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Synchronous carotid and cardiac surgery : a nested case-control study

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Contextualização: A aterosclerose é um processo patológico com início precoce na vida humana e é a etiologia mais comum no que toca a doença cerebrovascular, nomeadamente de estenose carotídea, e doença coronária. As indicações relativas à modalidade e fase temporal da revascularização carotídea, em doentes com doença coronária concomitante, tem sido o foco de discussão desde há vários anos, não existindo, até ao momento um consenso claro. No entanto, a literatura científica parece concordar que a cirurgia síncrona é segura com reduzidas taxas de complicações e de mortalidade global. Objetivo: Este trabalho propôs-se avaliar os resultados de curto e médio prazo da cirurgia síncrona carotídea e cardíaca, nomeadamente sucesso clínico e outcomes de segurança. Métodos: Realizou-se um estudo caso-controlo nested comparando doentes submetidos a cirurgia síncrona com doentes emparelhados submetidos apenas a cirurgia cardíaca. Os outcomes primários foram as diferenças na mortalidade a 30-dias e global, a ocorrência de AVC/AIT pós-operatório ou de enfarte agudo do miocárdio. Outcomes adicionais consistiram no tempo cirúrgico, quantificação das perdas de sangue e demais complicações pós-operatórias. Resultados: Os doentes submetidos a cirurgia síncrona (casos) foram 72.4% do sexo masculino, com idade média de 70.9 anos (SD 7.2), enquanto nos controlos 83.8% eram homens, com idade média de 69.8 anos (SD 7.7). Doentes do sexo feminino estavam presentes em maior número nos casos, que nos controlos (p=0.02). O EUROSCORE aferido nos casos foi superior ao dos controlos (p=0.001). Não existiram diferenças significativas em relação à mortalidade a 30-dias e mortalidade global, bem como na incidência de AVC ou EAM, entre os dois grupos (p=0.6, p=0.7 e p=0.6, p=0.2 respetivamente). Constatou-se, contudo, uma incidência de lesão renal aguda mais elevada, nos casos (OR: 4.87; 95% CI: 1.63-14.53 p=0.005), e inferior de bradicardia (OR: 0.03; 95% CI: 0.001-0.75 p=.033). Nos restantes outcomes, não se encontraram diferenças significativas após uma análise multivariada. Conclusão: Assim, na cirurgia síncrona carotídea e cardíaca não se verificou aumento da mortalidade, quer a 30-dias, quer global, nem aumento da incidência de AVC/AIT ou EAM, quando comparado com doentes submetidos apenas a cirurgia cardíaca. Ainda que EUROSCORE mais elevado se encontre associado a um aumento dos riscos de mortalidade e complicações pós-operatórias, o nosso trabalho demonstra que a cirurgia síncrona é uma abordagem segura, bem tolerada e com baixo risco cirúrgico.
Autores principais:Carvalho, Mauro Daniel de
Assunto:Cirurgia síncrona Endarterectomia carotídea Cirurgia cardíaca Mortalidade Acidente vascular cerebral Cirurgia vascular
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Contextualização: A aterosclerose é um processo patológico com início precoce na vida humana e é a etiologia mais comum no que toca a doença cerebrovascular, nomeadamente de estenose carotídea, e doença coronária. As indicações relativas à modalidade e fase temporal da revascularização carotídea, em doentes com doença coronária concomitante, tem sido o foco de discussão desde há vários anos, não existindo, até ao momento um consenso claro. No entanto, a literatura científica parece concordar que a cirurgia síncrona é segura com reduzidas taxas de complicações e de mortalidade global. Objetivo: Este trabalho propôs-se avaliar os resultados de curto e médio prazo da cirurgia síncrona carotídea e cardíaca, nomeadamente sucesso clínico e outcomes de segurança. Métodos: Realizou-se um estudo caso-controlo nested comparando doentes submetidos a cirurgia síncrona com doentes emparelhados submetidos apenas a cirurgia cardíaca. Os outcomes primários foram as diferenças na mortalidade a 30-dias e global, a ocorrência de AVC/AIT pós-operatório ou de enfarte agudo do miocárdio. Outcomes adicionais consistiram no tempo cirúrgico, quantificação das perdas de sangue e demais complicações pós-operatórias. Resultados: Os doentes submetidos a cirurgia síncrona (casos) foram 72.4% do sexo masculino, com idade média de 70.9 anos (SD 7.2), enquanto nos controlos 83.8% eram homens, com idade média de 69.8 anos (SD 7.7). Doentes do sexo feminino estavam presentes em maior número nos casos, que nos controlos (p=0.02). O EUROSCORE aferido nos casos foi superior ao dos controlos (p=0.001). Não existiram diferenças significativas em relação à mortalidade a 30-dias e mortalidade global, bem como na incidência de AVC ou EAM, entre os dois grupos (p=0.6, p=0.7 e p=0.6, p=0.2 respetivamente). Constatou-se, contudo, uma incidência de lesão renal aguda mais elevada, nos casos (OR: 4.87; 95% CI: 1.63-14.53 p=0.005), e inferior de bradicardia (OR: 0.03; 95% CI: 0.001-0.75 p=.033). Nos restantes outcomes, não se encontraram diferenças significativas após uma análise multivariada. Conclusão: Assim, na cirurgia síncrona carotídea e cardíaca não se verificou aumento da mortalidade, quer a 30-dias, quer global, nem aumento da incidência de AVC/AIT ou EAM, quando comparado com doentes submetidos apenas a cirurgia cardíaca. Ainda que EUROSCORE mais elevado se encontre associado a um aumento dos riscos de mortalidade e complicações pós-operatórias, o nosso trabalho demonstra que a cirurgia síncrona é uma abordagem segura, bem tolerada e com baixo risco cirúrgico.