Publicação
Necessidades de formulações individualizadas
| Resumo: | Apesar de a preparação de medicamentos manipulados (MM) ser a atividade original desenvolvida pelos Farmacêuticos, acabou por ser um pouco abandonada com a introdução da industrialização no setor farmacêutico em meados do século passado. Contudo, a Indústria Farmacêutica não conseguiu ainda cobrir todas as necessidades terapêuticas existentes, tomando os medicamentos manipulados um papel de destaque no que concerne ao tratamento de determinadas patologias e especificidades de alguns grupos. Entre estes está a Pediatria, para a qual muitas vezes não existem especialidades farmacêuticas e doses adequadas, devido à dificuldade na realização de ensaios clínicos; a Geriatria, cujos indivíduos apresentam diversas vezes co-morbilidades, necessitando de ajustes na dose, e muitas vezes, também na via de administração; e os indivíduos portadores de doenças raras, carecendo de medicamentos órfãos, que por sua vez não representam um grande interesse para a Indústria Farmacêutica. Também em áreas como a Dermatologia, Oftalmologia e Oncologia, a produção de medicamentos manipulados é imprescindível e fundamental, permitindo a produção de formulações individualizadas de acordo com as necessidades específicas de cada doente/utente. Os medicamentos manipulados permitem personalizar dosagens e formas farmacêuticas, bem como mascarar características organoléticas desfavoráveis ou substituir um excipiente para o qual o indivíduo apresente intolerância. Podem também criar-se formas farmacêuticas contendo associações de substâncias ativas (“polypill”), o que é particularmente útil em doentes polimedicados. Os MM continuam assim a apresentar-se como uma ferramenta muito importante no que à individualização da terapêutica se refere. Recentemente, têm sido desenvolvidas novas tecnologias que permitem a individualização da medicação, como a impressão tridimensional (3D) de medicamentos, que possibilita a produção de formas sólidas de diversas dimensões e geometrias, e a medicina personalizada, cujo objetivo é utilizar o perfil molecular e genético do indivíduo para obter um melhor desempenho no tratamento medicamentoso. Estas áreas encontram-se ainda em desenvolvimento, mas já demonstraram um grande potencial na personalização da terapêutica, requerendo agora de incentivos por parte das entidades reguladoras e dos governos. |
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| Autores principais: | Branca, Beatriz Santos Rodrigues da |
| Assunto: | Formulações individualizadas Medicamentos manipulados Medicina personalizada. Mestrado Integrado - 2019 |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Apesar de a preparação de medicamentos manipulados (MM) ser a atividade original desenvolvida pelos Farmacêuticos, acabou por ser um pouco abandonada com a introdução da industrialização no setor farmacêutico em meados do século passado. Contudo, a Indústria Farmacêutica não conseguiu ainda cobrir todas as necessidades terapêuticas existentes, tomando os medicamentos manipulados um papel de destaque no que concerne ao tratamento de determinadas patologias e especificidades de alguns grupos. Entre estes está a Pediatria, para a qual muitas vezes não existem especialidades farmacêuticas e doses adequadas, devido à dificuldade na realização de ensaios clínicos; a Geriatria, cujos indivíduos apresentam diversas vezes co-morbilidades, necessitando de ajustes na dose, e muitas vezes, também na via de administração; e os indivíduos portadores de doenças raras, carecendo de medicamentos órfãos, que por sua vez não representam um grande interesse para a Indústria Farmacêutica. Também em áreas como a Dermatologia, Oftalmologia e Oncologia, a produção de medicamentos manipulados é imprescindível e fundamental, permitindo a produção de formulações individualizadas de acordo com as necessidades específicas de cada doente/utente. Os medicamentos manipulados permitem personalizar dosagens e formas farmacêuticas, bem como mascarar características organoléticas desfavoráveis ou substituir um excipiente para o qual o indivíduo apresente intolerância. Podem também criar-se formas farmacêuticas contendo associações de substâncias ativas (“polypill”), o que é particularmente útil em doentes polimedicados. Os MM continuam assim a apresentar-se como uma ferramenta muito importante no que à individualização da terapêutica se refere. Recentemente, têm sido desenvolvidas novas tecnologias que permitem a individualização da medicação, como a impressão tridimensional (3D) de medicamentos, que possibilita a produção de formas sólidas de diversas dimensões e geometrias, e a medicina personalizada, cujo objetivo é utilizar o perfil molecular e genético do indivíduo para obter um melhor desempenho no tratamento medicamentoso. Estas áreas encontram-se ainda em desenvolvimento, mas já demonstraram um grande potencial na personalização da terapêutica, requerendo agora de incentivos por parte das entidades reguladoras e dos governos. |
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