Publicação

A água e a Metamorfose da Paisagem

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As cidades nascem e, por vezes, morrem. Também a arquitectura está condenada à acção do tempo e às vontades humanas. Contudo, durante o seu tempo de vida, tanto a cidade como a arquitectura fornecem aos seus utilizadores uma espécie de palco, para que os mesmos, emersos num qualquer panorama cultural, possam desempenhar os seus papéis. O lugar que habitamos demonstra, assim, quem nós, de certa maneira, somos – ou aparentamos ser. Ao longo da sua vida, a cidade, como palco, permitirá diversas metamorfoses físicas e sociais. Todas as metamorfoses diferem conforme a época. Todas são o reflexo de uma qualquer alteração de valores ou pretensões que procuram alcançar um estado ideal e perpétuo de cidade e cidadania. Assim, a sua forma não é imutável, e os seus usos adequam-se às necessidades. E, como representação simbólica de uma sociedade, a cidade é, por norma, o primeiro palco de uma qualquer manifestação cultural. Contudo, é possível observar que na actual sociedade, onde a cultura mercantil exerce a sua massiva dominância, isenta os habitantes de qualquer tipo de apreciação estética e artística da vida, inclusive da própria Natureza. Este trabalho procurará promover a Cultura através do estudo e revisão da memória associadas às revoluções culturais que surgem no final do século XIX - a Arte Nova - e nos anos 60 do século XX - a Contracultura. Tais revoluções caracterizam-se por uma reacção a um determinado modelo de vida que, justificadamente, não se considerava ser o mais benéfico para o desenvolvimento saudável da espécie, inclusive por razões ambientais. Acredita-se que carecemos, enquanto cidadãos, de uma idêntica reacção baseada nomeadamente em valores artísticos, culturais e ambientais que, neste caso, será explorada através dos palcos já referidos - a cidade e a arquitectura. Após uma reflexão teórica do papel da arte e da cultura no panorama arquitectónico das cidades e dos seus respectivos habitantes, estabelecer-se-á uma promenade na cidade de Santarém, que vise promover a cultura e o ambiente no espaço público. Através da concepção de novos largos e fontes onde seja possível concretizar uma série de eventos culturais, procurar-se-á, deste modo, atribuir espaços que permitam acolher os respectivos eventos no espaço público da cidade. A promenade cultural na cidade de Santarém finalizar-se-á num espaço singular alusivo à cultura e à Natureza, num lugar importante na memória da cidade - o Jardim das Portas do Sol, na colina da antiga Alcáçova. O Projecto estabelecerá, portanto, um novo sentido a um espaço que tem vindo a perder o seu valor simbólico. O espaço será devidamente hierarquizado pelo Templo de Santa Iria, pelo Pavilhão Rosa Damasceno e assim como pelos restantes elementos que o estruturam, permitirá albergar variados eventos e outras actividades ao longo do ano para o usufruto dos cidadãos escalabitanos.
Autores principais:Santos, Tiago Miguel Ferreira da Costa
Assunto:água ordem consagração arte metamorfose
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As cidades nascem e, por vezes, morrem. Também a arquitectura está condenada à acção do tempo e às vontades humanas. Contudo, durante o seu tempo de vida, tanto a cidade como a arquitectura fornecem aos seus utilizadores uma espécie de palco, para que os mesmos, emersos num qualquer panorama cultural, possam desempenhar os seus papéis. O lugar que habitamos demonstra, assim, quem nós, de certa maneira, somos – ou aparentamos ser. Ao longo da sua vida, a cidade, como palco, permitirá diversas metamorfoses físicas e sociais. Todas as metamorfoses diferem conforme a época. Todas são o reflexo de uma qualquer alteração de valores ou pretensões que procuram alcançar um estado ideal e perpétuo de cidade e cidadania. Assim, a sua forma não é imutável, e os seus usos adequam-se às necessidades. E, como representação simbólica de uma sociedade, a cidade é, por norma, o primeiro palco de uma qualquer manifestação cultural. Contudo, é possível observar que na actual sociedade, onde a cultura mercantil exerce a sua massiva dominância, isenta os habitantes de qualquer tipo de apreciação estética e artística da vida, inclusive da própria Natureza. Este trabalho procurará promover a Cultura através do estudo e revisão da memória associadas às revoluções culturais que surgem no final do século XIX - a Arte Nova - e nos anos 60 do século XX - a Contracultura. Tais revoluções caracterizam-se por uma reacção a um determinado modelo de vida que, justificadamente, não se considerava ser o mais benéfico para o desenvolvimento saudável da espécie, inclusive por razões ambientais. Acredita-se que carecemos, enquanto cidadãos, de uma idêntica reacção baseada nomeadamente em valores artísticos, culturais e ambientais que, neste caso, será explorada através dos palcos já referidos - a cidade e a arquitectura. Após uma reflexão teórica do papel da arte e da cultura no panorama arquitectónico das cidades e dos seus respectivos habitantes, estabelecer-se-á uma promenade na cidade de Santarém, que vise promover a cultura e o ambiente no espaço público. Através da concepção de novos largos e fontes onde seja possível concretizar uma série de eventos culturais, procurar-se-á, deste modo, atribuir espaços que permitam acolher os respectivos eventos no espaço público da cidade. A promenade cultural na cidade de Santarém finalizar-se-á num espaço singular alusivo à cultura e à Natureza, num lugar importante na memória da cidade - o Jardim das Portas do Sol, na colina da antiga Alcáçova. O Projecto estabelecerá, portanto, um novo sentido a um espaço que tem vindo a perder o seu valor simbólico. O espaço será devidamente hierarquizado pelo Templo de Santa Iria, pelo Pavilhão Rosa Damasceno e assim como pelos restantes elementos que o estruturam, permitirá albergar variados eventos e outras actividades ao longo do ano para o usufruto dos cidadãos escalabitanos.