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O enoturismo em Portugal : da "cultura" do vinho ao vinho como cultura : a oferta enoturística nacional e as suas implicações no desenvolvimento local e regional
| Resumo: | O Enoturismo é um fenómeno característico de Modernidade, com uma dupla valência e significado: constitui-se como uma actividade turística complementar à oferta turística nacional, predominantemente balnear. Encerra produtos turísticos onde o interesse pelo conhecimento do vinho e da vinha nas suas dimensões material, cultural e gastronómica, ou seja, simbólica, se materializam. Pode revelar-se uma actividade complementar da actividade rural e agrícola vitivinícola, ou motor de outras actividades tradicionais, seguindo uma lógica de pluriactividade (Covas; Cavaco) essencial aos agentes que em meio rural equacionam a sustentabilidade dos seus negócios. Mundialmente esta bivalência é reconhecida. Os casos de benchmarking que retratam os principais países europeus onde a actividade se desenvolve: França, Itália e Espanha confirmam este cenário. No Novo Mundo , ainda que repleto de especificidades e diferenças quando comparado com as realidades e escala europeia, possui o mesmo sentido de dupla valência. Em Portugal, esta actividade encontra-se ainda na sua primeira idade. Assume-se que a passagem do rural a produto turístico implica a eleição de alguns traços de ruralidade que se transformam em bandeiras do Destino Enoturístico , numa lógica de (re)constitução social desta realidade. Este fenómeno é visível quando se analisa a imprensa especializada, em boa parte responsável por este processo de transformação/criação da imagem do rural, inscrevendo-se um Novo rural. A valorização do passado, das tradições e do familiar são bivalentes: para os visitantes significam os argumentos que tornam o destino atractivo; para os agentes locais tornam-se num contributo que lhes permite a valorização e confirmação identitária há muito aspirada. No conjunto interferem na forma de organização e valorização do espaço: o agrícola, tornado rural, transforma-se agora em turístico, numa valorização endógena e exógena destes espaços e dos seus actores. A opção de análise à escala regional permite melhor retratar as suas especificidades, tendo-se optado pelas regiões do Minho, Douro, Alentejo e Setúbal. Considera-se que o Enoturismo é de particular relevância para estas regiões, não tanto pelos postos de trabalho que implica ou pelos lucros gerados, mas pelos processos de interiorização do prestígio e do valor que o trabalho da arte de fabricar o vinho induz. Esta imagem de um rural interessante para quem visita e prestigiante para quem nele participa podem constituir uma vantagem para o universo agrícola, como alavanca de algumas dinâmicas locais necessárias à sua perpetuação e fixação de populações neste meio. A proposta que é feita é, em certa medida, a comercialização do espaço rural, das suas paisagens, produtos, culturas, agentes, ou seja, do passado e do presente, de forma a garantir-lhes um futuro. |
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| Autores principais: | Vaz, Ana Isabel Inácio Gomes da Silva Lopes, 1974- |
| Assunto: | Enoturismo Vinhos Desenvolvimento económico e social Vitivinicultura Economia do turismo Teses de doutoramento |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O Enoturismo é um fenómeno característico de Modernidade, com uma dupla valência e significado: constitui-se como uma actividade turística complementar à oferta turística nacional, predominantemente balnear. Encerra produtos turísticos onde o interesse pelo conhecimento do vinho e da vinha nas suas dimensões material, cultural e gastronómica, ou seja, simbólica, se materializam. Pode revelar-se uma actividade complementar da actividade rural e agrícola vitivinícola, ou motor de outras actividades tradicionais, seguindo uma lógica de pluriactividade (Covas; Cavaco) essencial aos agentes que em meio rural equacionam a sustentabilidade dos seus negócios. Mundialmente esta bivalência é reconhecida. Os casos de benchmarking que retratam os principais países europeus onde a actividade se desenvolve: França, Itália e Espanha confirmam este cenário. No Novo Mundo , ainda que repleto de especificidades e diferenças quando comparado com as realidades e escala europeia, possui o mesmo sentido de dupla valência. Em Portugal, esta actividade encontra-se ainda na sua primeira idade. Assume-se que a passagem do rural a produto turístico implica a eleição de alguns traços de ruralidade que se transformam em bandeiras do Destino Enoturístico , numa lógica de (re)constitução social desta realidade. Este fenómeno é visível quando se analisa a imprensa especializada, em boa parte responsável por este processo de transformação/criação da imagem do rural, inscrevendo-se um Novo rural. A valorização do passado, das tradições e do familiar são bivalentes: para os visitantes significam os argumentos que tornam o destino atractivo; para os agentes locais tornam-se num contributo que lhes permite a valorização e confirmação identitária há muito aspirada. No conjunto interferem na forma de organização e valorização do espaço: o agrícola, tornado rural, transforma-se agora em turístico, numa valorização endógena e exógena destes espaços e dos seus actores. A opção de análise à escala regional permite melhor retratar as suas especificidades, tendo-se optado pelas regiões do Minho, Douro, Alentejo e Setúbal. Considera-se que o Enoturismo é de particular relevância para estas regiões, não tanto pelos postos de trabalho que implica ou pelos lucros gerados, mas pelos processos de interiorização do prestígio e do valor que o trabalho da arte de fabricar o vinho induz. Esta imagem de um rural interessante para quem visita e prestigiante para quem nele participa podem constituir uma vantagem para o universo agrícola, como alavanca de algumas dinâmicas locais necessárias à sua perpetuação e fixação de populações neste meio. A proposta que é feita é, em certa medida, a comercialização do espaço rural, das suas paisagens, produtos, culturas, agentes, ou seja, do passado e do presente, de forma a garantir-lhes um futuro. |
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