Publicação
O processo de construção de cuidados enfermeiro/pessoa em fim de vida : encontro de corpos
| Resumo: | É cada vez mais consensual que a singularidade da pessoa dita necessidades em cuidados de enfermagem, as quais exigem respostas diferenciadas e complexas. Perante uma pessoa em fim de vida, as intervenções revestem-se de tal peculiaridade que se tornou para mim imperioso compreender como se constroem esses cuidados, numa época em que cada vez mais as pessoas morrem no hospital. Nessa perspectiva, tive como questão orientadora: “Como é que o enfermeiro e a pessoa em fim de vida constroem o processo de cuidados, num serviço de internamento de um hospital de agudos?”. Para tal, realizei um estudo de natureza indutiva, recorrendo à metodologia grounded theory, com o intuito de compreender a natureza e o processo de interacção enfermeiro/pessoa em fim de vida; identificar as intervenções terapêuticas dos enfermeiros na interacção/partilha de corpos; e contribuir para o desenvolvimento de uma teoria de médio alcance. A amostragem foi teórica. Recorri à observação não participante e às entrevistas narrativas (realizadas aos enfermeiros, doentes e familiares) como técnicas de colheita de dados, os quais foram analisados pelo método de comparações constantes, utilizando o programa informático NVivo 7. Na análise dos dados destacou-se como categoria central: “O processo de construção de cuidados enfermeiro/pessoa em fim de vida: encontro de corpos”. Contribuem para esta categoria central os conceitos: “Processo de avaliação das vivências no corpo transformado” e o “Processo de intervenção terapêutica dos enfermeiros na interacção/partilha de corpos”. Por sua vez estes conceitos vão ganhando características diferentes à medida que o Processo de construção de cuidados evolui através das seguintes fases: “Acolhimento da pessoa e família: o início da interacção”; Co-construção dos cuidados em sintonia” e “O(s) último(s) encontro(s): o fim da interacção”. Como características gerais da globalidade deste processo conclui-se que a interacção se vai fortalecendo, através do aprofundamento das suas características profissionais, nomeadamente a intencionalidade das intervenções. As potencialidades terapêuticas destas intervenções tinham em conta as condições contextuais, a empatia, a cumplicidade e a confiança, sendo um processo coconstruído e prolongado no tempo. O tempo era uma dimensão importante: a doente e o enfermeiro iam interiorizando a vivência da doença, contribuindo para o desenvolvimento pessoal de ambos e, concomitantemente para o processo de desenvolvimento profissional. O desenvolvimento pessoal e profissional do enfermeiro iam-se reflectindo na forma como geria as dificuldades inerentes ao contexto e às dificuldades na interacção enfermeiro/doente/família. |
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| Autores principais: | Frias, Cidália de Fátima Cabral de, 1965- |
| Assunto: | Cuidados de enfermagem Interaccao enfermeiro-doente Cuidados a doentes terminais Fim de vida Teses de doutoramento - 2010 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | É cada vez mais consensual que a singularidade da pessoa dita necessidades em cuidados de enfermagem, as quais exigem respostas diferenciadas e complexas. Perante uma pessoa em fim de vida, as intervenções revestem-se de tal peculiaridade que se tornou para mim imperioso compreender como se constroem esses cuidados, numa época em que cada vez mais as pessoas morrem no hospital. Nessa perspectiva, tive como questão orientadora: “Como é que o enfermeiro e a pessoa em fim de vida constroem o processo de cuidados, num serviço de internamento de um hospital de agudos?”. Para tal, realizei um estudo de natureza indutiva, recorrendo à metodologia grounded theory, com o intuito de compreender a natureza e o processo de interacção enfermeiro/pessoa em fim de vida; identificar as intervenções terapêuticas dos enfermeiros na interacção/partilha de corpos; e contribuir para o desenvolvimento de uma teoria de médio alcance. A amostragem foi teórica. Recorri à observação não participante e às entrevistas narrativas (realizadas aos enfermeiros, doentes e familiares) como técnicas de colheita de dados, os quais foram analisados pelo método de comparações constantes, utilizando o programa informático NVivo 7. Na análise dos dados destacou-se como categoria central: “O processo de construção de cuidados enfermeiro/pessoa em fim de vida: encontro de corpos”. Contribuem para esta categoria central os conceitos: “Processo de avaliação das vivências no corpo transformado” e o “Processo de intervenção terapêutica dos enfermeiros na interacção/partilha de corpos”. Por sua vez estes conceitos vão ganhando características diferentes à medida que o Processo de construção de cuidados evolui através das seguintes fases: “Acolhimento da pessoa e família: o início da interacção”; Co-construção dos cuidados em sintonia” e “O(s) último(s) encontro(s): o fim da interacção”. Como características gerais da globalidade deste processo conclui-se que a interacção se vai fortalecendo, através do aprofundamento das suas características profissionais, nomeadamente a intencionalidade das intervenções. As potencialidades terapêuticas destas intervenções tinham em conta as condições contextuais, a empatia, a cumplicidade e a confiança, sendo um processo coconstruído e prolongado no tempo. O tempo era uma dimensão importante: a doente e o enfermeiro iam interiorizando a vivência da doença, contribuindo para o desenvolvimento pessoal de ambos e, concomitantemente para o processo de desenvolvimento profissional. O desenvolvimento pessoal e profissional do enfermeiro iam-se reflectindo na forma como geria as dificuldades inerentes ao contexto e às dificuldades na interacção enfermeiro/doente/família. |
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