Publicação
Hidrologia e dinâmica do oceano costeiro de Portugal na região do Cabo Mondego
| Resumo: | No âmbito do projeto de I&D “Interação entre o Afloramento Costeiro e a Corrente de Portugal - CORPAC” contrato nº 804.86.145 da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnologia – JNICT (atual Fundação para a Ciência e a Tecnologia – FCT), realizaram-se três campanhas oceanográficas, CORPAC/87, CORPAC/89 e CORPAC/92, na região do Cabo Mondego. A última campanha CORPAC/92, decorreu de 22 a 29 de janeiro de 1992 e os dados hidrológicos recolhidos ainda não tinham sido processados. Assim, o processamento e análise destes dados constitui o objetivo do presente trabalho. Os dados de temperatura, de salinidade e de pressão foram disponibilizados pelo arquivo de dados do MARE/FCUL (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). Estes foram obtidos com 79 estações CTD com medições entre a superfície e a profundidade de 2000 m. Através da análise dos perfis de temperatura, de salinidade e de densidade identificou-se a camada de mistura atingindo profundidades de 150-200 m. À superfície a temperatura variou entre 12.0 e 15.5ºC enquanto a salinidade apresentou valores em torno de 36.0. As descargas de água dos rios destacaram-se por valores inferiores de temperatura e salinidade. Os diagramas de dispersão θ/S revelaram a presença das massas de água características do oceano costeiro de Portugal: a Água Central Oriental do Atlântico Norte (ACOAN), a Água Mediterrânica (AM) presente através de dois núcleos AMsup e AMinf e a Água Profunda do Atlântico Norte (APAN). As características da ACOAN estão desviadas relativamente à curva representativa daquela água central definida por Fiúza (1984) apresentando temperaturas mais baixas e/ou salinidades mais elevadas. Este desvio foi detetado em trabalhos anteriores (por ex, Boyer et al., 2005). Através de uma análise da literatura relativa à Água Central no bordo leste do Atlântico Norte conclui-se que este desvio ocorre devido a um aumento da salinidade a estas profundidades. Através da distribuição de propriedades sobre superfícies horizontais foi possível identificar a Corrente Ibérica para o Polo (IPC – Iberian Poleward Current) pelas temperaturas e salinidades mais elevadas (1.0ºC e 0.1, respetivamente). O mesmo padrão foi observado na temperatura da superfície do mar obtida pelo sensor AVHRR para o mês de janeiro de 1992. O cálculo da velocidade geostrófica não se revelou conclusivo na identificação da IPC, podendo dever-se a escolha do nível de referência usado no cálculo da mesma. |
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| Autores principais: | Hurduc, Alexandra |
| Assunto: | Oceano costeiro de Portugal CTD Cabo Mondego Massas de água Velocidade geostrófica Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | No âmbito do projeto de I&D “Interação entre o Afloramento Costeiro e a Corrente de Portugal - CORPAC” contrato nº 804.86.145 da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnologia – JNICT (atual Fundação para a Ciência e a Tecnologia – FCT), realizaram-se três campanhas oceanográficas, CORPAC/87, CORPAC/89 e CORPAC/92, na região do Cabo Mondego. A última campanha CORPAC/92, decorreu de 22 a 29 de janeiro de 1992 e os dados hidrológicos recolhidos ainda não tinham sido processados. Assim, o processamento e análise destes dados constitui o objetivo do presente trabalho. Os dados de temperatura, de salinidade e de pressão foram disponibilizados pelo arquivo de dados do MARE/FCUL (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). Estes foram obtidos com 79 estações CTD com medições entre a superfície e a profundidade de 2000 m. Através da análise dos perfis de temperatura, de salinidade e de densidade identificou-se a camada de mistura atingindo profundidades de 150-200 m. À superfície a temperatura variou entre 12.0 e 15.5ºC enquanto a salinidade apresentou valores em torno de 36.0. As descargas de água dos rios destacaram-se por valores inferiores de temperatura e salinidade. Os diagramas de dispersão θ/S revelaram a presença das massas de água características do oceano costeiro de Portugal: a Água Central Oriental do Atlântico Norte (ACOAN), a Água Mediterrânica (AM) presente através de dois núcleos AMsup e AMinf e a Água Profunda do Atlântico Norte (APAN). As características da ACOAN estão desviadas relativamente à curva representativa daquela água central definida por Fiúza (1984) apresentando temperaturas mais baixas e/ou salinidades mais elevadas. Este desvio foi detetado em trabalhos anteriores (por ex, Boyer et al., 2005). Através de uma análise da literatura relativa à Água Central no bordo leste do Atlântico Norte conclui-se que este desvio ocorre devido a um aumento da salinidade a estas profundidades. Através da distribuição de propriedades sobre superfícies horizontais foi possível identificar a Corrente Ibérica para o Polo (IPC – Iberian Poleward Current) pelas temperaturas e salinidades mais elevadas (1.0ºC e 0.1, respetivamente). O mesmo padrão foi observado na temperatura da superfície do mar obtida pelo sensor AVHRR para o mês de janeiro de 1992. O cálculo da velocidade geostrófica não se revelou conclusivo na identificação da IPC, podendo dever-se a escolha do nível de referência usado no cálculo da mesma. |
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