Publicação
Conservation of the Macaronesian endemic species: patterns among archipelagos and taxonomic groups based on IUCN lists
| Resumo: | A região da Macaronésia compreende os arquipélagos dos Açores, Madeira, Selvagens, Canárias e Cabo Verde e constitui um dos mais importantes hotspots de biodiversidade, na Região Mediterrânica, pelo que se torna imperativo a proteção e conservação da fauna e flora selvagens. Contudo as consequências das perturbações antrópicas são particularmente relevantes nestes ecossistemas insulares, uma vez que a região da Macaronésia possui uma grande riqueza de espécies endémicas, mas que na maioria dos casos ocorrem em pequenas populações e em áreas geográficas muito restritas. Assim, torna-se urgente o conhecimento e inventário da biodiversidade ameaçada, para que se torne efetiva a proteção de espécies únicas e para garantir a conservação dos seus habitats naturais. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN - International Union for Conservation of Nature), fundada em 1948, é uma organização dedicada à conservação da natureza. A IUCN promove uma série de iniciativas, destacando-se a promoção de uma rede mundial de áreas protegidas e a publicação de inventários sobre o estado de conservação de espécies, conhecida como Lista Vermelha da IUCN (Red List). A Lista Vermelha disponibiliza informação sobre espécies, atribuindo-lhes um estatuto de conservação que permite compreender a situação atual da espécie e a evolução do seu estado de conservação ao longo do tempo. De acordo com os critérios estabelecidos pela IUCN, relacionados principalmente com o tamanho e efetivo populacional e a área de distribuição, as espécies são distribuídas por várias categorias de conservação, sendo Vulnerável (Vulnerable -VU), Ameaçada (Endangered - EN) e Criticamente Ameaçada (Critically Endangered - CR), as categorias de ameaça. Refira-se, a título de exemplo, que é com base na proporção de espécies ameaçadas que é possível o estabelecimento de Key Biodiversity Areas (KBA), que representam áreas prioritárias de conservação da biodiversidade. Isto representa um exemplo prático da utilidade da Lista Vermelha para a conservação da natureza e manutenção da biodiversidade global. Apesar de nos últimos anos se verificar um aumento do esforço no sentido de proteger o ambiente e uma crescente preocupação em preservar os recursos naturais da região da Macaronésia, há ainda um enorme trabalho pela frente e um longo caminho a percorrer. Uma das formas de avaliar o estado atual do conhecimento, passa por comparar os números de espécies endémicas existentes em cada arquipélago e disponíveis em checklists, com o número de espécies endémicas já classificadas e que integram a Lista Vermelha da IUCN. Estes dados permitirão perceber para cada um dos arquipélagos da Macaronésia, quais os grupos taxonómicos já avaliados segundo os critérios da IUCN e quais as espécies ameaçadas, o que fornecerá informação necessária para futuras propostas de medidas de proteção que assegurem a conservação da biodiversidade insular. O objetivo geral deste estudo foi contribuir para o conhecimento do estado atual de conservação da biodiversidade terrestre das ilhas da Macaronésia, usando, para tal, a informação disponível na Lista Vermelha da IUCN. Os objetivos específicos foram: (1) Analisar a evolução do número de espécies avaliadas segundo os critérios da IUCN, desde 1996 até ao presente; (2) Comparar a distribuição da riqueza específica endémica, entre os arquipélagos e diferentes grupos taxonómicos; (3) Catalogar as espécies endémicas da Macaronésia incluídas na Lista Vermelha da IUCN; (4) Avaliar a distribuição das espécies listadas pelas diferentes categorias de ameaça, para determinar o risco de ameaça a que pode estar sujeito cada arquipélago; (5) Relacionar o número de espécies nas categorias de ameaça com as áreas protegidas estabelecidas para cada arquipélago. Este estudo teve por base a consulta de checklists e de outras fontes bibliográficas para a obtenção de dados sobre as espécies dos diferentes grupos taxonómicos terrestres endémicos e para cada arquipélago da Macaronésia. Posteriormente, foi utilizada a informação disponível no site da Lista Vermelha da IUCN (www.iucnredlist.org) para identificar as espécies endémicas já classificadas para cada um dos arquipélagos e para os diferentes grupos taxonómicos, e o respetivo ano de publicação. A partir desta informação, foram determinados o número de espécies endémicas terrestres (excluindo as extintas) disponíveis nas checklists, na Lista Vermelha da IUCN e em cada categoria de ameaça, para cada grupo taxonómico, em cada arquipélago. Os dados obtidos foram analisados de modo a identificar 1) os padrões temporais de classificação de espécies, obtidos com base na variação do número de espécies endémicas incluídas na Lista Vermelha de 1996 até 2017, em cada arquipélago; 2) lacunas na classificação dos diversos grupos taxonómicos em cada arquipélago, com base na comparação entre os números de espécies endémicas nas checklists e na Lista Vermelha; 3) os padrões de distribuição das espécies pelas categorias da IUCN, através de análise de classificação hierárquica, UPGMA (Unweighted Pair Group Method using Arithmetic averages) e de Análise de Componentes Principais (ACP); 4) as relações entre o número de espécies ameaçadas, a área total de cada arquipélago e a respetiva proporção de área protegida por lei, com base em regressão linear. Os resultados obtidos revelaram que (1) a avaliação de espécies endémicas segundo os critérios da IUCN, sofreu um aumento significativo em 2010 no caso dos arquipélagos Europeus da Macaronésia, independentemente do grupo taxonómico a que pertencem, (2) atualmente, os esforços de conservação entre os arquipélagos da Macaronésia são, de certo modo, equivalentes, ainda que a proporção de espécies incluídas na Lista Vermelha tenda a ser ligeiramente menor quanto maior for o número de espécies endémicas no arquipélago; (3) o arquipélago das Canárias apresenta a maior lacuna entre o número de espécies na Lista Vermelha e o número de espécies na checklist, salientando a necessidade de mais esforços de conservação neste arquipélago espanhol, enquanto os Açores apresentam a maior contribuição para a inclusão de espécies na Lista Vermelha da IUCN, refletindo as preocupações ambientais e os esforços de conservação realizados a última década; (4) apenas 5,6% das espécies endémicas de artrópodes, o grupo taxonómico mais diversificado em análise, estão classificadas, sendo este o grupo com menor representatividade na Lista Vermelha, enquanto que para os mamíferos a totalidade das espécies endémicas estão classificadas, muito embora sejam apenas três espécies, o que não é comparável com a diversidade de outros grupos taxonómicos como os artrópodes; (5) os arquipélagos da Madeira e das Selvagens apresentam a maior percentagem de área protegida (67%), enquanto Cabo Verde apresenta a menor percentagem de área protegida (15%). Os resultados obtidos neste estudo permitiram identificar diferentes lacunas ao nível dos instrumentos de conservação disponíveis, como são as Listas Vermelhas das espécies ameaçadas, embora seja evidente o esforço de conservação feito nos últimos anos de modo a contornar a perda da biodiversidade global e a perda de habitats na região da Macaronésia. Com base nas evidencias obtidas é possível formular diversas sugestões que visam facilitar e melhorar os estudos e trabalhos futuros no âmbito dos padrões de biodiversidade e necessidade de conservação desta região, nomeadamente: (1) os resultados de pesquisa no site da Lista Vermelha da IUCN deveriam mostrar as listas de subespécies, tornando mais fácil a obtenção de informação neste nível taxonómico, o que é essencial quando se realizam estudos em ilhas; (2) foram consultados alguns artigos recentes para atualizar os número de espécies endémicas dos arquipélagos, demonstrando a necessidade de uma atualização das checklists de modo a que a informação acerca da biodiversidade dos arquipélagos da Macaronésia esteja completa e atualizada; (3) por fim, conclui-se que os grupos taxonómicos acedidos estão muito dependentes dos trabalhos dos grupos de investigação, pelo que seria mais conveniente que os esforços de classificação fossem de caráter mais abrangente pelos diferentes grupos taxonómicos, o que implicaria maior financiamento nesse sentido. Atualmente, a sobre-exploração dos recursos naturais da Terra e consequentes alterações climáticas levam a muitos impactos ambientais como, por exemplo, a acidificação dos oceanos, expansão de espécies invasoras e incidência de pragas e doenças que contribuem para o desaparecimento de espécies endémicas importantes para a persistência dos ecossistemas. Nesse sentido, estudos que permitam identificar os grupos taxonómicos e regiões que se encontram ameaçados, são particularmente importantes para reforçar as medidas de conservação da biodiversidade e preservação dos ecossistemas naturais únicos como as ilhas. |
|---|---|
| Autores principais: | Casimiro, Joana Mendes |
| Assunto: | Hotspots de biodiversidade Ilhas oceânicas IUCN Áreas protegidas Espécies terrestres Teses de mestrado - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A região da Macaronésia compreende os arquipélagos dos Açores, Madeira, Selvagens, Canárias e Cabo Verde e constitui um dos mais importantes hotspots de biodiversidade, na Região Mediterrânica, pelo que se torna imperativo a proteção e conservação da fauna e flora selvagens. Contudo as consequências das perturbações antrópicas são particularmente relevantes nestes ecossistemas insulares, uma vez que a região da Macaronésia possui uma grande riqueza de espécies endémicas, mas que na maioria dos casos ocorrem em pequenas populações e em áreas geográficas muito restritas. Assim, torna-se urgente o conhecimento e inventário da biodiversidade ameaçada, para que se torne efetiva a proteção de espécies únicas e para garantir a conservação dos seus habitats naturais. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN - International Union for Conservation of Nature), fundada em 1948, é uma organização dedicada à conservação da natureza. A IUCN promove uma série de iniciativas, destacando-se a promoção de uma rede mundial de áreas protegidas e a publicação de inventários sobre o estado de conservação de espécies, conhecida como Lista Vermelha da IUCN (Red List). A Lista Vermelha disponibiliza informação sobre espécies, atribuindo-lhes um estatuto de conservação que permite compreender a situação atual da espécie e a evolução do seu estado de conservação ao longo do tempo. De acordo com os critérios estabelecidos pela IUCN, relacionados principalmente com o tamanho e efetivo populacional e a área de distribuição, as espécies são distribuídas por várias categorias de conservação, sendo Vulnerável (Vulnerable -VU), Ameaçada (Endangered - EN) e Criticamente Ameaçada (Critically Endangered - CR), as categorias de ameaça. Refira-se, a título de exemplo, que é com base na proporção de espécies ameaçadas que é possível o estabelecimento de Key Biodiversity Areas (KBA), que representam áreas prioritárias de conservação da biodiversidade. Isto representa um exemplo prático da utilidade da Lista Vermelha para a conservação da natureza e manutenção da biodiversidade global. Apesar de nos últimos anos se verificar um aumento do esforço no sentido de proteger o ambiente e uma crescente preocupação em preservar os recursos naturais da região da Macaronésia, há ainda um enorme trabalho pela frente e um longo caminho a percorrer. Uma das formas de avaliar o estado atual do conhecimento, passa por comparar os números de espécies endémicas existentes em cada arquipélago e disponíveis em checklists, com o número de espécies endémicas já classificadas e que integram a Lista Vermelha da IUCN. Estes dados permitirão perceber para cada um dos arquipélagos da Macaronésia, quais os grupos taxonómicos já avaliados segundo os critérios da IUCN e quais as espécies ameaçadas, o que fornecerá informação necessária para futuras propostas de medidas de proteção que assegurem a conservação da biodiversidade insular. O objetivo geral deste estudo foi contribuir para o conhecimento do estado atual de conservação da biodiversidade terrestre das ilhas da Macaronésia, usando, para tal, a informação disponível na Lista Vermelha da IUCN. Os objetivos específicos foram: (1) Analisar a evolução do número de espécies avaliadas segundo os critérios da IUCN, desde 1996 até ao presente; (2) Comparar a distribuição da riqueza específica endémica, entre os arquipélagos e diferentes grupos taxonómicos; (3) Catalogar as espécies endémicas da Macaronésia incluídas na Lista Vermelha da IUCN; (4) Avaliar a distribuição das espécies listadas pelas diferentes categorias de ameaça, para determinar o risco de ameaça a que pode estar sujeito cada arquipélago; (5) Relacionar o número de espécies nas categorias de ameaça com as áreas protegidas estabelecidas para cada arquipélago. Este estudo teve por base a consulta de checklists e de outras fontes bibliográficas para a obtenção de dados sobre as espécies dos diferentes grupos taxonómicos terrestres endémicos e para cada arquipélago da Macaronésia. Posteriormente, foi utilizada a informação disponível no site da Lista Vermelha da IUCN (www.iucnredlist.org) para identificar as espécies endémicas já classificadas para cada um dos arquipélagos e para os diferentes grupos taxonómicos, e o respetivo ano de publicação. A partir desta informação, foram determinados o número de espécies endémicas terrestres (excluindo as extintas) disponíveis nas checklists, na Lista Vermelha da IUCN e em cada categoria de ameaça, para cada grupo taxonómico, em cada arquipélago. Os dados obtidos foram analisados de modo a identificar 1) os padrões temporais de classificação de espécies, obtidos com base na variação do número de espécies endémicas incluídas na Lista Vermelha de 1996 até 2017, em cada arquipélago; 2) lacunas na classificação dos diversos grupos taxonómicos em cada arquipélago, com base na comparação entre os números de espécies endémicas nas checklists e na Lista Vermelha; 3) os padrões de distribuição das espécies pelas categorias da IUCN, através de análise de classificação hierárquica, UPGMA (Unweighted Pair Group Method using Arithmetic averages) e de Análise de Componentes Principais (ACP); 4) as relações entre o número de espécies ameaçadas, a área total de cada arquipélago e a respetiva proporção de área protegida por lei, com base em regressão linear. Os resultados obtidos revelaram que (1) a avaliação de espécies endémicas segundo os critérios da IUCN, sofreu um aumento significativo em 2010 no caso dos arquipélagos Europeus da Macaronésia, independentemente do grupo taxonómico a que pertencem, (2) atualmente, os esforços de conservação entre os arquipélagos da Macaronésia são, de certo modo, equivalentes, ainda que a proporção de espécies incluídas na Lista Vermelha tenda a ser ligeiramente menor quanto maior for o número de espécies endémicas no arquipélago; (3) o arquipélago das Canárias apresenta a maior lacuna entre o número de espécies na Lista Vermelha e o número de espécies na checklist, salientando a necessidade de mais esforços de conservação neste arquipélago espanhol, enquanto os Açores apresentam a maior contribuição para a inclusão de espécies na Lista Vermelha da IUCN, refletindo as preocupações ambientais e os esforços de conservação realizados a última década; (4) apenas 5,6% das espécies endémicas de artrópodes, o grupo taxonómico mais diversificado em análise, estão classificadas, sendo este o grupo com menor representatividade na Lista Vermelha, enquanto que para os mamíferos a totalidade das espécies endémicas estão classificadas, muito embora sejam apenas três espécies, o que não é comparável com a diversidade de outros grupos taxonómicos como os artrópodes; (5) os arquipélagos da Madeira e das Selvagens apresentam a maior percentagem de área protegida (67%), enquanto Cabo Verde apresenta a menor percentagem de área protegida (15%). Os resultados obtidos neste estudo permitiram identificar diferentes lacunas ao nível dos instrumentos de conservação disponíveis, como são as Listas Vermelhas das espécies ameaçadas, embora seja evidente o esforço de conservação feito nos últimos anos de modo a contornar a perda da biodiversidade global e a perda de habitats na região da Macaronésia. Com base nas evidencias obtidas é possível formular diversas sugestões que visam facilitar e melhorar os estudos e trabalhos futuros no âmbito dos padrões de biodiversidade e necessidade de conservação desta região, nomeadamente: (1) os resultados de pesquisa no site da Lista Vermelha da IUCN deveriam mostrar as listas de subespécies, tornando mais fácil a obtenção de informação neste nível taxonómico, o que é essencial quando se realizam estudos em ilhas; (2) foram consultados alguns artigos recentes para atualizar os número de espécies endémicas dos arquipélagos, demonstrando a necessidade de uma atualização das checklists de modo a que a informação acerca da biodiversidade dos arquipélagos da Macaronésia esteja completa e atualizada; (3) por fim, conclui-se que os grupos taxonómicos acedidos estão muito dependentes dos trabalhos dos grupos de investigação, pelo que seria mais conveniente que os esforços de classificação fossem de caráter mais abrangente pelos diferentes grupos taxonómicos, o que implicaria maior financiamento nesse sentido. Atualmente, a sobre-exploração dos recursos naturais da Terra e consequentes alterações climáticas levam a muitos impactos ambientais como, por exemplo, a acidificação dos oceanos, expansão de espécies invasoras e incidência de pragas e doenças que contribuem para o desaparecimento de espécies endémicas importantes para a persistência dos ecossistemas. Nesse sentido, estudos que permitam identificar os grupos taxonómicos e regiões que se encontram ameaçados, são particularmente importantes para reforçar as medidas de conservação da biodiversidade e preservação dos ecossistemas naturais únicos como as ilhas. |
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