Publicação
Endocrinopatias secundárias ao uso de inibidores de checkpoints imunológicos : a propósito de um caso clínico
| Resumo: | Na área da imunoterapia têm surgido novas terapêuticas para os tumores resistentes à quimioterapia, nomeadamente a terapêutica com anticorpos monoclonais inibidores de checkpoints imunológicos. Os checkpoints imunológicos, como CTLA-4, PD-1 ou PD-L1, são proteínas de membrana envolvidas na resposta imune que, quando inibidas, provocam um aumento de atividade das células T e consequente efeito anti tumoral. Contudo, a sua inibição pode provocar efeitos adversos, onde se incluem as endocrinopatias, em particular a disfunção tiroideia e a hipofisite. Descreve-se o caso clínico de um doente de 59 anos de idade seguido em consulta de oncologia por neoplasia do pulmão tratada com nivolumab (anti-PD-1), referenciado à consulta de endocrinologia por alterações nas provas de função tiroideia. O doente apresentava um quadro clínico com dois meses de evolução caracterizado por fadiga, diminuição da força muscular, diminuição do apetite, obstipação e humor depressivo. A avaliação laboratorial revelou hipotiroidismo associado a anticorpos anti-tiroglobulina positivos e insuficiência suprarrenal secundária. A ressonância magnética esfenoselar evidenciou um aumento das dimensões da hipófise, de características benignas, sem compressão das estruturas adjacentes. Feito o diagnóstico de hipotiroidismo primário e insuficiência suprarrenal secundária a hipofisite, foi instituída a terapêutica com prednisolona e levotiroxina, após o que se assistiu a uma melhoria clínica franca associada à normalização da função tiroideia. A propósito do caso clínico, é feita uma breve descrição sobre a ação anti tumoral dos inibidores de checkpoint imunológicos bem como dos seus efeitos adversos ao nível da tiroide e hipófise. Discutem-se também aspetos do diagnóstico e da abordagem médica destas endocrinopatias e sublinha-se a importância da abordagem multidisciplinar destes doentes. Termina-se chamando a atenção para a importância do conhecimento desta entidade clínica, recentemente descrita e cada vez mais frequente na prática clínica, cujo diagnóstico precoce e terapêutica atempada podem ser determinantes no prognóstico e qualidade de vida do doente oncológico. |
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| Autores principais: | Castro, Matilde de Arrochela Alegria Jácome de |
| Assunto: | Imunoterapia Linfócitos T Endocrinologia |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Na área da imunoterapia têm surgido novas terapêuticas para os tumores resistentes à quimioterapia, nomeadamente a terapêutica com anticorpos monoclonais inibidores de checkpoints imunológicos. Os checkpoints imunológicos, como CTLA-4, PD-1 ou PD-L1, são proteínas de membrana envolvidas na resposta imune que, quando inibidas, provocam um aumento de atividade das células T e consequente efeito anti tumoral. Contudo, a sua inibição pode provocar efeitos adversos, onde se incluem as endocrinopatias, em particular a disfunção tiroideia e a hipofisite. Descreve-se o caso clínico de um doente de 59 anos de idade seguido em consulta de oncologia por neoplasia do pulmão tratada com nivolumab (anti-PD-1), referenciado à consulta de endocrinologia por alterações nas provas de função tiroideia. O doente apresentava um quadro clínico com dois meses de evolução caracterizado por fadiga, diminuição da força muscular, diminuição do apetite, obstipação e humor depressivo. A avaliação laboratorial revelou hipotiroidismo associado a anticorpos anti-tiroglobulina positivos e insuficiência suprarrenal secundária. A ressonância magnética esfenoselar evidenciou um aumento das dimensões da hipófise, de características benignas, sem compressão das estruturas adjacentes. Feito o diagnóstico de hipotiroidismo primário e insuficiência suprarrenal secundária a hipofisite, foi instituída a terapêutica com prednisolona e levotiroxina, após o que se assistiu a uma melhoria clínica franca associada à normalização da função tiroideia. A propósito do caso clínico, é feita uma breve descrição sobre a ação anti tumoral dos inibidores de checkpoint imunológicos bem como dos seus efeitos adversos ao nível da tiroide e hipófise. Discutem-se também aspetos do diagnóstico e da abordagem médica destas endocrinopatias e sublinha-se a importância da abordagem multidisciplinar destes doentes. Termina-se chamando a atenção para a importância do conhecimento desta entidade clínica, recentemente descrita e cada vez mais frequente na prática clínica, cujo diagnóstico precoce e terapêutica atempada podem ser determinantes no prognóstico e qualidade de vida do doente oncológico. |
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