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Determinantes sociais e psicológicos do comportamento alimentar infantil

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A redução da taxa de crescimento da obesidade infantil é um dos principais objetivos de saúde, a nível nacional e internacional, o que reforça a importância da aquisição de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos da infância. Uma vasta evidência empírica aponta para a influência de uma multiplicidade de determinantes do comportamento alimentar infantil, sendo contudo necessário aprofundar o conhecimento do processo de influência destes fatores, em particular dos psicológicos e sociais. Com este objetivo foram realizados dois estudos. No primeiro estudo, observacional, transversal e analítico, recorreu-se a uma amostra de 231 crianças dos jardins-de-infância oficiais da zona Norte de Loures e respetivos pais. Todas as crianças foram pesadas e medidas para a determinação do IMC. As preferências alimentares foram avaliadas diretamente com as crianças, tendo-se utilizado uma adaptação do Rank Order Preference Assessment. Foi utilizado o Caregiver’s Feeding Style Questionnaire para a avaliação dos estilos parentais e o General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults para o conhecimento nutricional dos pais. As restantes variáveis cognitivas dos pais, o tempo de televisão e os hábitos alimentares das crianças foram também avaliados por questionários preenchidos pelos pais. O tempo de visionamento de televisão, as preferências alimentares da criança, a dimensão de responsividade parental e a atribuição parental de controlo foram identificados como preditores dos hábitos alimentares das crianças. O conhecimento nutricional e a autoeficácia parental, embora não acrescentem valor preditivo ao modelo, apresentam-se positivamente correlacionados com a qualidade dos hábitos alimentares. O conhecimento nutricional apresentou-se correlacionado com as atribuições parentais de controlo e de autoeficácia e com as características demográficas (idade, profissão e nível de escolaridade). A subavaliação do peso é significativamente maior nos pais de crianças obesas e pré-obesas do que nos pais de crianças com peso normal, sendo a perceção parental de peso a única característica que se mostrou significativamente associada ao IMC. A análise das relações entre algumas das variáveis cognitivas parentais permitiu concluir que a atribuição parental de autoeficácia e a perceção de controlo estão correlacionadas entre si, e apresentam correlações negativas com a preocupação parental com o peso. O segundo estudo, exploratório, e com recurso a análise de conteúdo, teve como objetivo identificar as significações parentais relacionadas com a alimentação infantil. Foram entrevistados 26 pais, selecionados intencionalmente da amostra do primeiro estudo. Os pais consideraram as suas ações como um determinante importante da alimentação saudável da criança, embora muitos refiram também as preferências alimentares inatas da criança. Os pais identificaram consequências físicas e psicológicas de uma alimentação e peso saudáveis. As barreiras a uma alimentação saudável mais referidas foram as influências de outros familiares, o marketing e o contexto socioeconómico. Para promover a alimentação saudável da criança os pais referiram tanto estratégias adequadas como inadequadas. Muitos dos pais consideraram que os comportamentos alimentares dos filhos resultam da coordenação da vontade parental com outros determinantes alimentares ou com outros objetivos parentais. Das conclusões do presente trabalho salienta-se a importância das variáveis psicológicas, e em particular das variáveis cognitivas parentais, na determinação dos comportamentos alimentares saudáveis da criança, as quais deverão ser integradas em intervenções futuras.
Autores principais:Andrade, Maria da Graça Massano de Amorim de Mavigné, 1961-
Assunto:Teses de doutoramento - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A redução da taxa de crescimento da obesidade infantil é um dos principais objetivos de saúde, a nível nacional e internacional, o que reforça a importância da aquisição de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos da infância. Uma vasta evidência empírica aponta para a influência de uma multiplicidade de determinantes do comportamento alimentar infantil, sendo contudo necessário aprofundar o conhecimento do processo de influência destes fatores, em particular dos psicológicos e sociais. Com este objetivo foram realizados dois estudos. No primeiro estudo, observacional, transversal e analítico, recorreu-se a uma amostra de 231 crianças dos jardins-de-infância oficiais da zona Norte de Loures e respetivos pais. Todas as crianças foram pesadas e medidas para a determinação do IMC. As preferências alimentares foram avaliadas diretamente com as crianças, tendo-se utilizado uma adaptação do Rank Order Preference Assessment. Foi utilizado o Caregiver’s Feeding Style Questionnaire para a avaliação dos estilos parentais e o General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults para o conhecimento nutricional dos pais. As restantes variáveis cognitivas dos pais, o tempo de televisão e os hábitos alimentares das crianças foram também avaliados por questionários preenchidos pelos pais. O tempo de visionamento de televisão, as preferências alimentares da criança, a dimensão de responsividade parental e a atribuição parental de controlo foram identificados como preditores dos hábitos alimentares das crianças. O conhecimento nutricional e a autoeficácia parental, embora não acrescentem valor preditivo ao modelo, apresentam-se positivamente correlacionados com a qualidade dos hábitos alimentares. O conhecimento nutricional apresentou-se correlacionado com as atribuições parentais de controlo e de autoeficácia e com as características demográficas (idade, profissão e nível de escolaridade). A subavaliação do peso é significativamente maior nos pais de crianças obesas e pré-obesas do que nos pais de crianças com peso normal, sendo a perceção parental de peso a única característica que se mostrou significativamente associada ao IMC. A análise das relações entre algumas das variáveis cognitivas parentais permitiu concluir que a atribuição parental de autoeficácia e a perceção de controlo estão correlacionadas entre si, e apresentam correlações negativas com a preocupação parental com o peso. O segundo estudo, exploratório, e com recurso a análise de conteúdo, teve como objetivo identificar as significações parentais relacionadas com a alimentação infantil. Foram entrevistados 26 pais, selecionados intencionalmente da amostra do primeiro estudo. Os pais consideraram as suas ações como um determinante importante da alimentação saudável da criança, embora muitos refiram também as preferências alimentares inatas da criança. Os pais identificaram consequências físicas e psicológicas de uma alimentação e peso saudáveis. As barreiras a uma alimentação saudável mais referidas foram as influências de outros familiares, o marketing e o contexto socioeconómico. Para promover a alimentação saudável da criança os pais referiram tanto estratégias adequadas como inadequadas. Muitos dos pais consideraram que os comportamentos alimentares dos filhos resultam da coordenação da vontade parental com outros determinantes alimentares ou com outros objetivos parentais. Das conclusões do presente trabalho salienta-se a importância das variáveis psicológicas, e em particular das variáveis cognitivas parentais, na determinação dos comportamentos alimentares saudáveis da criança, as quais deverão ser integradas em intervenções futuras.