Publicação
Impacto do índice de massa corporal em doentes com cancro do pulmão de não pequenas células tratados com imunoterapia anti PD-1
| Resumo: | O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco estabelecidos para várias neoplasias e estão associados a piores outcomes. Embora seja reconhecido o estado de ‘metainflamação’ associado, pouco se conhece sobre o seu impacto na resposta à imunoterapia (IT). Estudos em doentes com melanoma metastático e carcinoma de células renais tratados com IT demonstraram que estes fatores estão associados a maior sobrevivência livre de progressão (SLP) e sobrevivência global (SG). Estudos recentes mostraram uma associação semelhante no cancro do pulmão de não-pequenas células (CPNPC). Este é um estudo de coorte retrospetivo de doentes com CPNPC avançado tratados com pembrolizumab (1ª linha) ou nivolumab (2ª linha), em monoterapia. Os doentes foram categorizados em IMC<25 Kg/m2 e IMC25 Kg/m2, de acordo com as definições da OMS. Foram incluídos 114 doentes, 70,2% do sexo masculino e 37,7% com IMC25 Kg/m2. Os grupos encontravam-se bem balanceados em todas as características, com exceção da existência de menos fumadores ativos (p=0,034), mais tumores com expressão de PD-L150% (p=0,025) e mais doentes dislipidémicos (p=0,047) no grupo com IMC25 Kg/m2. Embora em análise univariada não se tenha verificado nenhuma associação entre o IMC e a SLP (HR=1,029; CI 95% 0,660-1,605; p=0,898) ou SG (HR=1,012; IC 95% 0,638-1,607; p=0,959), em modelo multivariado os doentes com IMC25 Kg/m2 tiveram uma menor SLP (HR=2,180; IC 95% 1,049-4,532; p=0,037) e SG (HR=2,364; IC 95% 1,062-5,263; p=0,035). Curiosamente, verificou-se que a dislipidemia estava associada a maior SLP tanto em análise univariada (HR=0,572; IC 95% 0,355-0,920; p=0,021) como multivariada (HR=0,421; IC 95% 0,206-0,859; p=0,017). Estes resultados diferem dos obtidos noutros estudos, enfatizando a relação complexa entre o excesso de peso, inflamação e imunoterapia. A associação encontrada entre a dislipidemia e a SLP, não descrita noutros estudos, sugere que outros fatores podem ter um papel nesta relação, carecendo de estudos adicionais. |
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| Autores principais: | Bravo, Ana Catarina dos Anjos |
| Assunto: | Imunoterapia Índice de massa corporal Obesidade Cancro do pulmão de não-pequenas células Oncologia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O excesso de peso e a obesidade são fatores de risco estabelecidos para várias neoplasias e estão associados a piores outcomes. Embora seja reconhecido o estado de ‘metainflamação’ associado, pouco se conhece sobre o seu impacto na resposta à imunoterapia (IT). Estudos em doentes com melanoma metastático e carcinoma de células renais tratados com IT demonstraram que estes fatores estão associados a maior sobrevivência livre de progressão (SLP) e sobrevivência global (SG). Estudos recentes mostraram uma associação semelhante no cancro do pulmão de não-pequenas células (CPNPC). Este é um estudo de coorte retrospetivo de doentes com CPNPC avançado tratados com pembrolizumab (1ª linha) ou nivolumab (2ª linha), em monoterapia. Os doentes foram categorizados em IMC<25 Kg/m2 e IMC25 Kg/m2, de acordo com as definições da OMS. Foram incluídos 114 doentes, 70,2% do sexo masculino e 37,7% com IMC25 Kg/m2. Os grupos encontravam-se bem balanceados em todas as características, com exceção da existência de menos fumadores ativos (p=0,034), mais tumores com expressão de PD-L150% (p=0,025) e mais doentes dislipidémicos (p=0,047) no grupo com IMC25 Kg/m2. Embora em análise univariada não se tenha verificado nenhuma associação entre o IMC e a SLP (HR=1,029; CI 95% 0,660-1,605; p=0,898) ou SG (HR=1,012; IC 95% 0,638-1,607; p=0,959), em modelo multivariado os doentes com IMC25 Kg/m2 tiveram uma menor SLP (HR=2,180; IC 95% 1,049-4,532; p=0,037) e SG (HR=2,364; IC 95% 1,062-5,263; p=0,035). Curiosamente, verificou-se que a dislipidemia estava associada a maior SLP tanto em análise univariada (HR=0,572; IC 95% 0,355-0,920; p=0,021) como multivariada (HR=0,421; IC 95% 0,206-0,859; p=0,017). Estes resultados diferem dos obtidos noutros estudos, enfatizando a relação complexa entre o excesso de peso, inflamação e imunoterapia. A associação encontrada entre a dislipidemia e a SLP, não descrita noutros estudos, sugere que outros fatores podem ter um papel nesta relação, carecendo de estudos adicionais. |
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