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Avanços terapêuticos na doença de Alzheimer

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Resumo:A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, abrangendo cerca de 60 a 80% dos casos. Trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível, muitas vezes associada a idades mais avançadas, com maior predisposição para o sexo feminino. Esta patologia é sobretudo caracterizada pela formação de placas amiloides e tranças neurofibrilares, compostas por peptídeo β amiloide e proteína tau hiperfosforilada, respetivamente. Atualmente existem duas classes de fármacos aprovados, que incluem os inibidores da acetilcolinesterase (donepezil, galantamina, rivastigmina) e os antagonistas dos recetores do glutamato N-metil-D-aspartato (memantina). Ambos tratam os sintomas, mas não curam ou previnem a doença. Relativamente às novas abordagens farmacológicas, pode considerar-se que a terapia modificadora da doença tem como principais alvos o peptídeo β amiloide e a proteína tau. As terapias direcionadas ao peptídeo β amiloide incluem os seguintes mecanismos de ação: redução da sua produção por inibição de β- e γ-secretase, inibição da agregação do peptídeo β amiloide e promoção da eliminação do mesmo. O aducanumab, direcionado à eliminação do peptídeo β amiloide, foi o primeiro fármaco aprovado pela Food and Drug Administration desde 2003, sendo capaz de retardar a neurodegeneração e a progressão da doença. Apesar do êxito referido, a falta de sucesso das restantes terapias fez com que a ciência se focasse noutro alvo terapêutico, a proteína tau hiperfosforilada. A maioria das terapias direcionadas a tau são imunoterapias, todavia estas ainda se encontram numa fase muito inicial e nenhuma delas atingiu os ensaios clínicos de fase III. Para além da imunoterapia, ainda existem outros fármacos que previnem a hiperfosforilação e agregação de tau e promovem a estabilização dos microtúbulos. Pelo facto da maioria dos fármacos direcionados a um único alvo não terem tido sucesso, estão a ser desenvolvidos multi-target directed ligands. A partir dos artigos compilados nesta monografia, é possível compreender que ainda existe uma grande necessidade de esclarecer a fisiopatologia e, consequentemente, de encontrar novos biomarcadores e alvos que contribuirão para o desenvolvimento de mais terapias modificadoras da doença.
Autores principais:Rosado, Rita Montalto
Assunto:Demência Neurodegeneração β-amiloide Proteína tau Imunoterapia Mestrado integrado - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, abrangendo cerca de 60 a 80% dos casos. Trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível, muitas vezes associada a idades mais avançadas, com maior predisposição para o sexo feminino. Esta patologia é sobretudo caracterizada pela formação de placas amiloides e tranças neurofibrilares, compostas por peptídeo β amiloide e proteína tau hiperfosforilada, respetivamente. Atualmente existem duas classes de fármacos aprovados, que incluem os inibidores da acetilcolinesterase (donepezil, galantamina, rivastigmina) e os antagonistas dos recetores do glutamato N-metil-D-aspartato (memantina). Ambos tratam os sintomas, mas não curam ou previnem a doença. Relativamente às novas abordagens farmacológicas, pode considerar-se que a terapia modificadora da doença tem como principais alvos o peptídeo β amiloide e a proteína tau. As terapias direcionadas ao peptídeo β amiloide incluem os seguintes mecanismos de ação: redução da sua produção por inibição de β- e γ-secretase, inibição da agregação do peptídeo β amiloide e promoção da eliminação do mesmo. O aducanumab, direcionado à eliminação do peptídeo β amiloide, foi o primeiro fármaco aprovado pela Food and Drug Administration desde 2003, sendo capaz de retardar a neurodegeneração e a progressão da doença. Apesar do êxito referido, a falta de sucesso das restantes terapias fez com que a ciência se focasse noutro alvo terapêutico, a proteína tau hiperfosforilada. A maioria das terapias direcionadas a tau são imunoterapias, todavia estas ainda se encontram numa fase muito inicial e nenhuma delas atingiu os ensaios clínicos de fase III. Para além da imunoterapia, ainda existem outros fármacos que previnem a hiperfosforilação e agregação de tau e promovem a estabilização dos microtúbulos. Pelo facto da maioria dos fármacos direcionados a um único alvo não terem tido sucesso, estão a ser desenvolvidos multi-target directed ligands. A partir dos artigos compilados nesta monografia, é possível compreender que ainda existe uma grande necessidade de esclarecer a fisiopatologia e, consequentemente, de encontrar novos biomarcadores e alvos que contribuirão para o desenvolvimento de mais terapias modificadoras da doença.