto. Os modernos partem da certeza que as necessidades do ocupante são previsíveis - tanto os movimentos como os percursos estão estudados e limitados. No entanto, a única certeza que há é a da incerteza das futuras necessidades do ocupante da habitação colectiva. A presente tese visa estudar o fenómeno na habitação colectiva da interactividade entre o espaço e o seu ocupante, através da análise da hierarquia de ordem e da hierarquia de área, e da criação de uma terceira hierarquia, que resulta da combinação das duas anteriores: a hierarquia espacial. Cada um destes índices contribui de maneira diferente para a hierarquia espacial: por ex., uma habitação que tenha uma hierarquia de ordem baixa pode não ser sinónimo de uma reduzida hierarquia espacial – se for composta por compartimentos que apresentam uma grande diferença de áreas entre o mais pequeno e o maior, ou seja, grandes dispersões relativamente à média das áreas, a sua hierarquia de área será elevada, aumentando o índice de hierarquia espacial. E vice-versa. Quanto maior for a hierarquia espacial de uma habitação, menor será a sua potencialidade de interagir com o seu ocupante; pelo contrário, quanto menor for a hierarquia espacial, a habitação apresentará uma maior potencialidade de interagir com o seu ocupante. Esta interactividade será então tanto maior quanto maior for o grau de interpretabilidade da arquitectura, que passa pela existência de espaços indeterminados a nível funcional, ambíguos, que interagem com todos os sentidos do corpo humano (e não só o da visão, ao contrário da arquitectura moderna, que fazia a apologia da forma), acomodando consequentemente a memória e a biografia espacial dos seus ocupantes. A habitação responsiva é a habitação formada por espaços interligados, que tanto se podem abrir uns para os outros como fecharem-se, com áreas que tendem para a homogeneidade. Cada ocupante interpretará assim cada espaço à sua maneira, apropriando-se dele, atribuindo-lhe diferentes usos ao longo do Tempo. É este conceito alternativo de habitação responsiva que dará sustentabilidade à habitação, ao invés desta se tornar obsoleta para os seus ocupantes passados uns anos. |
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| Autores principais: | Pinto, Inês Anselmo Seixas da Veiga |
| Assunto: | Interatividade Apropriação espacial Arquitetura da menória e dos sentidos Habitação coletiva Hierárquia espacial |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A maior parte da habitação colectiva contemporânea continua a ser projectada de acordo com normas modernas nas quais cada espaço tem uma forma e área pensados de modo a albergar uma função específica. É a habitação composta por espaços pré-determinados funcionalmente, que respondem a um número limitado de funções (confecção de comida, comer, dormir, trabalhar, lavar o corpo). Cada espaço dificilmente conseguirá suportar outra função senão aquela para o qual foi pensado. A habitação de espaços pré-determinados limita a possibilidade por parte do seu ocupante de interpretar os espaços, de ser este a atribuir-lhe um uso consoante as suas necessidades, de se apropriar da habitação. Não há lugar para o espaço-perdido, para o imprevisto. Os modernos partem da certeza que as necessidades do ocupante são previsíveis - tanto os movimentos como os percursos estão estudados e limitados. No entanto, a única certeza que há é a da incerteza das futuras necessidades do ocupante da habitação colectiva. A presente tese visa estudar o fenómeno na habitação colectiva da interactividade entre o espaço e o seu ocupante, através da análise da hierarquia de ordem e da hierarquia de área, e da criação de uma terceira hierarquia, que resulta da combinação das duas anteriores: a hierarquia espacial. Cada um destes índices contribui de maneira diferente para a hierarquia espacial: por ex., uma habitação que tenha uma hierarquia de ordem baixa pode não ser sinónimo de uma reduzida hierarquia espacial – se for composta por compartimentos que apresentam uma grande diferença de áreas entre o mais pequeno e o maior, ou seja, grandes dispersões relativamente à média das áreas, a sua hierarquia de área será elevada, aumentando o índice de hierarquia espacial. E vice-versa. Quanto maior for a hierarquia espacial de uma habitação, menor será a sua potencialidade de interagir com o seu ocupante; pelo contrário, quanto menor for a hierarquia espacial, a habitação apresentará uma maior potencialidade de interagir com o seu ocupante. Esta interactividade será então tanto maior quanto maior for o grau de interpretabilidade da arquitectura, que passa pela existência de espaços indeterminados a nível funcional, ambíguos, que interagem com todos os sentidos do corpo humano (e não só o da visão, ao contrário da arquitectura moderna, que fazia a apologia da forma), acomodando consequentemente a memória e a biografia espacial dos seus ocupantes. A habitação responsiva é a habitação formada por espaços interligados, que tanto se podem abrir uns para os outros como fecharem-se, com áreas que tendem para a homogeneidade. Cada ocupante interpretará assim cada espaço à sua maneira, apropriando-se dele, atribuindo-lhe diferentes usos ao longo do Tempo. É este conceito alternativo de habitação responsiva que dará sustentabilidade à habitação, ao invés desta se tornar obsoleta para os seus ocupantes passados uns anos. |
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