Publicação
Estudos de metabolismo in vitro de extractos aquosos de Plectranthus barbatus: aplicações terapêuticas na doença de Alzheimer
| Resumo: | A procura de compostos naturais com capacidade de inibir a AChE e com elevado poder antioxidante é um tema bastante estudado, uma vez que presentemente este é um dos processos terapêuticos mais utilizados para minorar os sintomas dos doentes AD. Neste trabalho realizou-se um estudo das actividades biológicas e do metabolismo in vitro do extracto aquoso de P. barbatus, uma planta da família Lamiaceae bastante utilizada pelas populações das regiões onde é abundante. Esta planta é rica em compostos fenólicos como o ácido rosmarínico e a escutelareína 4’-metil éter 7-O-glucurónido, que lhe conferem actividade antioxidante, e em terpenóides como o (16S)-coleon E que tem actividade como inibidor da AChE. Os resultados obtidos mostraram que o extracto aquoso de P. barbatus possui alguma capacidade inibitória da AChE e elevada actividade antioxidante. A concentração de extracto aquoso responsável pela inibição de 50% da actividade da AChE (IC50) calculada foi 1005± 24 µg/mL. O EC50 calculado para o extracto aquoso, ou seja, a concentração de extracto aquoso correspondente a 50% de extinção do radical DPPH foi 13,19± 0,26 µg/mL. Também foi possível identificar a estrutura de dois dos compostos do extracto aquoso de P. barbatus. Por análise dos espectros de massa e por comparação com a literatura, concluiu-se que um dos compostos será provavelmente a luteolina 7-O-glucurónido e que outro composto deverá ser a apigenina 7-O-glucurónido. Concluiu-se, por experiências in vitro, que o extracto aquoso sofre alterações bastante relevantes ao longo do metabolismo. Durante a digestão com o suco pancreático artificial houve uma degradação de aproximadamente 30% do ácido rosmarínico e observou-se formação de um composto não identificado, a qual foi acompanhada pela diminuição de outro composto não identificado. A identificação da estrutura destes compostos está ainda a decorrer no laboratório. A reacção com a β-glucuronidase de E. coli resultou na perda da componente glicídica dos conjugados de flavonóides, havendo degradação da luteolina 7-O-glucurónido, apigenina 7-O-glucurónido e da escutelareína 4’-metil éter 7-O-glucurónido. A nível celular, constatou-se que concentrações de extracto aquoso superiores a 1 mg/mL são tóxicas para as células Caco-2 e que os compostos do extracto não penetram no interior das mesmas, pelo que não deverão ser capazes de atravessar o epitélio intestinal. Por outro lado, não se registaram alterações ao cromatograma de P. barbatus após a digestão com homogenato de células Caco-2, o que indica que este não deverá conter os enzimas necessários à metabolização do extracto aquoso. Finalmente, observou-se que não ocorreu glucuronidação de nenhum dos compostos do extracto aquoso na presença de extracto de fígado de ratinho, embora as reacções com padrões de quercetina e luteolina tenham sido frutíferas. |
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| Autores principais: | Porfírio, Sara Alexandra Pedras |
| Assunto: | P. barbatus Doença de Alzheimer (AD) Metabolismo in vitro Acetilcolinesterase (AChE) Actividade antioxidante Compostos fenólicos Teses de mestrado - 2009 |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A procura de compostos naturais com capacidade de inibir a AChE e com elevado poder antioxidante é um tema bastante estudado, uma vez que presentemente este é um dos processos terapêuticos mais utilizados para minorar os sintomas dos doentes AD. Neste trabalho realizou-se um estudo das actividades biológicas e do metabolismo in vitro do extracto aquoso de P. barbatus, uma planta da família Lamiaceae bastante utilizada pelas populações das regiões onde é abundante. Esta planta é rica em compostos fenólicos como o ácido rosmarínico e a escutelareína 4’-metil éter 7-O-glucurónido, que lhe conferem actividade antioxidante, e em terpenóides como o (16S)-coleon E que tem actividade como inibidor da AChE. Os resultados obtidos mostraram que o extracto aquoso de P. barbatus possui alguma capacidade inibitória da AChE e elevada actividade antioxidante. A concentração de extracto aquoso responsável pela inibição de 50% da actividade da AChE (IC50) calculada foi 1005± 24 µg/mL. O EC50 calculado para o extracto aquoso, ou seja, a concentração de extracto aquoso correspondente a 50% de extinção do radical DPPH foi 13,19± 0,26 µg/mL. Também foi possível identificar a estrutura de dois dos compostos do extracto aquoso de P. barbatus. Por análise dos espectros de massa e por comparação com a literatura, concluiu-se que um dos compostos será provavelmente a luteolina 7-O-glucurónido e que outro composto deverá ser a apigenina 7-O-glucurónido. Concluiu-se, por experiências in vitro, que o extracto aquoso sofre alterações bastante relevantes ao longo do metabolismo. Durante a digestão com o suco pancreático artificial houve uma degradação de aproximadamente 30% do ácido rosmarínico e observou-se formação de um composto não identificado, a qual foi acompanhada pela diminuição de outro composto não identificado. A identificação da estrutura destes compostos está ainda a decorrer no laboratório. A reacção com a β-glucuronidase de E. coli resultou na perda da componente glicídica dos conjugados de flavonóides, havendo degradação da luteolina 7-O-glucurónido, apigenina 7-O-glucurónido e da escutelareína 4’-metil éter 7-O-glucurónido. A nível celular, constatou-se que concentrações de extracto aquoso superiores a 1 mg/mL são tóxicas para as células Caco-2 e que os compostos do extracto não penetram no interior das mesmas, pelo que não deverão ser capazes de atravessar o epitélio intestinal. Por outro lado, não se registaram alterações ao cromatograma de P. barbatus após a digestão com homogenato de células Caco-2, o que indica que este não deverá conter os enzimas necessários à metabolização do extracto aquoso. Finalmente, observou-se que não ocorreu glucuronidação de nenhum dos compostos do extracto aquoso na presença de extracto de fígado de ratinho, embora as reacções com padrões de quercetina e luteolina tenham sido frutíferas. |
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