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Beta-hemoglobinopatias: etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e abordagens terapêuticas

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Resumo:As beta-hemoglobinopatias resultam de mutações genéticas no gene da beta-globina e estão entre as doenças monogénicas mais comuns e disseminadas do mundo. Estas podem ser divididas em duas categorias, beta-hemoglobinopatias quantitativas e qualitativas. De todas as beta-hemoglobinopatias que existem, e que já foram estudadas, as que apresentam uma maior relevância clínica são a beta-talassemia e a drepanocitose. Estas doenças encontram-se, maioritariamente, nas zonas endémicas para a malária, no entanto, com as migrações das populações, atualmente estão presentes um pouco por todo o mundo. A beta-talassemia tem como causa mutações genéticas que afetam a síntese da cadeia de beta-globina, resultando na sua redução ou ausência, e levando a um excesso de cadeias de alfa-globina, não emparelhadas, que pode levar à morte prematura das células eritroides. Subdividem-se em beta-talassemia major, intermédia e minor, sendo a beta-talassemia major a mais grave. A drepanocitose é uma doença autossómica recessiva e resulta de uma única mutação no sexto codão do gene que codifica para a beta-globina, onde uma adenina é substituída por uma timina, existindo assim uma alteração no aminoácido, de ácido glutâmico para valina, levando à produção de uma hemoglobina anormal, a hemoglobina S. Pessoas que apenas receberam de um dos seus progenitores o gene com a mutação denominam-se portadores do traço falciforme. No diagnóstico destas doenças, são utilizados métodos de diagnóstico laboratoriais, como o hemograma, cromatografia líquida de alta eficiência, eletroforese capilar e focagem isoelétrica, e métodos moleculares. Em alguns países, estando Portugal incluído, os rastreios são recomendados de forma a impedir que surjam novos casos de beta-hemoglobinopatias. A única terapêutica curativa para estas doenças é o transplante de células estaminais hematopoiéticas, no entanto esta não está disponível para a maioria dos doentes. Nos últimos anos foram investigados alguns fármacos, que tinham como objetivo substituir ou complementar o tratamento convencional para estas doenças. A terapia génica, recorrendo a lentivírus e a nucleases, está assim a ser investigada, de forma a poder ser utilizada nas beta-hemoglobinopatias.
Autores principais:Sousa, Catarina Isabel Silva
Assunto:β-hemoglobinopatias β-talassemia Drepanocitose Hemoglobina Etiologia/fisiopatologia/diagnóstico/tratamento Mestrado integrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As beta-hemoglobinopatias resultam de mutações genéticas no gene da beta-globina e estão entre as doenças monogénicas mais comuns e disseminadas do mundo. Estas podem ser divididas em duas categorias, beta-hemoglobinopatias quantitativas e qualitativas. De todas as beta-hemoglobinopatias que existem, e que já foram estudadas, as que apresentam uma maior relevância clínica são a beta-talassemia e a drepanocitose. Estas doenças encontram-se, maioritariamente, nas zonas endémicas para a malária, no entanto, com as migrações das populações, atualmente estão presentes um pouco por todo o mundo. A beta-talassemia tem como causa mutações genéticas que afetam a síntese da cadeia de beta-globina, resultando na sua redução ou ausência, e levando a um excesso de cadeias de alfa-globina, não emparelhadas, que pode levar à morte prematura das células eritroides. Subdividem-se em beta-talassemia major, intermédia e minor, sendo a beta-talassemia major a mais grave. A drepanocitose é uma doença autossómica recessiva e resulta de uma única mutação no sexto codão do gene que codifica para a beta-globina, onde uma adenina é substituída por uma timina, existindo assim uma alteração no aminoácido, de ácido glutâmico para valina, levando à produção de uma hemoglobina anormal, a hemoglobina S. Pessoas que apenas receberam de um dos seus progenitores o gene com a mutação denominam-se portadores do traço falciforme. No diagnóstico destas doenças, são utilizados métodos de diagnóstico laboratoriais, como o hemograma, cromatografia líquida de alta eficiência, eletroforese capilar e focagem isoelétrica, e métodos moleculares. Em alguns países, estando Portugal incluído, os rastreios são recomendados de forma a impedir que surjam novos casos de beta-hemoglobinopatias. A única terapêutica curativa para estas doenças é o transplante de células estaminais hematopoiéticas, no entanto esta não está disponível para a maioria dos doentes. Nos últimos anos foram investigados alguns fármacos, que tinham como objetivo substituir ou complementar o tratamento convencional para estas doenças. A terapia génica, recorrendo a lentivírus e a nucleases, está assim a ser investigada, de forma a poder ser utilizada nas beta-hemoglobinopatias.