Publicação
Estudo do tratamento mecânico-biológico de resíduos sólidos urbanos
| Resumo: | Desde tempos muito longínquos que o homem desfaz-se dos resíduos que produz, abandonando-os sem qualquer tipo de tratamento. Até ao início do seculo XX os métodos utilizados para a sua eliminação consistiam na deposição em lixeiras sem qualquer tipo de consciência ambiental. Em face dessa situação Portugal conseguiu eliminar todas as lixeiras, no final do século passado, através de aterros sanitários, com controlo das emissões gasosas e dos efluentes líquidos, que atualmente servem cerca de 60 % do lixo nacional. A deposição em aterro tem permitido garantir o controlo sanitário e ambiental do lixo e ainda tem permitido instalar geradores alimentados a biogás com mais de 20? MW de potência. Contudo hoje em dia a deposição de resíduos orgânicos em aterros está a ser progressivamente limitada pela Diretiva Europeia 1999/31/CE, que Portugal adotou, deixando de ser uma solução para qualquer estratégia de gestão de resíduos sólidos urbanos. Esta diretiva implica que a matéria orgânica deve ser separada previamente do lixo, requerendo a separação e triagem na origem. Contudo, dado que a implementação duma recolha seletiva demora tempo e envolve a colaboração do público, as autoridades portuguesas decidiram, para poder respeitar os compromissos, proceder à implementação do chamado Tratamento Mecânico-Biológico (TMB) que tem sido a solução mais desenvolvida e cada vez mais aplicada em Portugal, neste últimos anos. Esta solução não é isenta de críticas, pois as frações separadas do lixo proveniente do TMB não tem a mesma qualidade que o que é separado na origem, exige maquinaria dispendiosa, gasta energia avultada e necessita de manutenção. Neste estudo é analisado uma unidade de tratamento muito completa ainda em construção, onde são descritos todos os equipamentos e processos que a compõe. Foram recolhidos dados sobre as composições físicas dos RSU de todas as UTMB nacionais a fim de calcular a quantidade de resíduos recuperados para reciclagem. É analisado também a contribuição deste tipo de tratamento para o alcance das metas de reciclagem e de desvio de deposição em aterro dos resíduos, impostas pela União Europeia, considerando que nenhuma nova UTMB viria a ser construída. Conclui-se que as UTMB desempenham um papel importante na gestão de resíduos, mas a sua contribuição não é suficiente para atingir as metas propostas e implica grandes investimentos. Numa sociedade a procura da sustentabilidade, a separação na origem e a participação do cidadão são a forma mais eficaz para se atingir esta finalidade. A inserção de tratamentos de fim de linha como os UTMB, embora necessários numa determinada fase da evolução do tratamento dos resíduos, são uma solução a evitar. |
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| Autores principais: | Lima, Naraiana Sá |
| Assunto: | Tratamento mecânico-biológico Gestão de resíduos sólidos urbanos Reciclagem Aterro Teses de mestrado - 2014 |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Desde tempos muito longínquos que o homem desfaz-se dos resíduos que produz, abandonando-os sem qualquer tipo de tratamento. Até ao início do seculo XX os métodos utilizados para a sua eliminação consistiam na deposição em lixeiras sem qualquer tipo de consciência ambiental. Em face dessa situação Portugal conseguiu eliminar todas as lixeiras, no final do século passado, através de aterros sanitários, com controlo das emissões gasosas e dos efluentes líquidos, que atualmente servem cerca de 60 % do lixo nacional. A deposição em aterro tem permitido garantir o controlo sanitário e ambiental do lixo e ainda tem permitido instalar geradores alimentados a biogás com mais de 20? MW de potência. Contudo hoje em dia a deposição de resíduos orgânicos em aterros está a ser progressivamente limitada pela Diretiva Europeia 1999/31/CE, que Portugal adotou, deixando de ser uma solução para qualquer estratégia de gestão de resíduos sólidos urbanos. Esta diretiva implica que a matéria orgânica deve ser separada previamente do lixo, requerendo a separação e triagem na origem. Contudo, dado que a implementação duma recolha seletiva demora tempo e envolve a colaboração do público, as autoridades portuguesas decidiram, para poder respeitar os compromissos, proceder à implementação do chamado Tratamento Mecânico-Biológico (TMB) que tem sido a solução mais desenvolvida e cada vez mais aplicada em Portugal, neste últimos anos. Esta solução não é isenta de críticas, pois as frações separadas do lixo proveniente do TMB não tem a mesma qualidade que o que é separado na origem, exige maquinaria dispendiosa, gasta energia avultada e necessita de manutenção. Neste estudo é analisado uma unidade de tratamento muito completa ainda em construção, onde são descritos todos os equipamentos e processos que a compõe. Foram recolhidos dados sobre as composições físicas dos RSU de todas as UTMB nacionais a fim de calcular a quantidade de resíduos recuperados para reciclagem. É analisado também a contribuição deste tipo de tratamento para o alcance das metas de reciclagem e de desvio de deposição em aterro dos resíduos, impostas pela União Europeia, considerando que nenhuma nova UTMB viria a ser construída. Conclui-se que as UTMB desempenham um papel importante na gestão de resíduos, mas a sua contribuição não é suficiente para atingir as metas propostas e implica grandes investimentos. Numa sociedade a procura da sustentabilidade, a separação na origem e a participação do cidadão são a forma mais eficaz para se atingir esta finalidade. A inserção de tratamentos de fim de linha como os UTMB, embora necessários numa determinada fase da evolução do tratamento dos resíduos, são uma solução a evitar. |
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