Publicação
Autoconceito e disrupção escolar dos jovens : conceptualização, avaliação e diferenciação
| Resumo: | A investigação realizada teve como objectivo principal o estudo da relação entre o autoconceito e a disrupção escolar dos jovens estudantes portugueses, atendendo aos efeitos de factores sociodemográficos. Os objectivos do trabalho fizeram sentir a necessidade de adaptação e de elaboração de instrumentos adequados à análise da relação entre o autoconceito e a disrupção escolar nos jovens. Foi criada a Escala de Disrupção Escolar Professada pelos Alunos (EDEP) e a Escala de Disrupção Escolar Inferida pelos Professores (EDEI). Para se proceder à avaliação do autoconceito, foram adoptados dois instrumentos, especificamente o Piers-Harris Children´s self-concept Scale (PHCSCS) e um outro, de natureza mais académica, o Self-concept as a Learner Scale (SCAL). A amostra foi constituída por 915 alunos entre o 7º e o 9º ano de escolaridade, de variadas regiões do país. Os resultados indicaram um autoconceito superior nos alunos com menor disrupção escolar, de nível socioeconómico médio-alto, residentes no Litoral, e do sexo masculino. A disrupção escolar foi menor nos grupos do sexo feminino, do Interior e de nível socioeconómico médio e alto. Embora, numa primeira análise dos resultados, tenha sido encontrada uma diminuição do autoconceito e um aumento da disrupção escolar em função da idade ou do ano de escolaridade, posteriores análises, com o controlo da variável “número de reprovações”, permitiram encontrar a não diferenciação do autoconceito e da disrupção escolar, em função de tais variáveis relativas ao tempo (idade e ano de escolaridade). Foram detectadas correlações, no sentido esperado, do autoconceito e da disrupção escolar com o número de reprovações. O significado dos valores obtidos poderá traduzir um afastamento da perspectiva clássica da adolescência (PCA), sugerindo que, na maioria dos jovens, as especificidades do processo de desenvolvimento psicológico não se reflectem negativamente na generalidade das dimensões do autoconceito ou da disrupção escolar, havendo, no entanto, a possibilidade de algumas destas dimensões da personalidade irem sofrendo a influência de factores adversos (reprovações escolares), o que contribuiria para a formação de um subgrupo de adolescentes com características próprias, estas sim explicáveis pela PCA. Os dados configuram uma nova perspectiva cognitivo-social da adolescência — encarada como uma idade de mudanças equilibradas que requerem apoio familiar e escolar —, em oposição às teorias tradicionais, que conceptualizam a adolescência como um tempo de rebeliões e conflito de gerações. Numa integração da informação obtida, verificou-se, por um lado, que os alunos percepcionados pelos professores como mais disruptivos apresentaram, quando comparados com os menos disruptivos, níveis inferiores de autoconceito e, por outro, que o autoconceito apareceu associado à disrupção professada pelos alunos, ou seja, que os alunos com menor autoconceito se descreveram como mais disruptivos que os alunos com maior autoconceito. A globalidade dos resultados parece abonar a ideia de que os comportamentos disruptivos apresentados pelos alunos no dia-a-dia poderiam ir contribuindo para que se desenvolvessem nos professores percepções negativas acerca desses sujeitos; face a tais percepções, os alunos tenderiam a ver-se a si próprios como menos conceituados, o que os levaria a ser mais disruptivos. Por último, os resultados sugerem a alteração dos contextos que discriminam os alunos pelo grupo de pertença, bem como a realização posteriores estudos, sobretudo longitudinais e de intervenção psico-educacional. |
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| Autores principais: | Veiga, Feliciano Henriques |
| Assunto: | Autoconceito Problemas de comportamento Psicologia da educação Teses de doutoramento - 1991 |
| Ano: | 1991 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A investigação realizada teve como objectivo principal o estudo da relação entre o autoconceito e a disrupção escolar dos jovens estudantes portugueses, atendendo aos efeitos de factores sociodemográficos. Os objectivos do trabalho fizeram sentir a necessidade de adaptação e de elaboração de instrumentos adequados à análise da relação entre o autoconceito e a disrupção escolar nos jovens. Foi criada a Escala de Disrupção Escolar Professada pelos Alunos (EDEP) e a Escala de Disrupção Escolar Inferida pelos Professores (EDEI). Para se proceder à avaliação do autoconceito, foram adoptados dois instrumentos, especificamente o Piers-Harris Children´s self-concept Scale (PHCSCS) e um outro, de natureza mais académica, o Self-concept as a Learner Scale (SCAL). A amostra foi constituída por 915 alunos entre o 7º e o 9º ano de escolaridade, de variadas regiões do país. Os resultados indicaram um autoconceito superior nos alunos com menor disrupção escolar, de nível socioeconómico médio-alto, residentes no Litoral, e do sexo masculino. A disrupção escolar foi menor nos grupos do sexo feminino, do Interior e de nível socioeconómico médio e alto. Embora, numa primeira análise dos resultados, tenha sido encontrada uma diminuição do autoconceito e um aumento da disrupção escolar em função da idade ou do ano de escolaridade, posteriores análises, com o controlo da variável “número de reprovações”, permitiram encontrar a não diferenciação do autoconceito e da disrupção escolar, em função de tais variáveis relativas ao tempo (idade e ano de escolaridade). Foram detectadas correlações, no sentido esperado, do autoconceito e da disrupção escolar com o número de reprovações. O significado dos valores obtidos poderá traduzir um afastamento da perspectiva clássica da adolescência (PCA), sugerindo que, na maioria dos jovens, as especificidades do processo de desenvolvimento psicológico não se reflectem negativamente na generalidade das dimensões do autoconceito ou da disrupção escolar, havendo, no entanto, a possibilidade de algumas destas dimensões da personalidade irem sofrendo a influência de factores adversos (reprovações escolares), o que contribuiria para a formação de um subgrupo de adolescentes com características próprias, estas sim explicáveis pela PCA. Os dados configuram uma nova perspectiva cognitivo-social da adolescência — encarada como uma idade de mudanças equilibradas que requerem apoio familiar e escolar —, em oposição às teorias tradicionais, que conceptualizam a adolescência como um tempo de rebeliões e conflito de gerações. Numa integração da informação obtida, verificou-se, por um lado, que os alunos percepcionados pelos professores como mais disruptivos apresentaram, quando comparados com os menos disruptivos, níveis inferiores de autoconceito e, por outro, que o autoconceito apareceu associado à disrupção professada pelos alunos, ou seja, que os alunos com menor autoconceito se descreveram como mais disruptivos que os alunos com maior autoconceito. A globalidade dos resultados parece abonar a ideia de que os comportamentos disruptivos apresentados pelos alunos no dia-a-dia poderiam ir contribuindo para que se desenvolvessem nos professores percepções negativas acerca desses sujeitos; face a tais percepções, os alunos tenderiam a ver-se a si próprios como menos conceituados, o que os levaria a ser mais disruptivos. Por último, os resultados sugerem a alteração dos contextos que discriminam os alunos pelo grupo de pertença, bem como a realização posteriores estudos, sobretudo longitudinais e de intervenção psico-educacional. |
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