Publicação
Modelação espácio-temporal da propagação da COVID-19 em Portugal Continental: evidências da importância de fatores geográficos
| Resumo: | A COVID-19 é uma doença respiratória identificada na China no final de 2019 como responsável por causar vários casos de pneumonia atípica. A sua dispersão, potenciada pelas redes internacionais de transporte, levou a que esta se espalhasse rapidamente por todo o mundo, causando uma pandemia com centenas de milhões de casos confirmados. Abordagens geográficas a contextos epidémicos e pandémicos são comuns na literatura e a utilização de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e técnicas de análise espacial mostram grande aplicabilidade ao estudo da distribuição de doenças. Também estudos da COVID-19 baseados em SIG são igualmente importantes para identificar e compreender atributos explicativos, ainda desconhecidos, dos padrões de disseminação desta doença. Neste contexto, a presente dissertação de mestrado, realizada no âmbito da colaboração em dois projetos de investigação acerca das dinâmicas espaciais da COVID-19 em Portugal (https://www.comprime-compri-mov.com/), permitiu testar a aplicação de novas métricas a este fenómeno. Dos resultados obtidos foi possível confirmar as conclusões de outros autores, mas também descobrir novas evidências acerca dos padrões espaciais de transmissão. Mais precisamente, a partir de uma metodologia complementada por métodos estocásticos de análise bivariada, técnicas de análise espacial e modelos de regressão linear múltipla e geográfica, inferiu-se que a propagação da COVID-19 em Portugal Continental, associada a processos de difusão espacial de relocalização, expansão hierárquica e por contágio, apresenta importantes relações com fatores decorrentes de especificidades sócio territoriais dos municípios tais como: densidade populacional, dimensão média das famílias, padrões de mobilidade, rendimento e exposição pela ocupação, que se mostraram preditores significativos para a distribuição heterogénea dos casos de COVID-19. Ao mesmo tempo, a proximidade e contiguidade entre municípios são propriedades geográficas com influência nos padrões espaciais de incidência, assim como a hierarquia da rede urbana nacional. Além disso, constatou-se a variabilidade espacial do efeito dos determinantes devido à existência de não estacionariedade espacial. Não obstante a flutuação espácio-temporal da importância dos determinantes, a partir da identificação dos seus limiares críticos o território foi classificado num índice de predisposição à infeção. Esta classificação constitui-se como uma alternativa para a aplicação de medidas de Saúde Pública de base territorial, traduzindo como diferentes dimensões societais influenciam a dispersão do SARS-CoV-2 e refletem a existência de condições propícias à transmissão espacialmente heterogéneas. |
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| Autores principais: | Alves, André Joel de Jesus |
| Assunto: | COVID-19 Sistemas de Informação Geográfica Difusão espacial Regressão Geográfica Ponderada Saúde Pública |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A COVID-19 é uma doença respiratória identificada na China no final de 2019 como responsável por causar vários casos de pneumonia atípica. A sua dispersão, potenciada pelas redes internacionais de transporte, levou a que esta se espalhasse rapidamente por todo o mundo, causando uma pandemia com centenas de milhões de casos confirmados. Abordagens geográficas a contextos epidémicos e pandémicos são comuns na literatura e a utilização de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e técnicas de análise espacial mostram grande aplicabilidade ao estudo da distribuição de doenças. Também estudos da COVID-19 baseados em SIG são igualmente importantes para identificar e compreender atributos explicativos, ainda desconhecidos, dos padrões de disseminação desta doença. Neste contexto, a presente dissertação de mestrado, realizada no âmbito da colaboração em dois projetos de investigação acerca das dinâmicas espaciais da COVID-19 em Portugal (https://www.comprime-compri-mov.com/), permitiu testar a aplicação de novas métricas a este fenómeno. Dos resultados obtidos foi possível confirmar as conclusões de outros autores, mas também descobrir novas evidências acerca dos padrões espaciais de transmissão. Mais precisamente, a partir de uma metodologia complementada por métodos estocásticos de análise bivariada, técnicas de análise espacial e modelos de regressão linear múltipla e geográfica, inferiu-se que a propagação da COVID-19 em Portugal Continental, associada a processos de difusão espacial de relocalização, expansão hierárquica e por contágio, apresenta importantes relações com fatores decorrentes de especificidades sócio territoriais dos municípios tais como: densidade populacional, dimensão média das famílias, padrões de mobilidade, rendimento e exposição pela ocupação, que se mostraram preditores significativos para a distribuição heterogénea dos casos de COVID-19. Ao mesmo tempo, a proximidade e contiguidade entre municípios são propriedades geográficas com influência nos padrões espaciais de incidência, assim como a hierarquia da rede urbana nacional. Além disso, constatou-se a variabilidade espacial do efeito dos determinantes devido à existência de não estacionariedade espacial. Não obstante a flutuação espácio-temporal da importância dos determinantes, a partir da identificação dos seus limiares críticos o território foi classificado num índice de predisposição à infeção. Esta classificação constitui-se como uma alternativa para a aplicação de medidas de Saúde Pública de base territorial, traduzindo como diferentes dimensões societais influenciam a dispersão do SARS-CoV-2 e refletem a existência de condições propícias à transmissão espacialmente heterogéneas. |
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