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Influência da reserva cognitiva no funcionamento cognitivo de idosos portugueses

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Resumo:O presente estudo teve como principais objetivos adaptar e validar a Escala de Reserva Cognitiva (ERC; Leon et al., 2014; Altieri et al., 2018) para a população portuguesa, com um grupo de idosos saudáveis (n=46); compreender a influência da sintomatologia depressiva e da apatia no nível de reserva cognitiva; analisar a influência do tipo de atividade profissional, quanto à sua exigência cognitiva, no nível de reserva cognitiva do indivíduo; e, por último, examinar a influência da reserva cognitiva no funcionamento cognitivo de idosos portugueses. Colocaram-se como hipóteses que: H1) idosos com resultados mais altos na Escala de Depressão Geriátrica (EDG-15; Sheikh & Yesavage, 1986) e na Escala de Avaliação de Apatia (EAA; Lueken et al., 2007), teriam resultados mais baixos na ERC; H2) a atividade profissional exercida estará associada a, e será preditora da reserva cognitiva; e H3) o nível de reserva cognitiva estará associado a, e será preditor do, desempenho cognitivo, avaliado pelo Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005) e pelo Mini Mental State Examination (MMSE; Folstein et al., 1975). Foram aplicados: a) um questionário sociodemográfico; b) três instrumentos para a avaliação psicológica e neuropsicológica (Auditory Verbal Learning Test ; Cavaco et al., 2015, EDG-15; Sheikh & Yesavage, 1986 e a EAA; Lueken et al., 2007); c) a ERC (Leon et al., 2014; Altieri et al., 2018); e d) dois instrumentos de rastreio cognitivo (o MMSE; Folstein et al., 1975; Guerreiro et al., 1994; Guerreiro, 1998; e o MoCA; Nasreddine et al., 2005; Freitas et al., 2011). A ERC traduzida e adaptada para português revelou boas propriedades psicométricas. Verificou-se uma correlação negativa significativa entre os resultados na ERC e os resultados na EDG-15 (e não com os da EAA), i.e., os idosos que apresentaram valores mais altos na EDG15 obtiveram resultados mais baixos na ERC, corroborando parcialmente a H1. Como esperado (H2), exercer ao longo da vida atividades profissionais cognitivamente mais exigentes esteve associado e foi preditor de um nível mais elevado de reserva cognitiva. ii Os resultados das correlações e das análises de regressão hierárquica entre a ERC e as medidas de funcionamento cognitivo (MoCA e MMSE) corroboraram parcialmente a H3, na medida em que, o desempenho na ERC associou-se a e apresentou um valor preditivo significativo do desempenho no MoCA (o que não se verificou relativamente ao MMSE). A ERC revela-se um instrumento inovador em Portugal, pois, até ao momento, é o único adaptado para a população idosa portuguesa saudável e considera os diferentes indicadores da reserva cognitiva, ao longo das várias fases da vida. A ERC é assim uma ferramenta importante na prevenção do envelhecimento cognitivo patológico e também para a valorização da saúde mental. Este estudo permitiu-nos compreender que deverá existir uma insistência no envolvimento cognitivo dos indivíduos na sua atividade profissional, para que se preserve o funcionamento cognitivo futuro. Por outro lado, também é enfatizada a importância do bem-estar psicológico no bom funcionamento cognitivo do indivíduo, dada a clarificação do papel da sintomatologia depressiva enquanto fator de risco. O presente estudo esclareceu ainda a forma como a reserva cognitiva influencia positivamente o funcionamento cognitivo de idosos portugueses, pois maiores níveis de reserva cognitiva estão associados a e são preditores de um melhor desempenho em medidas de funcionamento cognitivo.
Autores principais:Tomás, Marta Ganchas
Assunto:Envelhecimento cognitivo Envelhecimento - Portugal Idosos Semiologia (Medicina) Depressão Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O presente estudo teve como principais objetivos adaptar e validar a Escala de Reserva Cognitiva (ERC; Leon et al., 2014; Altieri et al., 2018) para a população portuguesa, com um grupo de idosos saudáveis (n=46); compreender a influência da sintomatologia depressiva e da apatia no nível de reserva cognitiva; analisar a influência do tipo de atividade profissional, quanto à sua exigência cognitiva, no nível de reserva cognitiva do indivíduo; e, por último, examinar a influência da reserva cognitiva no funcionamento cognitivo de idosos portugueses. Colocaram-se como hipóteses que: H1) idosos com resultados mais altos na Escala de Depressão Geriátrica (EDG-15; Sheikh & Yesavage, 1986) e na Escala de Avaliação de Apatia (EAA; Lueken et al., 2007), teriam resultados mais baixos na ERC; H2) a atividade profissional exercida estará associada a, e será preditora da reserva cognitiva; e H3) o nível de reserva cognitiva estará associado a, e será preditor do, desempenho cognitivo, avaliado pelo Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005) e pelo Mini Mental State Examination (MMSE; Folstein et al., 1975). Foram aplicados: a) um questionário sociodemográfico; b) três instrumentos para a avaliação psicológica e neuropsicológica (Auditory Verbal Learning Test ; Cavaco et al., 2015, EDG-15; Sheikh & Yesavage, 1986 e a EAA; Lueken et al., 2007); c) a ERC (Leon et al., 2014; Altieri et al., 2018); e d) dois instrumentos de rastreio cognitivo (o MMSE; Folstein et al., 1975; Guerreiro et al., 1994; Guerreiro, 1998; e o MoCA; Nasreddine et al., 2005; Freitas et al., 2011). A ERC traduzida e adaptada para português revelou boas propriedades psicométricas. Verificou-se uma correlação negativa significativa entre os resultados na ERC e os resultados na EDG-15 (e não com os da EAA), i.e., os idosos que apresentaram valores mais altos na EDG15 obtiveram resultados mais baixos na ERC, corroborando parcialmente a H1. Como esperado (H2), exercer ao longo da vida atividades profissionais cognitivamente mais exigentes esteve associado e foi preditor de um nível mais elevado de reserva cognitiva. ii Os resultados das correlações e das análises de regressão hierárquica entre a ERC e as medidas de funcionamento cognitivo (MoCA e MMSE) corroboraram parcialmente a H3, na medida em que, o desempenho na ERC associou-se a e apresentou um valor preditivo significativo do desempenho no MoCA (o que não se verificou relativamente ao MMSE). A ERC revela-se um instrumento inovador em Portugal, pois, até ao momento, é o único adaptado para a população idosa portuguesa saudável e considera os diferentes indicadores da reserva cognitiva, ao longo das várias fases da vida. A ERC é assim uma ferramenta importante na prevenção do envelhecimento cognitivo patológico e também para a valorização da saúde mental. Este estudo permitiu-nos compreender que deverá existir uma insistência no envolvimento cognitivo dos indivíduos na sua atividade profissional, para que se preserve o funcionamento cognitivo futuro. Por outro lado, também é enfatizada a importância do bem-estar psicológico no bom funcionamento cognitivo do indivíduo, dada a clarificação do papel da sintomatologia depressiva enquanto fator de risco. O presente estudo esclareceu ainda a forma como a reserva cognitiva influencia positivamente o funcionamento cognitivo de idosos portugueses, pois maiores níveis de reserva cognitiva estão associados a e são preditores de um melhor desempenho em medidas de funcionamento cognitivo.