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Helicobacter spp. e gastrite crónica em canídeos e felídeos

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Resumo:Em clínica de animais de companhia, uma das doenças mais frequentemente encontradas é a gastrite idiopática, uma situação frustrante tanto para o clínico como para os proprietários. No Homem, a bactéria Helicobacter pylori tem recebido muita atenção pela sua capacidade oncogénica e existe a possibilidade de algumas espécies, nomeadamente “H. heilmannii”, H. salomonis, H. felis, H. bizzozeronii, e H. bilis, terem algum poder patogénico em animais de companhia. A finalidade do estudo desenvolvido ao longo do estágio foi de estabelecer a prevalência de várias espécies de Helicobacter numa população Portuguesa típica de animais de companhia, e de procurar eventuais relações entre estado de colonização e patologia gástrica. Num total de 103 animais (56 canídeos, 47 felídeos) foram determinadas, com recurso a técnicas de PCR, prevalências de 37,5%/48,9% para H. spp., 28,6%/34% para H. bizzozeronii e 17,9%/48,9% para “H. heilmannii” em cães e gatos respectivamente. H. pylori foi identificado num único gato (2,1%); H. salomonis e H. felis foram identificados exclusivamente em cães, com prevalências de 10,7% e 7,1%, respectivamente. H. bilis não foi identificado em qualquer animal. Em 19 das amostras fecais testadas (14 de origem canina e cinco de origem felina) 50% dos cães e 60% dos gatos acusaram a presença de H. spp, sendo apenas possível identificar, a nível de espécie, H. felis e H. bizzozeronii em amostras de dois cães. Foi identificada uma relação entre sintomatologia gástrica e colonização por “H. heilmannii” nos gatos, enquanto nos cães se determinou uma relação entre colonização por H. bizzozeronii e a presença de alterações inflamatórias na mucosa gástrica. A utilização de esfregaços da mucosa gástrica permitiu avaliar mais adequadamente o estado de colonização dos animais do que a observação de espiroquetas em cortes histológicos. Este estudo demonstra a presença de Helicobacter spp. numa população Portuguesa típica e sugere uma potencial relação entre Helicobacter spp. e gastrite crónica em animais de companhia, especialmente em gatos. A informação sobre presença de espécies de Helicobacter e respectivas prevalências poderá contribuir para uma decisão mais fundamentada sobre a prescrição de antibioterapia específica para Helicobacter em pacientes apresentados à consulta com sinais gastrointestinais e um diagnóstico de gastrite idiopática.
Autores principais:Teixeira, Rute Saraiva Canejo dos Santos Rodrigues
Assunto:Helicobacter Gastrite crónica Prevalência Histopatologia PCR Esfregaço Brush cytology Chronic gastritis Prevalence Histopathology
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:trabalho de fim de curso
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em clínica de animais de companhia, uma das doenças mais frequentemente encontradas é a gastrite idiopática, uma situação frustrante tanto para o clínico como para os proprietários. No Homem, a bactéria Helicobacter pylori tem recebido muita atenção pela sua capacidade oncogénica e existe a possibilidade de algumas espécies, nomeadamente “H. heilmannii”, H. salomonis, H. felis, H. bizzozeronii, e H. bilis, terem algum poder patogénico em animais de companhia. A finalidade do estudo desenvolvido ao longo do estágio foi de estabelecer a prevalência de várias espécies de Helicobacter numa população Portuguesa típica de animais de companhia, e de procurar eventuais relações entre estado de colonização e patologia gástrica. Num total de 103 animais (56 canídeos, 47 felídeos) foram determinadas, com recurso a técnicas de PCR, prevalências de 37,5%/48,9% para H. spp., 28,6%/34% para H. bizzozeronii e 17,9%/48,9% para “H. heilmannii” em cães e gatos respectivamente. H. pylori foi identificado num único gato (2,1%); H. salomonis e H. felis foram identificados exclusivamente em cães, com prevalências de 10,7% e 7,1%, respectivamente. H. bilis não foi identificado em qualquer animal. Em 19 das amostras fecais testadas (14 de origem canina e cinco de origem felina) 50% dos cães e 60% dos gatos acusaram a presença de H. spp, sendo apenas possível identificar, a nível de espécie, H. felis e H. bizzozeronii em amostras de dois cães. Foi identificada uma relação entre sintomatologia gástrica e colonização por “H. heilmannii” nos gatos, enquanto nos cães se determinou uma relação entre colonização por H. bizzozeronii e a presença de alterações inflamatórias na mucosa gástrica. A utilização de esfregaços da mucosa gástrica permitiu avaliar mais adequadamente o estado de colonização dos animais do que a observação de espiroquetas em cortes histológicos. Este estudo demonstra a presença de Helicobacter spp. numa população Portuguesa típica e sugere uma potencial relação entre Helicobacter spp. e gastrite crónica em animais de companhia, especialmente em gatos. A informação sobre presença de espécies de Helicobacter e respectivas prevalências poderá contribuir para uma decisão mais fundamentada sobre a prescrição de antibioterapia específica para Helicobacter em pacientes apresentados à consulta com sinais gastrointestinais e um diagnóstico de gastrite idiopática.