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Uma verdade conveniente sobre os β-lactâmicos : caracterização das reacções adversas medicamentosas aos β-lactâmicos notificadas espontaneamente nos últimos 15 anos, entre 1 janeiro de 2000 a 31 dezembro de 2015

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Preâmbulo: As Reacções Adversas Medicamentosas (RAM’s) incluem todos os efeitos adversos relacionados com a administração de um fármaco. Estas incluem as reacções de hipersensibilidade, que se restringem às mediadas pelo sistema imunitário em pessoas sensíveis ao estímulo, descritas como 5 a 10% dos casos. Os antibióticos β-lactâmicos são o grupo de mais prescrito em Portugal, verificando-se que cerca de 10% da população refere ser alérgica à penicilina, quando no entanto cerca de 90% desses toleram a penicilina. Objectivos: Analisar e caracterizar detalhadamente as RAM’s notificadas espontaneamente de todos os β-lactâmicos entre 1 Janeiro de 2000 a 31 Dezembro de 2015 e diferenciar reacções alérgicas de outro tipo de reacções medicamentosas. Métodos: Estudo observacional retrospectivo da base de dados do SNF, inclui todos os casos de RAMs aos β-lactâmicos notificados entre 2000 e 2015. As RAMs foram agrupadas de acordo com a classificação MedDRA. Resultados: Houve 1674 casos de RAMs notificadas aos β-lactâmicos entre 2000 e 2015. Dos 1674 casos, 54% representam casos de reacções alérgicas e 46% casos de reacções não alérgicas. Dentro dos casos alérgicos a reacção mais frequente foi o rash. A percentagem de casos graves era sobreponível nos 2 grupos, cerca de 75%. A hospitalização também foi o critério de gravidade mais frequente entre os dois grupos. Contudo, a taxa de mortalidade foi maior no grupo dos casos não alérgicos com 4,5% em comparação aos 1,6% dos casos alérgicos. Já a percentagem de cura foi maior nos casos alérgicos em relação aos casos não alérgicos, 80,6% vs 63,1%. Já a via de administração mais associada com reacções alérgicas foi a via oral, com 46,9% dos casos. Conclusões: 5,8% do número total de notificações de RAMs entre 2000 e 2015 referiam-se aos β-lactâmicos, tendo sido a maioria delas relativas a reacções de alergia, possivelmente mais valorizadas pelos profissionais de saúde. Contudo, continua a ser importante referenciar estes casos para consultas de imunoalergologia de forma a identificar a sua sensibilidade aos β-lactâmicos.
Autores principais:Santos, Tânia Catarina Gomes dos, 1992-
Assunto:β-lactâmicos Reacção adversa medicamentosa Farmacovigilância Notificação espontânea de reacções adversas medicamentosas Reacções do tipo B Testes de imunossensibilidade a antibióticos
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Preâmbulo: As Reacções Adversas Medicamentosas (RAM’s) incluem todos os efeitos adversos relacionados com a administração de um fármaco. Estas incluem as reacções de hipersensibilidade, que se restringem às mediadas pelo sistema imunitário em pessoas sensíveis ao estímulo, descritas como 5 a 10% dos casos. Os antibióticos β-lactâmicos são o grupo de mais prescrito em Portugal, verificando-se que cerca de 10% da população refere ser alérgica à penicilina, quando no entanto cerca de 90% desses toleram a penicilina. Objectivos: Analisar e caracterizar detalhadamente as RAM’s notificadas espontaneamente de todos os β-lactâmicos entre 1 Janeiro de 2000 a 31 Dezembro de 2015 e diferenciar reacções alérgicas de outro tipo de reacções medicamentosas. Métodos: Estudo observacional retrospectivo da base de dados do SNF, inclui todos os casos de RAMs aos β-lactâmicos notificados entre 2000 e 2015. As RAMs foram agrupadas de acordo com a classificação MedDRA. Resultados: Houve 1674 casos de RAMs notificadas aos β-lactâmicos entre 2000 e 2015. Dos 1674 casos, 54% representam casos de reacções alérgicas e 46% casos de reacções não alérgicas. Dentro dos casos alérgicos a reacção mais frequente foi o rash. A percentagem de casos graves era sobreponível nos 2 grupos, cerca de 75%. A hospitalização também foi o critério de gravidade mais frequente entre os dois grupos. Contudo, a taxa de mortalidade foi maior no grupo dos casos não alérgicos com 4,5% em comparação aos 1,6% dos casos alérgicos. Já a percentagem de cura foi maior nos casos alérgicos em relação aos casos não alérgicos, 80,6% vs 63,1%. Já a via de administração mais associada com reacções alérgicas foi a via oral, com 46,9% dos casos. Conclusões: 5,8% do número total de notificações de RAMs entre 2000 e 2015 referiam-se aos β-lactâmicos, tendo sido a maioria delas relativas a reacções de alergia, possivelmente mais valorizadas pelos profissionais de saúde. Contudo, continua a ser importante referenciar estes casos para consultas de imunoalergologia de forma a identificar a sua sensibilidade aos β-lactâmicos.