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Introdução : «Ou bem que somos, ou bem que não somos»

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Tomás Ribeiro é uma das figuras centrais do século xix português, tanto a nível político, quanto cultural, pese embora o segundo plano a que a História o relegou. Em A Índia Portuguesa: breve descripção das possessões portuguezas na Asia, publicado em 1886, afirmava o etnógrafo António Lopes Mendes (1835‑1894), acerca de Ribeiro, que «não é licito escrever este nome sem ter a certeza de que nenhum portuguez o ignora» (1886: 1, 68). O poeta do D. Jaime ou a dominação de Castela (1862), anti‑iberista convicto, ultrarromântico e regenerador, terá mesmo encarnado o «“ídolo” nacional» (Ferraz 2001: 4, 801). A Geração de 70 (Eça, Antero, Ramalho, Oliveira Martins), que rapidamente se impôs no panorama cultural português, tem decerto a sua quota‑parte de responsabilidade nesse esquecimento: «a acção “prática e social”, que Tomás Ribeiro atribuía à poesia ou à sua poesia, limitada e viciada, não podia convir à nova geração que se formava em Coimbra, fora da praxis da universidade, senão contra ela» e que não admitia uma literatura pertencente ao mundo «da burocracia e dum patriotismo reaccionário que os socialistas e republicanos de 1850 haviam já desmistificado» (França 1999: 367)1.De todo o modo, as Jornadas, publicadas em dois volumes nos anos de 1873 e 1874 pela Livraria Central, de José Diogo Pires, de Coimbra, mostram a importância de se resgatar o percurso e a obra de Tomás Ribeiro, que revelam, à sua maneira e com o perfil ideológico que lhes é próprio, certas dinâmicas da sociedade portuguesa de Oitocentos ou, pelo menos, problemáticas em torno das quais as elites da altura giraram.
Autores principais:Machado, Everton V.
Assunto:Ribeiro, Tomás, 1831-1901. Jornadas
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Tomás Ribeiro é uma das figuras centrais do século xix português, tanto a nível político, quanto cultural, pese embora o segundo plano a que a História o relegou. Em A Índia Portuguesa: breve descripção das possessões portuguezas na Asia, publicado em 1886, afirmava o etnógrafo António Lopes Mendes (1835‑1894), acerca de Ribeiro, que «não é licito escrever este nome sem ter a certeza de que nenhum portuguez o ignora» (1886: 1, 68). O poeta do D. Jaime ou a dominação de Castela (1862), anti‑iberista convicto, ultrarromântico e regenerador, terá mesmo encarnado o «“ídolo” nacional» (Ferraz 2001: 4, 801). A Geração de 70 (Eça, Antero, Ramalho, Oliveira Martins), que rapidamente se impôs no panorama cultural português, tem decerto a sua quota‑parte de responsabilidade nesse esquecimento: «a acção “prática e social”, que Tomás Ribeiro atribuía à poesia ou à sua poesia, limitada e viciada, não podia convir à nova geração que se formava em Coimbra, fora da praxis da universidade, senão contra ela» e que não admitia uma literatura pertencente ao mundo «da burocracia e dum patriotismo reaccionário que os socialistas e republicanos de 1850 haviam já desmistificado» (França 1999: 367)1.De todo o modo, as Jornadas, publicadas em dois volumes nos anos de 1873 e 1874 pela Livraria Central, de José Diogo Pires, de Coimbra, mostram a importância de se resgatar o percurso e a obra de Tomás Ribeiro, que revelam, à sua maneira e com o perfil ideológico que lhes é próprio, certas dinâmicas da sociedade portuguesa de Oitocentos ou, pelo menos, problemáticas em torno das quais as elites da altura giraram.