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Descobrimentos e Renascimento : formas de ser e pensar nos séculos XV e XVI

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Como é difícil pensar rigorosamente o nosso século XVI. A todo o momento a distância epistémica está pronta a deslizar para o reino da identidade familiar tornando o passado mera ficção do presente. Uma escrita sobre as escritas de Quinhentos vive uma estrutura de labirinto, uma quase natural inconsciência que facilmente cai no anacronismo fazendo desse lugar outro, não o TEXTO mas o PRETEXTO. Esse obstáculo de tão aparente facilidade e identidade é fruto dum arqueológico acumular de poeiras sobre esse tempo outro. Poeiras ideológicas nascidas de mil e uma leituras retrospetivas que fazem do passado um lugar recuado na linear sequência cronológica do presente. Pensar rigorosamente implica o alcançar da diferença: «Diferença como TEMPORIZAÇÃO, DIFERENÇA como ESPAÇAMENTO» (J. Derrida). Ganhar o sentido a esses discursos outros obriga a suspender todas as mitologias que se abateram sobre Quinhentos. Ultrapassar o obstáculo do anacronismo é marcar a diferença de significado que se esconde por sob a máscara de semelhança do significante. É necessário ultrapassar todas as sintéticas e globais filosofias da História, em torno do ser e destino de Portugal que fazem da História da filosofia e a ciência mero instrumento de apoio à construção ideológica. Vencer estes obstáculos é alcançar o PRINCÍPIO DIFERENÇA, isto é, a possibilidade hermenêutica da significação e interpretação. Obstáculos difíceis de vencer porque recobrem um vasto campo de complexos de inferioridade da sociedade e intelectualidade nacionais.
Autores principais:Barreto, Luís Filipe
Assunto:Zurara, Gomes Eanes de, 1410?-1474 Pereira, Duarte Pacheco, 1560?-1533 Orta, Garcia de, 1499?-1568 Cultura portuguesa - História Cultura da expansão
Ano:1983
País:Portugal
Tipo de documento:livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Como é difícil pensar rigorosamente o nosso século XVI. A todo o momento a distância epistémica está pronta a deslizar para o reino da identidade familiar tornando o passado mera ficção do presente. Uma escrita sobre as escritas de Quinhentos vive uma estrutura de labirinto, uma quase natural inconsciência que facilmente cai no anacronismo fazendo desse lugar outro, não o TEXTO mas o PRETEXTO. Esse obstáculo de tão aparente facilidade e identidade é fruto dum arqueológico acumular de poeiras sobre esse tempo outro. Poeiras ideológicas nascidas de mil e uma leituras retrospetivas que fazem do passado um lugar recuado na linear sequência cronológica do presente. Pensar rigorosamente implica o alcançar da diferença: «Diferença como TEMPORIZAÇÃO, DIFERENÇA como ESPAÇAMENTO» (J. Derrida). Ganhar o sentido a esses discursos outros obriga a suspender todas as mitologias que se abateram sobre Quinhentos. Ultrapassar o obstáculo do anacronismo é marcar a diferença de significado que se esconde por sob a máscara de semelhança do significante. É necessário ultrapassar todas as sintéticas e globais filosofias da História, em torno do ser e destino de Portugal que fazem da História da filosofia e a ciência mero instrumento de apoio à construção ideológica. Vencer estes obstáculos é alcançar o PRINCÍPIO DIFERENÇA, isto é, a possibilidade hermenêutica da significação e interpretação. Obstáculos difíceis de vencer porque recobrem um vasto campo de complexos de inferioridade da sociedade e intelectualidade nacionais.