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Aquisição da flexão de número no desenvolvimento morfológico do Português Europeu

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Resumo:O presente estudo procura contribuir para o debate, no domínio da psicolinguística, em torno da origem do conhecimento linguístico e da natureza das representações e processos sobre os quais assentam as produções linguísticas infantis. A questão em análise é se o desenvolvimento do conhecimento da morfologia de flexão em termos de número, se baseia em categorias e regras gramaticais abstractas, i.e., se se encontram simbolicamente representadas, ou se a aprendizagem de padrões de associação é mais adequada à explicação dos dados de aquisição, procurando-se estender a discussão deste estudo aos pressupostos de uma perspectiva de tradição racionalista, em contraposição com uma abordagem de cariz construtivista. Utilizando tarefas de natureza experimental, explorou-se o conhecimento da flexão de número ao nível do nome, comparando o padrão e ritmo de aquisição e desenvolvimento das diferentes regras identificadas pela linguística portuguesa, em tarefas com palavras reais e com pseudo-palavras. Procurou-se ainda analisar o conhecimento das regras de concordância morfo-sintáctica entre vários elementos da frase e explorou-se a compreensão do contraste nominal singular/plural. No trabalho experimental encontrara-se diferenças na aquisição e facilidade de domínio dos diversos paradigmas de pluralização, sugerindo a influência de factores como a possibilidade de segmentação, a frequência das regularidades, a consistência com que surgem no input linguístico e a distância perceptiva entre a terminação fonológica da forma singular ao significante do monema do plural. Os erros de sobrerregularização observados e a natureza das respostas na tarefa de pseudo-palavras, parecem sugerir que durante algum tempo o único padrão sistemático extraído do input linguístico corresponde ao conjunto de alternâncias mais frequentes, produtivas e segmentáveis, o acrescentar ou retirar /-s/. As restantes, com palavras reais, evidenciaram um padrão de aquisição progressivo e gradual que, em algumas categorias do nome, não parece alcançar um domínio produtivo. Termina-se discutindo que aspectos dos dados parecem vir de encontro a cada um dos modelos teóricos apresentados, quer no domínio da aquisição da morfologia de flexão, quer em termos de pressupostos gerais sobre a aquisição linguística, propondo-se a continuação do trabalho empírico por forma a esclarecer questões que os presentes resultados não permitiram clarificar.
Autores principais:Silva, Isabel Maria Cabrita de Araújo Leite dos Santos, 1973-
Assunto:Teses de mestrado - 2002 Produções linguísticas infantis Flexão de número Língua portuguesa Psicolinguística
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O presente estudo procura contribuir para o debate, no domínio da psicolinguística, em torno da origem do conhecimento linguístico e da natureza das representações e processos sobre os quais assentam as produções linguísticas infantis. A questão em análise é se o desenvolvimento do conhecimento da morfologia de flexão em termos de número, se baseia em categorias e regras gramaticais abstractas, i.e., se se encontram simbolicamente representadas, ou se a aprendizagem de padrões de associação é mais adequada à explicação dos dados de aquisição, procurando-se estender a discussão deste estudo aos pressupostos de uma perspectiva de tradição racionalista, em contraposição com uma abordagem de cariz construtivista. Utilizando tarefas de natureza experimental, explorou-se o conhecimento da flexão de número ao nível do nome, comparando o padrão e ritmo de aquisição e desenvolvimento das diferentes regras identificadas pela linguística portuguesa, em tarefas com palavras reais e com pseudo-palavras. Procurou-se ainda analisar o conhecimento das regras de concordância morfo-sintáctica entre vários elementos da frase e explorou-se a compreensão do contraste nominal singular/plural. No trabalho experimental encontrara-se diferenças na aquisição e facilidade de domínio dos diversos paradigmas de pluralização, sugerindo a influência de factores como a possibilidade de segmentação, a frequência das regularidades, a consistência com que surgem no input linguístico e a distância perceptiva entre a terminação fonológica da forma singular ao significante do monema do plural. Os erros de sobrerregularização observados e a natureza das respostas na tarefa de pseudo-palavras, parecem sugerir que durante algum tempo o único padrão sistemático extraído do input linguístico corresponde ao conjunto de alternâncias mais frequentes, produtivas e segmentáveis, o acrescentar ou retirar /-s/. As restantes, com palavras reais, evidenciaram um padrão de aquisição progressivo e gradual que, em algumas categorias do nome, não parece alcançar um domínio produtivo. Termina-se discutindo que aspectos dos dados parecem vir de encontro a cada um dos modelos teóricos apresentados, quer no domínio da aquisição da morfologia de flexão, quer em termos de pressupostos gerais sobre a aquisição linguística, propondo-se a continuação do trabalho empírico por forma a esclarecer questões que os presentes resultados não permitiram clarificar.