Publicação
Atrofia e carga lesional do tronco cerebral como marcadores de disability na esclerose múltipla
| Resumo: | INTRODUÇÃO: A esclerose múltipla (EM) é a doença neurológica mais comum em adultos jovens e uma importante causa de disability. A evolução clínica e acumulação de incapacidade é muito variável, implicando um ajuste terapêutico individualizado. Assim, a definição de fatores de prognóstico da doença é importante. O tronco cerebral é um local comum de envolvimento da EM, com tradução frequente na apresentação clínica dos doentes. É alvo de atrofia e a evidência sugere uma relação deste parâmetro com a disability. No entanto, são ainda poucos os estudos que esclareçam o valor prognóstico da atrofia e carga lesional do tronco cerebral em RM. OBJETIVOS: Avaliar a atrofia e carga lesional do tronco cerebral enquanto possíveis biomarcadores em RM de disability em doentes com EM. MÉTODOS: Estudo de coorte retrospetivo em doentes com EM e que realizaram estudo de RM entre 2020 e 2022. Avaliou-se por imagem: (1) as áreas do tronco cerebral (mesencéfalo, protuberância e bulbo), e (2) o número de lesões desmielinizantes no tronco cerebral, estratificando os doentes em baixa e elevada carga lesional. O outcome do estudo foi a disability avaliada através da Expanded Disability Status Scale (EDSS). Construíram-se modelos de regressão multivariada entre as áreas do tronco e o EDSS, ajustada para possíveis fatores de confundimento. RESULTADOS: Foram incluídos 24 doentes. O modelo de regressão multivariada revelou que áreas do mesencéfalo inferiores se associam a um maior EDSS, sendo esta uma correlação negativa estatisticamente significativa (p=0,025). Adicionalmente, os doentes com elevada carga lesional do tronco cerebral tiveram um EDSS significativamente superior aos doentes com baixa carga lesional (p=0,015). CONCLUSÃO: Uma menor área do mesencéfalo e uma alta carga lesional do tronco cerebral são preditores de disability em doentes com EM. Estes resultados poderão permitir determinar precocemente na imagem doentes com maior disability e consequentemente pior prognóstico. |
|---|---|
| Autores principais: | Vaz, Catarina Pina Cruz Carvalho |
| Assunto: | Esclerose múltipla Ressonância magnética Tronco cerebral Atrofia Carga lesional Imagiologia |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | INTRODUÇÃO: A esclerose múltipla (EM) é a doença neurológica mais comum em adultos jovens e uma importante causa de disability. A evolução clínica e acumulação de incapacidade é muito variável, implicando um ajuste terapêutico individualizado. Assim, a definição de fatores de prognóstico da doença é importante. O tronco cerebral é um local comum de envolvimento da EM, com tradução frequente na apresentação clínica dos doentes. É alvo de atrofia e a evidência sugere uma relação deste parâmetro com a disability. No entanto, são ainda poucos os estudos que esclareçam o valor prognóstico da atrofia e carga lesional do tronco cerebral em RM. OBJETIVOS: Avaliar a atrofia e carga lesional do tronco cerebral enquanto possíveis biomarcadores em RM de disability em doentes com EM. MÉTODOS: Estudo de coorte retrospetivo em doentes com EM e que realizaram estudo de RM entre 2020 e 2022. Avaliou-se por imagem: (1) as áreas do tronco cerebral (mesencéfalo, protuberância e bulbo), e (2) o número de lesões desmielinizantes no tronco cerebral, estratificando os doentes em baixa e elevada carga lesional. O outcome do estudo foi a disability avaliada através da Expanded Disability Status Scale (EDSS). Construíram-se modelos de regressão multivariada entre as áreas do tronco e o EDSS, ajustada para possíveis fatores de confundimento. RESULTADOS: Foram incluídos 24 doentes. O modelo de regressão multivariada revelou que áreas do mesencéfalo inferiores se associam a um maior EDSS, sendo esta uma correlação negativa estatisticamente significativa (p=0,025). Adicionalmente, os doentes com elevada carga lesional do tronco cerebral tiveram um EDSS significativamente superior aos doentes com baixa carga lesional (p=0,015). CONCLUSÃO: Uma menor área do mesencéfalo e uma alta carga lesional do tronco cerebral são preditores de disability em doentes com EM. Estes resultados poderão permitir determinar precocemente na imagem doentes com maior disability e consequentemente pior prognóstico. |
|---|