Publicação
Importações púnicas no Algarve: cronologia e significado
| Resumo: | Em vários sítios do litoral algarvio existem dados que evidenciam relações estreitas entre esta região e o que, convencionalmente, se designa por área púnica. Neste trabalho apresentam-se esses dados. dando-se particular atenção aos que eu própria pude recolher nas escavações que tenho vindo a dirigir no Castelo de Castro Marim. Os numerosos materiais importados obtidos nesses trabalhos arqueológicos serão analisados à luz dos seus possíveis centros produtores, tendo-se tentado relacionar os resultados com o âmbito comercial dessas importações. As características morfológicas e físicas das numerosas ânforas recolhidas em Castro Marim mostram como as relações entre o mundo «punicizante» e o Sul português se materializaram em importações de produtos alimentares, importações essas que decorreram entre o século V e o inícios do século III a.C. Com este mesmo âmbito cronológico, cerâmicas de mesa, fabricadas no Norte de África e na região meridional espanhola, chegaram ao actual Algarve. parecendo também evidente que o abastecimento da cerâmica ática aos sítios algarvios deve relacionar-se com o papel que Cádiz representou na gestão do comércio ocidental, durante toda a Idade do Ferro. A análise dos dados tornou, também, claro como as relações comerciais estabelecidas durante a 2.ª metade do I milénio a.C. estão, afinal, na continuidade da actividade comercial desenvolvida, num momento imediatamente anterior, entre o litoral algarvio e os centros fenícios ocidentais. Apesar de estar absolutamente consciente da ambiguidade de que se reveste o conceito de «púnico», ele foi utilizado neste trabalho num sentido eminentemente cronológico, referindo-me pois aqui às áreas do Mediterrâneo Central e Ocidental locadas pelas colonizações fenícia e cartaginesa, num período posterior ao final do século VI a.C. Assim. mesmo sabendo que não deve falar-se de colonos cartagineses no litoral de Málaga e Granadaou mesmo em Gadir, em época pré-bárcida, usei, no entanto, o termo púnico para me referir também a essas regiões e às suas produções cerâmicas da segunda metade do I.º milénio a .C. |
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| Autores principais: | Arruda, Ana Margarida |
| Ano: | 2001 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Em vários sítios do litoral algarvio existem dados que evidenciam relações estreitas entre esta região e o que, convencionalmente, se designa por área púnica. Neste trabalho apresentam-se esses dados. dando-se particular atenção aos que eu própria pude recolher nas escavações que tenho vindo a dirigir no Castelo de Castro Marim. Os numerosos materiais importados obtidos nesses trabalhos arqueológicos serão analisados à luz dos seus possíveis centros produtores, tendo-se tentado relacionar os resultados com o âmbito comercial dessas importações. As características morfológicas e físicas das numerosas ânforas recolhidas em Castro Marim mostram como as relações entre o mundo «punicizante» e o Sul português se materializaram em importações de produtos alimentares, importações essas que decorreram entre o século V e o inícios do século III a.C. Com este mesmo âmbito cronológico, cerâmicas de mesa, fabricadas no Norte de África e na região meridional espanhola, chegaram ao actual Algarve. parecendo também evidente que o abastecimento da cerâmica ática aos sítios algarvios deve relacionar-se com o papel que Cádiz representou na gestão do comércio ocidental, durante toda a Idade do Ferro. A análise dos dados tornou, também, claro como as relações comerciais estabelecidas durante a 2.ª metade do I milénio a.C. estão, afinal, na continuidade da actividade comercial desenvolvida, num momento imediatamente anterior, entre o litoral algarvio e os centros fenícios ocidentais. Apesar de estar absolutamente consciente da ambiguidade de que se reveste o conceito de «púnico», ele foi utilizado neste trabalho num sentido eminentemente cronológico, referindo-me pois aqui às áreas do Mediterrâneo Central e Ocidental locadas pelas colonizações fenícia e cartaginesa, num período posterior ao final do século VI a.C. Assim. mesmo sabendo que não deve falar-se de colonos cartagineses no litoral de Málaga e Granadaou mesmo em Gadir, em época pré-bárcida, usei, no entanto, o termo púnico para me referir também a essas regiões e às suas produções cerâmicas da segunda metade do I.º milénio a .C. |
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