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Modelos percebidos de causalidade da violência entre parceiros íntimos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A violência entre parceiros íntimos (VPI) representa um problema grave de saúde pública cujos custos e consequências só poderão ser minimizados com um forte investimento na prevenção, que envolve necessariamente a identificação e compreensão dos factores que aumentam o risco da sua ocorrência. O estudo da relevância destes factores tem produzido, no entanto, resultados pouco claros e consistentes, em grande parte devido à dificuldade em integrar as diferentes perspectivas teóricas num único modelo abrangente que capte a articulação entre factores e os seus efeitos cumulativos. Apesar dos numerosos estudos nesta área, muito pouco tem sido feito para identificar as crenças da população acerca das causas da VPI. A presente investigação pretende colmatar essa lacuna, recorrendo à metodologia de modelos mentais proposta por Morgan, Fischhoff, Bostrom e Atman (2002) para aceder às relações percebidas de causalidade entre factores de risco e entre estes e a VPI. Combinando métodos qualitativos e quantitativos, no Estudo 1 são descritas as entrevistas realizadas com peritos e leigos para aceder a estas crenças e no Estudo 2 são utilizados questionários para testar a prevalência das mesmas na população. Os resultados são consistentes com um modelo integrativo da VPI onde características do indivíduo, da relação entre os parceiros íntimos e das comunidades em que estão inseridos são reconhecidas como relevantes para a ocorrência deste fenómeno. As associações que se estabelecem entre factores sugerem, no entanto, que os factores individuais e situacionais assumem maior destaque, sobrepondo-se a outros factores propostos por modelos explicativos tradicionais, como as desigualdades de género na sociedade ou os conflitos na relação entre parceiros íntimos. As relações entre os factores de risco são, no entanto, bem mais complexas do que fica representado nesta investigação, pelo que são necessários estudos mais sofisticados para destrinçar a causalidade entre factores, o sentido dessa causalidade e os efeitos cumulativos destas relações.
Autores principais:Filipe, Sara de Almeida
Assunto:Violência conjugal - Portugal Modelos mentais Factores de risco Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A violência entre parceiros íntimos (VPI) representa um problema grave de saúde pública cujos custos e consequências só poderão ser minimizados com um forte investimento na prevenção, que envolve necessariamente a identificação e compreensão dos factores que aumentam o risco da sua ocorrência. O estudo da relevância destes factores tem produzido, no entanto, resultados pouco claros e consistentes, em grande parte devido à dificuldade em integrar as diferentes perspectivas teóricas num único modelo abrangente que capte a articulação entre factores e os seus efeitos cumulativos. Apesar dos numerosos estudos nesta área, muito pouco tem sido feito para identificar as crenças da população acerca das causas da VPI. A presente investigação pretende colmatar essa lacuna, recorrendo à metodologia de modelos mentais proposta por Morgan, Fischhoff, Bostrom e Atman (2002) para aceder às relações percebidas de causalidade entre factores de risco e entre estes e a VPI. Combinando métodos qualitativos e quantitativos, no Estudo 1 são descritas as entrevistas realizadas com peritos e leigos para aceder a estas crenças e no Estudo 2 são utilizados questionários para testar a prevalência das mesmas na população. Os resultados são consistentes com um modelo integrativo da VPI onde características do indivíduo, da relação entre os parceiros íntimos e das comunidades em que estão inseridos são reconhecidas como relevantes para a ocorrência deste fenómeno. As associações que se estabelecem entre factores sugerem, no entanto, que os factores individuais e situacionais assumem maior destaque, sobrepondo-se a outros factores propostos por modelos explicativos tradicionais, como as desigualdades de género na sociedade ou os conflitos na relação entre parceiros íntimos. As relações entre os factores de risco são, no entanto, bem mais complexas do que fica representado nesta investigação, pelo que são necessários estudos mais sofisticados para destrinçar a causalidade entre factores, o sentido dessa causalidade e os efeitos cumulativos destas relações.