Publicação
A deiscência anastomótica na cirurgia do cancro do cólon : qual a influência na sobrevivência a longo prazo?
| Resumo: | Introdução: A cirurgia desempenha um papel crucial no tratamento dos doentes com cancro do cólon. A deiscência anastomótica é uma das suas complicações pósoperatórias mais temidas por se associar ao aumento da morbimortalidade, embora não seja consensual que represente um fator prognóstico independente na sobrevivência a longo prazo. O objetivo deste estudo foi investigar a influência da deiscência anastomótica na sobrevivência a longo prazo dos doentes submetidos a resseção cirúrgica curativa de cancro do cólon. Materiais e métodos: Foi desenvolvido um estudo observacional retrospetivo, com revisão do processo clínico dos doentes submetidos a cirurgia no Instituto Português de Oncologia de Lisboa entre 01/01/2010 e 31/12/2019. A sobrevivência global e a sobrevivência global condicional foram estimadas para o total de doentes incluídos. Resultados: Foi avaliado um total de 1256 doentes, dos quais 686 foram incluídos na análise. A deiscência anastomótica ocorreu em 57 doentes (8,3%) e associou-se a maior morbilidade e mortalidade pós-operatórias, número de dias de internamento e taxa de reinternamento precoce. A sobrevivência global aos 5 anos foi inferior no grupo de doentes que sofreu deiscência anastomótica (65,3% [IC 95%, 53,3-80,1] vs. 84,8% [IC 95%, 81,9-87,8]; p <0,001). A sobrevivência global condicional aos 30 e 90 dias foi também inferior no grupo com deiscência (p =0,002, p =0,009, respetivamente), embora sem significado estatístico quando a condição foi sobreviver pelo menos 6 meses ou 1 ano. A deiscência anastomótica, a classificação ASA e o atraso ou não realização de quimioterapia adjuvante mostraram-se independentemente associadas à redução da sobrevivência. Conclusão: Para além do seu impacto negativo nos resultados de curto prazo, a deiscência anastomótica após cirurgia para resseção de cancro do cólon está significativamente associada a uma redução da sobrevivência a longo prazo. |
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| Autores principais: | Lopes, Pedro Miguel Gomes de Pinho |
| Assunto: | Neoplasias colorretais Neoplasias do cólon Deiscência anastomótica Sobrevivência a longo prazo Oncologia |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A cirurgia desempenha um papel crucial no tratamento dos doentes com cancro do cólon. A deiscência anastomótica é uma das suas complicações pósoperatórias mais temidas por se associar ao aumento da morbimortalidade, embora não seja consensual que represente um fator prognóstico independente na sobrevivência a longo prazo. O objetivo deste estudo foi investigar a influência da deiscência anastomótica na sobrevivência a longo prazo dos doentes submetidos a resseção cirúrgica curativa de cancro do cólon. Materiais e métodos: Foi desenvolvido um estudo observacional retrospetivo, com revisão do processo clínico dos doentes submetidos a cirurgia no Instituto Português de Oncologia de Lisboa entre 01/01/2010 e 31/12/2019. A sobrevivência global e a sobrevivência global condicional foram estimadas para o total de doentes incluídos. Resultados: Foi avaliado um total de 1256 doentes, dos quais 686 foram incluídos na análise. A deiscência anastomótica ocorreu em 57 doentes (8,3%) e associou-se a maior morbilidade e mortalidade pós-operatórias, número de dias de internamento e taxa de reinternamento precoce. A sobrevivência global aos 5 anos foi inferior no grupo de doentes que sofreu deiscência anastomótica (65,3% [IC 95%, 53,3-80,1] vs. 84,8% [IC 95%, 81,9-87,8]; p <0,001). A sobrevivência global condicional aos 30 e 90 dias foi também inferior no grupo com deiscência (p =0,002, p =0,009, respetivamente), embora sem significado estatístico quando a condição foi sobreviver pelo menos 6 meses ou 1 ano. A deiscência anastomótica, a classificação ASA e o atraso ou não realização de quimioterapia adjuvante mostraram-se independentemente associadas à redução da sobrevivência. Conclusão: Para além do seu impacto negativo nos resultados de curto prazo, a deiscência anastomótica após cirurgia para resseção de cancro do cólon está significativamente associada a uma redução da sobrevivência a longo prazo. |
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