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Estado nutricional, adequação da ingestão alimentar e função pulmonar em crianças e adolescentes portadores de fibrose quística

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Summary:Introdução: A Fibrose Quística (FQ) é uma doença genética autossómica recessiva, caracterizada por inflamação multisistémica permanente. A otimização do cuidado nutricional tem sido um foco de cuidado em doentes com FQ, uma vez que a desnutrição está associada a pior função pulmonar, comprometimento imunológico, crescimento prejudicado, diminuição da qualidade e expectativa de vida. O objetivo deste estudo foi avaliar e caracterizar o estado nutricional, a adequação da ingestão alimentar e função pulmonar em crianças e adolescentes portadores de FQ. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, analítico, transversal que incluiu crianças com idade inferior a 18 anos. A avaliação nutricional compreendeu a recolha da história clínica (tipo de mutação, terapêutica farmacológica e nutricional, FEV1 e parâmetros séricos), de avaliação da ingestão nutricional, avaliada por registo de 3 dias, e de dados antropométricos (Índice de Massa Corporal (IMC), perímetro braquial e prega cutânea tricipital) para cálculo o da Massa Gorda (MG) e Índice de Massa Livre de Gordura (IMLG). Foram estudadas as associações entre as variáveis estabelecendo um nível de significância de 95%. Resultados: Referente ao IMC, 91,3% encontrava-se em eutrofia, 4,3% apresentou magreza e 4,3% magreza severa. Apenas 16% se encontravam acima do Percentil 25 de MG, com 32% abaixo do Percentil 5. A maioria (79%) apresentava valores adequados do IMLG e valores baixos do Índice de MG (59%). Relativamente à função pulmonar 76% apresentava valores de FEV1≥ 70%. Valores superiores de %FEV1 foram associados a valores superiores de Z-score de IMC (r=0,593; p= 0,012), altura para a idade (r=0,569; p=0,017) e peso para a idade (r=0,654; p=0,004). No entanto não verificámos associação com Índice de MG e IMLG. No que diz respeito ao aporte energético, apenas 31% dos doentes tiveram um aporte adequado. O consumo médio de proteína foi de 17% da energia (2,8 g/Kg peso corporal), de glícidos 51% e de lípidos 32%. Houve um baixo consumo de proteína, lípidos (ácidos gordos polinsaturados e monoinsaturados), fibra, vitamina D, vitamina E, folatos e potássio; Consumo adequado de glícidos, vitamina A, vitaminas do complexo B (com exceção do folato), vitamina C, ferro, cálcio, fósforo, magnésio e zinco; Alto consumo de açúcares e gorduras saturadas. Não foram encontradas associações significativas entre a ingestão alimentar e o estado nutricional ou a função pulmonar. Conclusão: Apesar dos doentes não cumprirem algumas recomendações dietéticas, a maioria apresentava-se em eutrofia segundo segundo o IMC. No entanto, os valores de MG encontravam-se maioritariamente abaixo do recomendado, reforçando a importância da avaliação da composição corporal uma vez que o IMC não é um marcador sensível a estas alterações. Existe uma relação positiva entre o estado nutricional e a função pulmonar.
Main Authors:Matos, Mariana Alexandre de
Subject:Fibrose quística Pediatria Estado nutricional Ingestão nutricional Função pulmonar Teses de mestrado - 2024
Year:2024
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:Introdução: A Fibrose Quística (FQ) é uma doença genética autossómica recessiva, caracterizada por inflamação multisistémica permanente. A otimização do cuidado nutricional tem sido um foco de cuidado em doentes com FQ, uma vez que a desnutrição está associada a pior função pulmonar, comprometimento imunológico, crescimento prejudicado, diminuição da qualidade e expectativa de vida. O objetivo deste estudo foi avaliar e caracterizar o estado nutricional, a adequação da ingestão alimentar e função pulmonar em crianças e adolescentes portadores de FQ. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, analítico, transversal que incluiu crianças com idade inferior a 18 anos. A avaliação nutricional compreendeu a recolha da história clínica (tipo de mutação, terapêutica farmacológica e nutricional, FEV1 e parâmetros séricos), de avaliação da ingestão nutricional, avaliada por registo de 3 dias, e de dados antropométricos (Índice de Massa Corporal (IMC), perímetro braquial e prega cutânea tricipital) para cálculo o da Massa Gorda (MG) e Índice de Massa Livre de Gordura (IMLG). Foram estudadas as associações entre as variáveis estabelecendo um nível de significância de 95%. Resultados: Referente ao IMC, 91,3% encontrava-se em eutrofia, 4,3% apresentou magreza e 4,3% magreza severa. Apenas 16% se encontravam acima do Percentil 25 de MG, com 32% abaixo do Percentil 5. A maioria (79%) apresentava valores adequados do IMLG e valores baixos do Índice de MG (59%). Relativamente à função pulmonar 76% apresentava valores de FEV1≥ 70%. Valores superiores de %FEV1 foram associados a valores superiores de Z-score de IMC (r=0,593; p= 0,012), altura para a idade (r=0,569; p=0,017) e peso para a idade (r=0,654; p=0,004). No entanto não verificámos associação com Índice de MG e IMLG. No que diz respeito ao aporte energético, apenas 31% dos doentes tiveram um aporte adequado. O consumo médio de proteína foi de 17% da energia (2,8 g/Kg peso corporal), de glícidos 51% e de lípidos 32%. Houve um baixo consumo de proteína, lípidos (ácidos gordos polinsaturados e monoinsaturados), fibra, vitamina D, vitamina E, folatos e potássio; Consumo adequado de glícidos, vitamina A, vitaminas do complexo B (com exceção do folato), vitamina C, ferro, cálcio, fósforo, magnésio e zinco; Alto consumo de açúcares e gorduras saturadas. Não foram encontradas associações significativas entre a ingestão alimentar e o estado nutricional ou a função pulmonar. Conclusão: Apesar dos doentes não cumprirem algumas recomendações dietéticas, a maioria apresentava-se em eutrofia segundo segundo o IMC. No entanto, os valores de MG encontravam-se maioritariamente abaixo do recomendado, reforçando a importância da avaliação da composição corporal uma vez que o IMC não é um marcador sensível a estas alterações. Existe uma relação positiva entre o estado nutricional e a função pulmonar.