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Cibersexo, saúde mental e intimidade : um estudo exploratório junto de uma população com perturbação de uso de substâncias psicoactivas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cibersexo refere-se ao uso da Internet para aceder a diversas actividades sexuais online. Vários autores mencionam que o cibersexo problemático tem a dependência de substâncias psicoactivas como comorbilidade, porém não se encontram estudos que o demonstrem. Assim, investigou-se a prevalência do uso de cibersexo numa amostra de 100 pessoas em tratamento por perturbação de uso de substâncias psicoactivas e estudou-se as relações que o uso de cibersexo tem com a saúde mental, com as queixas subjectivas no quotidiano devido a actividades de cibersexo e os sintomas potenciais de dependência de cibersexo, bem como com a intimidade do casal (segundo a percepção do participante). Também foi analisada a associação entre a saúde mental e as queixas subjectivas no quotidiano devido a actividades de cibersexo e os sintomas potenciais de dependência de cibersexo. Para além disso, estudou-se a relação de quatro características da amostra (idade, sexo, substância psicoactiva de eleição e estado civil) com o uso de cibersexo. Não existindo estudos prévios que relacionem ocibersexo com a dependência de substâncias psicoactivas, esta investigação consiste numestudo exploratório e descritivo, onde se aplicou um questionário composto por um Questionário de Caracterização do Participante, um Questionário de Utilização de Cibersexo, oShort Internet Addiction Test Adapted to Cybersex (versão portuguesa), as Escalas deAnsiedade, Depressão e Stress, e as Escalas de Bem-Estar Psicológico (versão experimental reduzida). Do presente estudo pode concluir-se que existe uma prevalência elevada de uso de cibersexo ao longo da vida, na população com perturbação de uso de substâncias psicoactivas; que os indivíduos que têm a cocaína como droga de eleição apresentam significativamente maior tempo de uso de pornografia e médias de frequência de uso da generalidade das actividades de cibersexo superiores às dos participantes que têm o álcool como substância de eleição; que os indivíduos do sexo masculino e os mais jovens são os que apresentam maior prevalência de uso de cibersexo nos últimos 6 meses; que a frequência de uso não varia entre sexos em qualquer uma das actividades sexuais online estudadas; que a frequência de uso de pornografia e de procura de informação sobre sexo ou práticas sexuais se relaciona com sintomas de dependência de cibersexo e com queixas subjectivas no quotidiano; enquanto a frequência de troca de mensagens e/ou imagens de conteúdo sexual se relaciona com o bem-estar psicológico. Os resultados mostram ainda que os participantes que se encontram envolvidos em relações amorosas estáveis têm a percepção que o cibersexo influencia positivamente a relação de intimidade com o(a) companheiro(a) e que os que não estão numa relação amorosa estável apresentam uma tendência para utilizarem cibersexo com maior frequência, para apresentarem pior saúde mental, mais queixas subjectivas do quotidiano devido às actividades sexuais online e mais sintomas potenciais de dependência ao cibersexo. São ainda abordadas possíveis implicações deste trabalho e sugeridas novas abordagens de investigação, tendo em conta as limitações indicadas.
Autores principais:Pires, Teodomiro Miguel Basto Frazão Urbano
Assunto:Saúde mental Substâncias psicoactivas Intimidade Teses de mestrado - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cibersexo refere-se ao uso da Internet para aceder a diversas actividades sexuais online. Vários autores mencionam que o cibersexo problemático tem a dependência de substâncias psicoactivas como comorbilidade, porém não se encontram estudos que o demonstrem. Assim, investigou-se a prevalência do uso de cibersexo numa amostra de 100 pessoas em tratamento por perturbação de uso de substâncias psicoactivas e estudou-se as relações que o uso de cibersexo tem com a saúde mental, com as queixas subjectivas no quotidiano devido a actividades de cibersexo e os sintomas potenciais de dependência de cibersexo, bem como com a intimidade do casal (segundo a percepção do participante). Também foi analisada a associação entre a saúde mental e as queixas subjectivas no quotidiano devido a actividades de cibersexo e os sintomas potenciais de dependência de cibersexo. Para além disso, estudou-se a relação de quatro características da amostra (idade, sexo, substância psicoactiva de eleição e estado civil) com o uso de cibersexo. Não existindo estudos prévios que relacionem ocibersexo com a dependência de substâncias psicoactivas, esta investigação consiste numestudo exploratório e descritivo, onde se aplicou um questionário composto por um Questionário de Caracterização do Participante, um Questionário de Utilização de Cibersexo, oShort Internet Addiction Test Adapted to Cybersex (versão portuguesa), as Escalas deAnsiedade, Depressão e Stress, e as Escalas de Bem-Estar Psicológico (versão experimental reduzida). Do presente estudo pode concluir-se que existe uma prevalência elevada de uso de cibersexo ao longo da vida, na população com perturbação de uso de substâncias psicoactivas; que os indivíduos que têm a cocaína como droga de eleição apresentam significativamente maior tempo de uso de pornografia e médias de frequência de uso da generalidade das actividades de cibersexo superiores às dos participantes que têm o álcool como substância de eleição; que os indivíduos do sexo masculino e os mais jovens são os que apresentam maior prevalência de uso de cibersexo nos últimos 6 meses; que a frequência de uso não varia entre sexos em qualquer uma das actividades sexuais online estudadas; que a frequência de uso de pornografia e de procura de informação sobre sexo ou práticas sexuais se relaciona com sintomas de dependência de cibersexo e com queixas subjectivas no quotidiano; enquanto a frequência de troca de mensagens e/ou imagens de conteúdo sexual se relaciona com o bem-estar psicológico. Os resultados mostram ainda que os participantes que se encontram envolvidos em relações amorosas estáveis têm a percepção que o cibersexo influencia positivamente a relação de intimidade com o(a) companheiro(a) e que os que não estão numa relação amorosa estável apresentam uma tendência para utilizarem cibersexo com maior frequência, para apresentarem pior saúde mental, mais queixas subjectivas do quotidiano devido às actividades sexuais online e mais sintomas potenciais de dependência ao cibersexo. São ainda abordadas possíveis implicações deste trabalho e sugeridas novas abordagens de investigação, tendo em conta as limitações indicadas.