Publicação
Homeostasia do ferro em doentes com asma
| Resumo: | Até ao momento, vários estudos sugerem uma relação entre os níveis de ferro, a sua regulação, a patogénese e a gravidade da asma. No entanto, não foi possível estabelecer ainda, com significância, uma relação de causalidade entre a homeostasia do ferro e o seu papel na fisiopatologia da asma, podendo a alteração dos níveis de ferro ser uma consequência da inflamação crónica inerente à própria doença. O objetivo deste estudo foi avaliar a existência de uma correlação entre a asma grave e a anemia ferropénica. Foi efetuado um estudo clínico observacional retrospetivo, com base em dados de doentes com diagnóstico de asma grave seguidos no Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte até 2019, avaliando-se parâmetros laboratoriais, como hemograma e estudo do metabolismo do ferro. Foram igualmente recolhidos dados referentes a variáveis demográficas, tratamento com corticoterapia sistémica e resultados de questionários de avaliação do controlo da asma (ACT e CARAT). Dos 79 doentes com asma grave seguidos no Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e com estudo do metabolismo do ferro, 2 doentes tinham ferropénia absoluta sem anemia (2,53%), 16 doentes tinham anemia (20,3%), dos quais apenas 7 tinham anemia ferropénica (8,9%). Segundo um estudo publicado em 2016, a prevalência de anemia em Portugal foi de 19,9%, sendo a prevalência de anemia ferropénica variável entre 5,8% e 18,4%, dependendo do valor de referência de ferritina utilizado. Concluindo, não foi possível estabelecer uma relação significativa de causalidade entre a asma grave e a anemia, sendo ela ferropénica ou de outra etiologia. Analisando os resultados deste estudo, pode ser colocada a hipótese do mau controlo da asma grave favorecer o desenvolvimento de anemia ou anemia ferropénica. Não foi possível, no entanto, inferir se a toma de corticosteroides sistémicos poderá favorecer o desenvolvimento de anemia ferropénica. |
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| Autores principais: | Ferreira, Pedro Afonso Brás Correia Botelho |
| Assunto: | Anemia ferropénica Asma grave Controlo/gravidade da asma Corticosteroides sistémicos Homeostasia do ferro Imunoalergologia |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Até ao momento, vários estudos sugerem uma relação entre os níveis de ferro, a sua regulação, a patogénese e a gravidade da asma. No entanto, não foi possível estabelecer ainda, com significância, uma relação de causalidade entre a homeostasia do ferro e o seu papel na fisiopatologia da asma, podendo a alteração dos níveis de ferro ser uma consequência da inflamação crónica inerente à própria doença. O objetivo deste estudo foi avaliar a existência de uma correlação entre a asma grave e a anemia ferropénica. Foi efetuado um estudo clínico observacional retrospetivo, com base em dados de doentes com diagnóstico de asma grave seguidos no Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte até 2019, avaliando-se parâmetros laboratoriais, como hemograma e estudo do metabolismo do ferro. Foram igualmente recolhidos dados referentes a variáveis demográficas, tratamento com corticoterapia sistémica e resultados de questionários de avaliação do controlo da asma (ACT e CARAT). Dos 79 doentes com asma grave seguidos no Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e com estudo do metabolismo do ferro, 2 doentes tinham ferropénia absoluta sem anemia (2,53%), 16 doentes tinham anemia (20,3%), dos quais apenas 7 tinham anemia ferropénica (8,9%). Segundo um estudo publicado em 2016, a prevalência de anemia em Portugal foi de 19,9%, sendo a prevalência de anemia ferropénica variável entre 5,8% e 18,4%, dependendo do valor de referência de ferritina utilizado. Concluindo, não foi possível estabelecer uma relação significativa de causalidade entre a asma grave e a anemia, sendo ela ferropénica ou de outra etiologia. Analisando os resultados deste estudo, pode ser colocada a hipótese do mau controlo da asma grave favorecer o desenvolvimento de anemia ou anemia ferropénica. Não foi possível, no entanto, inferir se a toma de corticosteroides sistémicos poderá favorecer o desenvolvimento de anemia ferropénica. |
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