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Gestão de consumos de energia na indústria: análise crítica e contributos para a reformulação do SGCIE

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Resumo:A eficiência energética é uma matéria que tem vindo a assumir maior relevância na sociedade, face aos compromissos internacionais no combate ao desperdício de energia e às alterações climáticas. Neste contexto, o Governo Português avançou com um regulamento de Eficiência Energética mandatório destinado ao sector Industrial, logo em 1982, denominado por Regulamento da Gestão do Consumo de Energia (RGCE), que tem vindo a ser acompanhado e actualizado até aos dias de hoje, sendo actualmente denominado por Sistema de Gestão dos Consumos Intensivos de Energia (SGCIE) com a sua última revisão e actualização sido feita em Janeiro de 2013. O SGCIE comporta uma diversidade de intervenientes, com formações, ambições, prioridades e pontos de vista distintos, o que se traduz numa divergência de opiniões quanto à real eficácia do regulamento. Esta dissertação tem como objectivo principal analisar a evolução e efeito do regulamento, através da análise de dois casos de estudo reais e do benchmarking de políticas equivalentes de outros países. Os resultados e conclusões dos casos de estudo, bem como as entrevistas realizadas a parte dos intervenientes de todo o processo, permitem revelar algumas lacunas e pontos-críticos do regulamento. É apresentada informação minimamente detalhada relativa às políticas de eficiência energética na indústria do Reino Unido e Holanda, e informação mais generalizada de políticas de outros países. Desta forma, foi possível fazer uma comparação do funcionamento do SGCIE e respectivos pontos-críticos com outras políticas internacionais análogas. Pretendendo-se com isso, transportar de forma adequada e adaptada para o sistema Português, as soluções que as diversas políticas internacionais apresentam para esses pontos-críticos. Os resultados obtidos neste benchmarking levam à conclusão de que alguns dos pontos-críticos apontados ao SGCIE são comuns às políticas internacionais análogas, no entanto, estas apresentam um funcionamento mais saudável como resultado da melhor relação entre os governos e indústria, devido à existência de entidades intermédias como associações industriais sectoriais. Conclui-se, desta forma, que o melhoramento do SGCIE poderá passar pela introdução destas terceiras entidades em substituição ou actualização de uma ADENE multissectorial e relativamente próxima da entidade fiscalizadora, a DGEG, bem como pela criação de metas colectivas, adaptadas e mesuráveis por sector à responsabilidade da respectiva associação, em alternativa às metas fixas por instalação. A criação de mecanismos que permitam a introdução do modelo ESCO e de princípios de M&V (Medição e Verificação), no esquema de auditoria e acompanhamento de resultados do SGCIE, será também uma mais-valia no sentido em que os resultados obtidos serão quantificados em custos e consumos evitados reais, bem como com um menor nível de incerteza. A competência dos técnicos auditores deverá também ser garantida através de qualificações adequadas no âmbito dos princípios de M&V.
Autores principais:Silva, Mário André Gomes
Assunto:Eficiência energética Indústria Política energética SGCIE Teses de mestrado - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A eficiência energética é uma matéria que tem vindo a assumir maior relevância na sociedade, face aos compromissos internacionais no combate ao desperdício de energia e às alterações climáticas. Neste contexto, o Governo Português avançou com um regulamento de Eficiência Energética mandatório destinado ao sector Industrial, logo em 1982, denominado por Regulamento da Gestão do Consumo de Energia (RGCE), que tem vindo a ser acompanhado e actualizado até aos dias de hoje, sendo actualmente denominado por Sistema de Gestão dos Consumos Intensivos de Energia (SGCIE) com a sua última revisão e actualização sido feita em Janeiro de 2013. O SGCIE comporta uma diversidade de intervenientes, com formações, ambições, prioridades e pontos de vista distintos, o que se traduz numa divergência de opiniões quanto à real eficácia do regulamento. Esta dissertação tem como objectivo principal analisar a evolução e efeito do regulamento, através da análise de dois casos de estudo reais e do benchmarking de políticas equivalentes de outros países. Os resultados e conclusões dos casos de estudo, bem como as entrevistas realizadas a parte dos intervenientes de todo o processo, permitem revelar algumas lacunas e pontos-críticos do regulamento. É apresentada informação minimamente detalhada relativa às políticas de eficiência energética na indústria do Reino Unido e Holanda, e informação mais generalizada de políticas de outros países. Desta forma, foi possível fazer uma comparação do funcionamento do SGCIE e respectivos pontos-críticos com outras políticas internacionais análogas. Pretendendo-se com isso, transportar de forma adequada e adaptada para o sistema Português, as soluções que as diversas políticas internacionais apresentam para esses pontos-críticos. Os resultados obtidos neste benchmarking levam à conclusão de que alguns dos pontos-críticos apontados ao SGCIE são comuns às políticas internacionais análogas, no entanto, estas apresentam um funcionamento mais saudável como resultado da melhor relação entre os governos e indústria, devido à existência de entidades intermédias como associações industriais sectoriais. Conclui-se, desta forma, que o melhoramento do SGCIE poderá passar pela introdução destas terceiras entidades em substituição ou actualização de uma ADENE multissectorial e relativamente próxima da entidade fiscalizadora, a DGEG, bem como pela criação de metas colectivas, adaptadas e mesuráveis por sector à responsabilidade da respectiva associação, em alternativa às metas fixas por instalação. A criação de mecanismos que permitam a introdução do modelo ESCO e de princípios de M&V (Medição e Verificação), no esquema de auditoria e acompanhamento de resultados do SGCIE, será também uma mais-valia no sentido em que os resultados obtidos serão quantificados em custos e consumos evitados reais, bem como com um menor nível de incerteza. A competência dos técnicos auditores deverá também ser garantida através de qualificações adequadas no âmbito dos princípios de M&V.