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A strongiloidose em indivíduos infetados com HIV: influência da patogénese na clínica, imunologia, tratamento e prevenção

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Resumo:A strongiloidose, infeção causada pelo parasita Strongyloides stercoralis, representa um perigo para a saúde pública estimando-se que 30-100 milhões de pessoas são infetadas a nível mundial. A doença é transmitida através da penetração direta na pele humana pelas larvas quando em contato com o solo contaminado. A peculiaridade deste parasita é que algumas das suas larvas não são excretadas, mas reinvadem o intestino ou a pele perianal para perpetuar a infeção, este processo designa-se como ciclo de autoinfeção. O processo de autoinfeção em indivíduos com o sistema imunitário comprometido pode resultar em hiperinfeção e infeção disseminada estando associados a uma elevada mortalidade. A infeção pelo HIV compromete o sistema imunitário, sendo um dos grandes problemas da saúde pública, aproximadamente 36.7 milhões de pessoas vivem com o vírus mundialmente. Aliando a strongiloidose ao HIV seria expectável uma epidemia, embora muitos casos possam não ter sido reconhecidos, poucos casos foram descritos na literatura médica. Uma das causas poderá ser a resposta das Th2 na infeção por HIV. Normalmente, em doentes co-infectados com strongiloidose, a resposta das Th2 diminui, o que agrava a doença. Como na infeção por HIV esta resposta está conservada tal não se verifica. Como o vírus não prejudica especificamente a imunidade dos Th2, as causas de morte associada a esta co-infeção podem ser outras patologias concomitantes ou terapêuticas com fármacos que diminuem o bom funcionamento do sistema imunitário. Outro desafio é o diagnóstico da strongiloidose pois este não está padronizado. O procedimento mais comum envolve uma análise direta de amostras de fezes (métodos parasitológicos), porém nem sempre origina resultados positivos mesmo quando a doença está presente. Existindo métodos mais sensíveis e específicos como métodos imunológicos ou moleculares, não estando disponíveis onde o parasita é endémico dificulta o processo de identificação da doença. Para o tratamento da strongiloidose os fármacos disponíveis incluem a ivermectina, fármaco de eleição, albendazol e tiabendazol. Quando existe co-infeção com HIV é necessário ter atenção a possíveis interações entre a ivermectina, albendazol e tiabendazol com a terapêutica antirretroviral.
Autores principais:Rodrigues, Joana Filipa Batista
Assunto:Strongiloidose HIV Strongiloides strecoralis Imunologia Diagnóstico Tratamento Fatores de risco Hiperinfeção Infeção disseminada Mestrado Integrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A strongiloidose, infeção causada pelo parasita Strongyloides stercoralis, representa um perigo para a saúde pública estimando-se que 30-100 milhões de pessoas são infetadas a nível mundial. A doença é transmitida através da penetração direta na pele humana pelas larvas quando em contato com o solo contaminado. A peculiaridade deste parasita é que algumas das suas larvas não são excretadas, mas reinvadem o intestino ou a pele perianal para perpetuar a infeção, este processo designa-se como ciclo de autoinfeção. O processo de autoinfeção em indivíduos com o sistema imunitário comprometido pode resultar em hiperinfeção e infeção disseminada estando associados a uma elevada mortalidade. A infeção pelo HIV compromete o sistema imunitário, sendo um dos grandes problemas da saúde pública, aproximadamente 36.7 milhões de pessoas vivem com o vírus mundialmente. Aliando a strongiloidose ao HIV seria expectável uma epidemia, embora muitos casos possam não ter sido reconhecidos, poucos casos foram descritos na literatura médica. Uma das causas poderá ser a resposta das Th2 na infeção por HIV. Normalmente, em doentes co-infectados com strongiloidose, a resposta das Th2 diminui, o que agrava a doença. Como na infeção por HIV esta resposta está conservada tal não se verifica. Como o vírus não prejudica especificamente a imunidade dos Th2, as causas de morte associada a esta co-infeção podem ser outras patologias concomitantes ou terapêuticas com fármacos que diminuem o bom funcionamento do sistema imunitário. Outro desafio é o diagnóstico da strongiloidose pois este não está padronizado. O procedimento mais comum envolve uma análise direta de amostras de fezes (métodos parasitológicos), porém nem sempre origina resultados positivos mesmo quando a doença está presente. Existindo métodos mais sensíveis e específicos como métodos imunológicos ou moleculares, não estando disponíveis onde o parasita é endémico dificulta o processo de identificação da doença. Para o tratamento da strongiloidose os fármacos disponíveis incluem a ivermectina, fármaco de eleição, albendazol e tiabendazol. Quando existe co-infeção com HIV é necessário ter atenção a possíveis interações entre a ivermectina, albendazol e tiabendazol com a terapêutica antirretroviral.