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Caracterização de iridovírus isolados de anfíbios do Parque Natural da Peneda-Gerês

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Resumo:O género Ranavirus é um dos principais envolvidos em episódios de alta mortalidade em explorações de aquacultura e nos casos de mortalidade espontânea em massa de anfíbios selvagens, tendo causado declínio de populações nativas de rãs, sapos e salamandras, em vários pontos do planeta. Tem sido reconhecida a importância do estudo e caracterização destes vírus, com o propósito de compreender melhor estes surtos infecciosos e poder contribuir para a diminuição da incidência de doenças provocadas pelos mesmos, minimizando assim problemas ecológicos e problemas económicos especialmente quando estes surtos atingem espécies de valor comercial como as espécies de aquacultura. O presente trabalho teve como objectivo proceder à caracterização geral de iridovírus isolados de duas espécies de tritões (Triturus marmuratus e Triturus boscai) do Parque Natural da Peneda-Gerês, por comparação com um outro vírus isolado de um réptil (Lacerta monticula) da Serra da Estrela e com o vírus protótipo desta família, o Frog vírus 3 (FV-3). As condições de propagação e produção dos isolados virais em estudo foram optimizadas conseguindo-se a implementação da replicação destes vírus em células VERO cultivadas num meio independente de CO2. Nestas condições laboratoriais foram efectuadas cinéticas de replicação destes vírus, que permitiram agrupar os vírus em estudo. Os vírus isolados de tritões constituíram um grupo com cinéticas sobreponíveis, distintas das do FV3 e do vírus isolado da L. monticola, ambos com cinéticas semelhantes. Sequenciaram-se produtos de PCR correspondentes a regiões conservadas (sequências parciais das regiões MCP e Pol) obtendo-se uma total identidade entre as sequências dos isolados dos tritões, e uma identidade elevada com sequências publicadas de numerosos isolados do género Ranavirus, entre elas as do FV3 e do vírus isolado da L. monticula, relativamente às quais apresentaram identidades de 98%. Foi ainda possível identificar estes isolados como pertencentes ao género Ranavirus pelo efeito citopático (CPE) típico produzido em culturas celulares e pelo padrão de metilação do DNA viral. De todos os métodos testados, a abordagem mais eficaz para distinguir os diferentes isolados foi a análise electroforética das proteínas dos virões destes isolados, em que se observaram padrões semelhantes, mas não idênticos. No entanto, o elevado grau de semelhança corrobora os resultados obtidos com a análise dos genomas destes vírus.
Autores principais:Dinis, Ana Mafalda Rodrigues, 1966-
Assunto:Iridovírus Proteínas Anfíbios Aquacultura Parque Natural da Peneda-Gerês Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O género Ranavirus é um dos principais envolvidos em episódios de alta mortalidade em explorações de aquacultura e nos casos de mortalidade espontânea em massa de anfíbios selvagens, tendo causado declínio de populações nativas de rãs, sapos e salamandras, em vários pontos do planeta. Tem sido reconhecida a importância do estudo e caracterização destes vírus, com o propósito de compreender melhor estes surtos infecciosos e poder contribuir para a diminuição da incidência de doenças provocadas pelos mesmos, minimizando assim problemas ecológicos e problemas económicos especialmente quando estes surtos atingem espécies de valor comercial como as espécies de aquacultura. O presente trabalho teve como objectivo proceder à caracterização geral de iridovírus isolados de duas espécies de tritões (Triturus marmuratus e Triturus boscai) do Parque Natural da Peneda-Gerês, por comparação com um outro vírus isolado de um réptil (Lacerta monticula) da Serra da Estrela e com o vírus protótipo desta família, o Frog vírus 3 (FV-3). As condições de propagação e produção dos isolados virais em estudo foram optimizadas conseguindo-se a implementação da replicação destes vírus em células VERO cultivadas num meio independente de CO2. Nestas condições laboratoriais foram efectuadas cinéticas de replicação destes vírus, que permitiram agrupar os vírus em estudo. Os vírus isolados de tritões constituíram um grupo com cinéticas sobreponíveis, distintas das do FV3 e do vírus isolado da L. monticola, ambos com cinéticas semelhantes. Sequenciaram-se produtos de PCR correspondentes a regiões conservadas (sequências parciais das regiões MCP e Pol) obtendo-se uma total identidade entre as sequências dos isolados dos tritões, e uma identidade elevada com sequências publicadas de numerosos isolados do género Ranavirus, entre elas as do FV3 e do vírus isolado da L. monticula, relativamente às quais apresentaram identidades de 98%. Foi ainda possível identificar estes isolados como pertencentes ao género Ranavirus pelo efeito citopático (CPE) típico produzido em culturas celulares e pelo padrão de metilação do DNA viral. De todos os métodos testados, a abordagem mais eficaz para distinguir os diferentes isolados foi a análise electroforética das proteínas dos virões destes isolados, em que se observaram padrões semelhantes, mas não idênticos. No entanto, o elevado grau de semelhança corrobora os resultados obtidos com a análise dos genomas destes vírus.