Publicação
Estudo da ilha de patogenicidade Meningococcal disease associated (MDA) como potencial factor de virulência de Neisseria meningitidis
| Resumo: | O sistema de classificação de meningococos com base em multilocus sequence typing (MLST) evidencia que a grande maioria dos casos de doença meningocócica é causada por um número limitado de estirpes geneticamente relacionadas, designadas por hipervirulentas (HV). As estruturas celulares que promovem a colonização e a doença invasiva existem dispersas na população bacteriana, independentemente da sua capacidade de causar doença. Haverá então características, ainda não completamente compreendidas, que contribuem para a virulência de algumas estirpes de meningococos. A razão para uma maior virulência de algumas estirpes começou recentemente a ser melhor compreendida com os estudos de Bille (2005), a partir da sequenciação do genoma completo de estirpes invasivas de Neisseria meningitidis. Identificaram um novo profago da família de bacteriófagos filamentosos (M13-like) integrado no cromossoma bacteriano e especificamente presente em estirpes hipervirulentas, uma ilha de patogenicidade com 8-kb a que chamaram MDA (Meningococcal Disease-Associated). Existem múltiplos sítios de inserção no cromossoma e múltiplas cópias do fago no genoma. O papel do profago, nomeadamente a sua relação com a célula hospedeira, continua por ser compreendida. Neste trabalho estudou-se um conjunto de 170 estirpes invasivas e oito estirpes respiratórias de Neisseria meningitidis da colecção do laboratório nacional de referência (LNR) de Neisseria meningitidis do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, fazendo a pesquisa da presença da ilha MDA por PCR e estimando o número de cópias da ilha em estirpes de diferentes complexos clonais. Os resultados obtidos mostraram uma relação entre as estirpes pertencentes a complexos clonais HV e a presença da ilha MDA. Esta relação não foi evidente em estirpes de complexos clonais não HV, já que metade destes apresentava ilha e a outra metade não apresentava. O número de cópias da ilha MDA foi estimado pela razão normalizada entre o cycle threshold (CT) obtido na reacção de PCR em tempo real usada para amplificação de uma região do DNA fágico (região C) e o CT obtido na reacção de PCR em tempo real usado para amplificação de um gene housekeeping (o gene abcZ). Estimou-se que as estirpes dos complexos clonais ST-8 e ST-11 têm um maior número de cópias do que as restantes. Iniciou-se a técnica de Southern blot para a determinação exacta do número de cópias de DNA fágico presente no genoma bacteriano. Contudo, esta técnica exige ser optimizada para se obterem resultados conclusivos. Uma vez que as estirpes dos complexos clonais ST-8 e ST-11 são reconhecidamente as que têm uma maior capacidade de invasão depois do contágio, isto é, são as mais virulentas, o trabalho realizado indicia uma relação entre o número de cópias da ilha genómica MDA e a virulência de meningococos. |
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| Autores principais: | Mourão, Dora Sofia da Silva, 1988- |
| Assunto: | Virulência Bacteriologia Microbiologia molecular Teses de mestrado - 2012 |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O sistema de classificação de meningococos com base em multilocus sequence typing (MLST) evidencia que a grande maioria dos casos de doença meningocócica é causada por um número limitado de estirpes geneticamente relacionadas, designadas por hipervirulentas (HV). As estruturas celulares que promovem a colonização e a doença invasiva existem dispersas na população bacteriana, independentemente da sua capacidade de causar doença. Haverá então características, ainda não completamente compreendidas, que contribuem para a virulência de algumas estirpes de meningococos. A razão para uma maior virulência de algumas estirpes começou recentemente a ser melhor compreendida com os estudos de Bille (2005), a partir da sequenciação do genoma completo de estirpes invasivas de Neisseria meningitidis. Identificaram um novo profago da família de bacteriófagos filamentosos (M13-like) integrado no cromossoma bacteriano e especificamente presente em estirpes hipervirulentas, uma ilha de patogenicidade com 8-kb a que chamaram MDA (Meningococcal Disease-Associated). Existem múltiplos sítios de inserção no cromossoma e múltiplas cópias do fago no genoma. O papel do profago, nomeadamente a sua relação com a célula hospedeira, continua por ser compreendida. Neste trabalho estudou-se um conjunto de 170 estirpes invasivas e oito estirpes respiratórias de Neisseria meningitidis da colecção do laboratório nacional de referência (LNR) de Neisseria meningitidis do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, fazendo a pesquisa da presença da ilha MDA por PCR e estimando o número de cópias da ilha em estirpes de diferentes complexos clonais. Os resultados obtidos mostraram uma relação entre as estirpes pertencentes a complexos clonais HV e a presença da ilha MDA. Esta relação não foi evidente em estirpes de complexos clonais não HV, já que metade destes apresentava ilha e a outra metade não apresentava. O número de cópias da ilha MDA foi estimado pela razão normalizada entre o cycle threshold (CT) obtido na reacção de PCR em tempo real usada para amplificação de uma região do DNA fágico (região C) e o CT obtido na reacção de PCR em tempo real usado para amplificação de um gene housekeeping (o gene abcZ). Estimou-se que as estirpes dos complexos clonais ST-8 e ST-11 têm um maior número de cópias do que as restantes. Iniciou-se a técnica de Southern blot para a determinação exacta do número de cópias de DNA fágico presente no genoma bacteriano. Contudo, esta técnica exige ser optimizada para se obterem resultados conclusivos. Uma vez que as estirpes dos complexos clonais ST-8 e ST-11 são reconhecidamente as que têm uma maior capacidade de invasão depois do contágio, isto é, são as mais virulentas, o trabalho realizado indicia uma relação entre o número de cópias da ilha genómica MDA e a virulência de meningococos. |
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