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Microplásticos em vários tecidos de espécies de peixes pelágicos com interesse comercial

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A ingestão e acumulação de microplásticos (MPs) por espécies marinhas de interesse comercial representa uma grande preocupação, nomeadamente para o consumo humano. Este estudo analisou a acumulação de MPs em três espécies de peixes pelágicos com elevado valor comercial, sardinha (Sardina pilchardus), biqueirão (Engraulis encrasicolus) e carapau (Trachurus trachurus), recolhidas ao longo da costa portuguesa e Golfo de Cádiz. Foram analisadas amostras de trato gastrointestinal, brânquias e músculo tendo-se observado um total de 757 potenciais MPs. Verificou-se a presença de MPs em todos os tecidos-alvo das espécies analisadas, embora o trato gastrointestinal apresente concentrações significativamente mais elevadas (p <0,05). A percentagem de ingestão de MPs foi superior nos carapaus (81%), seguido da sardinha (72%) e por último o biqueirão (52%). O carapau foi a espécie que registou a maior percentagem de indivíduos com partículas no músculo (67%), seguido da sardinha (46%) e por fim do biqueirão (43%). A percentagem de indivíduos que apresentaram MPs nas brânquias foi similar entre espécies. Para além de existirem diferenças significativas entre os tecidos de cada uma das espécies (p<0,05), foram ainda verificadas diferenças significativas entre os vários tecidos das espécies. Dos microplásticos analisados através da técnica do FTIR (35% do total contabilizado) foram obtidos uma grande variedade de polímeros termofixos e termoplásticos. Os polímeros mais frequentes em todos os peixes foram: polímero semi sintético de celulose (rayon, 40,2%), poliéster (PES, 11,1%), acrílico (PMMA, 8,5%), acrilato (BMA, 7,4%), PEI (6,9%) e PE (5,8%). Os tamanhos dos MPs nas várias espécies e tecidos variaram entre 0,009 mm e o máximo de 4,8 mm. A maioria dos MPs detetados foi constituída por fibras (76,8%) e a cor mais frequente foi a azul (66,8%). O estudo sugere ainda que a espécie T. trachurus seja o bioindicador mais adequado para a avaliação dos critérios do Descritor 10 (D10) da Diretiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM) relativa ao lixo marinho e MPs. Os resultados obtidos são importantes pois evidenciam a presença de MP em diferentes tecidos de espécies de peixe com elevado interesse comercial. Contudo os mecanismos de transferência dos MPs através dos tecidos ainda são desconhecidos e são necessárias investigações futuras para entender estes processos e quais as implicações que representam para a saúde humana.
Autores principais:Silva, Ana Catarina Ambrosino da
Assunto:DQEM FTIR Lixo marinho Polímeros Portugal Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A ingestão e acumulação de microplásticos (MPs) por espécies marinhas de interesse comercial representa uma grande preocupação, nomeadamente para o consumo humano. Este estudo analisou a acumulação de MPs em três espécies de peixes pelágicos com elevado valor comercial, sardinha (Sardina pilchardus), biqueirão (Engraulis encrasicolus) e carapau (Trachurus trachurus), recolhidas ao longo da costa portuguesa e Golfo de Cádiz. Foram analisadas amostras de trato gastrointestinal, brânquias e músculo tendo-se observado um total de 757 potenciais MPs. Verificou-se a presença de MPs em todos os tecidos-alvo das espécies analisadas, embora o trato gastrointestinal apresente concentrações significativamente mais elevadas (p <0,05). A percentagem de ingestão de MPs foi superior nos carapaus (81%), seguido da sardinha (72%) e por último o biqueirão (52%). O carapau foi a espécie que registou a maior percentagem de indivíduos com partículas no músculo (67%), seguido da sardinha (46%) e por fim do biqueirão (43%). A percentagem de indivíduos que apresentaram MPs nas brânquias foi similar entre espécies. Para além de existirem diferenças significativas entre os tecidos de cada uma das espécies (p<0,05), foram ainda verificadas diferenças significativas entre os vários tecidos das espécies. Dos microplásticos analisados através da técnica do FTIR (35% do total contabilizado) foram obtidos uma grande variedade de polímeros termofixos e termoplásticos. Os polímeros mais frequentes em todos os peixes foram: polímero semi sintético de celulose (rayon, 40,2%), poliéster (PES, 11,1%), acrílico (PMMA, 8,5%), acrilato (BMA, 7,4%), PEI (6,9%) e PE (5,8%). Os tamanhos dos MPs nas várias espécies e tecidos variaram entre 0,009 mm e o máximo de 4,8 mm. A maioria dos MPs detetados foi constituída por fibras (76,8%) e a cor mais frequente foi a azul (66,8%). O estudo sugere ainda que a espécie T. trachurus seja o bioindicador mais adequado para a avaliação dos critérios do Descritor 10 (D10) da Diretiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM) relativa ao lixo marinho e MPs. Os resultados obtidos são importantes pois evidenciam a presença de MP em diferentes tecidos de espécies de peixe com elevado interesse comercial. Contudo os mecanismos de transferência dos MPs através dos tecidos ainda são desconhecidos e são necessárias investigações futuras para entender estes processos e quais as implicações que representam para a saúde humana.