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A resolução bancária como instrumento de Integração Europeia

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Resumo:A União Económica e Monetária Europeia representa um projecto de integração normativa que tem na adesão ao euro por parte de todos os Estados-Membros uma aspiração política consagrada nos Tratados. No entanto, mesmo os ordenamentos jurídico-financeiros dos Estados-Membros que adoptaram o euro não são estruturalmente homogéneos entre si. A crise financeira global de 2007-2014 veio demonstrar a necessidade de dotar as autoridades europeias de instrumentos de gestão de crises capazes de preservar a estabilidade e o bom funcionamento do mercado interno. Considerando o universo de diferenciações prevalecente na União Europeia, discute-se se a resolução bancária representa uma força centrípeta ou centrífuga em termos de integração. Com a presente tese demonstra-se que o regime da resolução bancária, tal como tem vindo a ser aplicado pela União Bancária Europeia, pode contribuir para o processo de integração europeia. Importa avaliar a eficácia do sistema de gestão de crises actualmente implementado a nível europeu, nomeadamente quanto à prossecução de uma partilha real de riscos a nível europeu e de combate à fragmentação entre Estados-Membros. Neste quadro, impõe-se uma análise da actuação do Conselho Único de Resolução, enquanto autoridade de resolução europeia, a fim de esclarecer se o regime de resolução que aplica é eficaz para lidar com situações de crise no sector bancário. Conquanto contribua para uma maior integração europeia, a resolução bancária evidencia, paradoxalmente, em certos aspectos, factores antigos de diferenciação entre os Estados-Membros que urge atenuar, sob pena de se aumentar a fragmentação entre Estados-Membros pertencentes e não pertencentes à área do euro. Deste modo, a presente tese pretende determinar em que medida a resolução bancária, apesar de incorporar um sistema diferenciador, assente no modelo da União Económica e Monetária, representa uma força centrípeta no sentido da integração europeia, que evolui de forma harmonizada e com carácter supranacional.
Autores principais:Botelho, Gustavo Pinto Batista de Sousa
Assunto:Resolução Bancária União Bancária Europeia Integração Europeia Conselho Único de Resolução União Económica e Monetária Bank Resolution European Banking Union European Integration Single Resolution Board European Monetary Union
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A União Económica e Monetária Europeia representa um projecto de integração normativa que tem na adesão ao euro por parte de todos os Estados-Membros uma aspiração política consagrada nos Tratados. No entanto, mesmo os ordenamentos jurídico-financeiros dos Estados-Membros que adoptaram o euro não são estruturalmente homogéneos entre si. A crise financeira global de 2007-2014 veio demonstrar a necessidade de dotar as autoridades europeias de instrumentos de gestão de crises capazes de preservar a estabilidade e o bom funcionamento do mercado interno. Considerando o universo de diferenciações prevalecente na União Europeia, discute-se se a resolução bancária representa uma força centrípeta ou centrífuga em termos de integração. Com a presente tese demonstra-se que o regime da resolução bancária, tal como tem vindo a ser aplicado pela União Bancária Europeia, pode contribuir para o processo de integração europeia. Importa avaliar a eficácia do sistema de gestão de crises actualmente implementado a nível europeu, nomeadamente quanto à prossecução de uma partilha real de riscos a nível europeu e de combate à fragmentação entre Estados-Membros. Neste quadro, impõe-se uma análise da actuação do Conselho Único de Resolução, enquanto autoridade de resolução europeia, a fim de esclarecer se o regime de resolução que aplica é eficaz para lidar com situações de crise no sector bancário. Conquanto contribua para uma maior integração europeia, a resolução bancária evidencia, paradoxalmente, em certos aspectos, factores antigos de diferenciação entre os Estados-Membros que urge atenuar, sob pena de se aumentar a fragmentação entre Estados-Membros pertencentes e não pertencentes à área do euro. Deste modo, a presente tese pretende determinar em que medida a resolução bancária, apesar de incorporar um sistema diferenciador, assente no modelo da União Económica e Monetária, representa uma força centrípeta no sentido da integração europeia, que evolui de forma harmonizada e com carácter supranacional.