Publicação
Vivendo com a dor : o cuidador e o doente com dor crónica oncológica
| Resumo: | Resumo O diagnóstico de cancro num indivíduo afecta a vida do seu cuidador, colocando dificuldades de várias ordens que podem rivalizar em importância e consequências negativas com a condição física do doente. A presença de dor crónica oncológica afecta o doente e todo o seu meio envolvente. É neste ambiente de coabitação com a dor que se procurou compreender a complexa relação entre doente e cuidador. Daqui emerge a necessidade de nos debruçarmos sobre as práticas do cuidar e da dor. Nas opções metodológicas optou-se pela triangulação dos métodos – qualitativo e quantitativo. Partiu-se da perspectiva fenomenológica. Realizaram-se vinte entrevistas semi-estruturadas. No tratamento dos dados utilizou-se a análise de conteúdo e a estatística descritiva. Para os entrevistados a dor é carregada de conotações negativas bem como os sentimentos que daí decorrem. De acordo com a Escala Visual Analógica, os valores atribuídos à mesma dor são muito semelhantes entre doente e cuidador, sendo que estes são elevados e pressupõem um mau controlo da dor. Desta vivência emergem impactos (perda, dependência, novas perspectivas), necessidades (nomeadamente psico-emocionais e cognitivas), dificuldades (inadaptação, falta de competências para lidar com a dor, centralização no doente), e estratégias (recursos internos e externos). Estabeleceu-se um contexto de cuidar – a aquisição de competências é uma etapa de difícil acesso. Os valores dos cuidadores são antagónicos – amor e dever. Há satisfação nesta tarefa, mas há necessidade de acompanhamento. Privilegiam a dimensão relacional e emocional. Há valorização da componente psíquica-emocional-espiritual da dor. Na prática do cuidar do doente com dor, a experiência é reconhecida como complexa, a “vivência da dor do outro como sua” é uma realidade. Ela é abordada ora como gratificante (novos valores, fortalecimento de relações) ora como desgastante (perdas – alteração de papéis, e a nível laboral, solidão). Encontraram-se cuidadores distintos – há aqueles que se referem às alterações do quotidiano, e outros às alterações do próprio “eu”. Os idosos e reformados estão em maioria. Quanto mais tempo de cuidador mais dificuldades, e a percepção da dor torna-se mais negativa, mas há aumento de aprendizagem e mais valorização psico-emocional da dor. Há diferenças entre géneros. O homem (boa representatividade) sofre “sobrecarga emocional”, (necessidades psico-emocionais realçadas), tem mais dificuldades face à doença/dor, tem sentimentos mais positivos, recorre aos recursos externos. As mulheres verbalizam sentimentos mais negativos, utilizam mais os recursos internos e têm mais dificuldade em lidar com o doente. Os profissionais de saúde são reconhecidos, a componente humana / relacional é valorizada, mas também as limitações. Conclui-se acerca da importância de avaliar estes cuidadores, do desenvolvimento de acções capazes de contribuir para a melhoria das práticas de intervenção e de gestão da dor / cuidados prestados. |
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| Autores principais: | Bidarra, Andrea Pereira, 1983- |
| Assunto: | Dor Oncologia Cuidador Família Necessidades Psico-emocional Teses de mestrado - 2010 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Resumo O diagnóstico de cancro num indivíduo afecta a vida do seu cuidador, colocando dificuldades de várias ordens que podem rivalizar em importância e consequências negativas com a condição física do doente. A presença de dor crónica oncológica afecta o doente e todo o seu meio envolvente. É neste ambiente de coabitação com a dor que se procurou compreender a complexa relação entre doente e cuidador. Daqui emerge a necessidade de nos debruçarmos sobre as práticas do cuidar e da dor. Nas opções metodológicas optou-se pela triangulação dos métodos – qualitativo e quantitativo. Partiu-se da perspectiva fenomenológica. Realizaram-se vinte entrevistas semi-estruturadas. No tratamento dos dados utilizou-se a análise de conteúdo e a estatística descritiva. Para os entrevistados a dor é carregada de conotações negativas bem como os sentimentos que daí decorrem. De acordo com a Escala Visual Analógica, os valores atribuídos à mesma dor são muito semelhantes entre doente e cuidador, sendo que estes são elevados e pressupõem um mau controlo da dor. Desta vivência emergem impactos (perda, dependência, novas perspectivas), necessidades (nomeadamente psico-emocionais e cognitivas), dificuldades (inadaptação, falta de competências para lidar com a dor, centralização no doente), e estratégias (recursos internos e externos). Estabeleceu-se um contexto de cuidar – a aquisição de competências é uma etapa de difícil acesso. Os valores dos cuidadores são antagónicos – amor e dever. Há satisfação nesta tarefa, mas há necessidade de acompanhamento. Privilegiam a dimensão relacional e emocional. Há valorização da componente psíquica-emocional-espiritual da dor. Na prática do cuidar do doente com dor, a experiência é reconhecida como complexa, a “vivência da dor do outro como sua” é uma realidade. Ela é abordada ora como gratificante (novos valores, fortalecimento de relações) ora como desgastante (perdas – alteração de papéis, e a nível laboral, solidão). Encontraram-se cuidadores distintos – há aqueles que se referem às alterações do quotidiano, e outros às alterações do próprio “eu”. Os idosos e reformados estão em maioria. Quanto mais tempo de cuidador mais dificuldades, e a percepção da dor torna-se mais negativa, mas há aumento de aprendizagem e mais valorização psico-emocional da dor. Há diferenças entre géneros. O homem (boa representatividade) sofre “sobrecarga emocional”, (necessidades psico-emocionais realçadas), tem mais dificuldades face à doença/dor, tem sentimentos mais positivos, recorre aos recursos externos. As mulheres verbalizam sentimentos mais negativos, utilizam mais os recursos internos e têm mais dificuldade em lidar com o doente. Os profissionais de saúde são reconhecidos, a componente humana / relacional é valorizada, mas também as limitações. Conclui-se acerca da importância de avaliar estes cuidadores, do desenvolvimento de acções capazes de contribuir para a melhoria das práticas de intervenção e de gestão da dor / cuidados prestados. |
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