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As assimetrias económicas na União Europeia, a migração intraeuropeia e a questão do Brexit

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Resumo:A União Europeia atravessa momentos de desafios variados e o risco de desfragmentação, depois dos britânicos terem votado em referendo pela saída do bloco em 2016. Neste trabalho, contudo, o objetivo será o de perceber até que ponto as disparidades económicas, de competitividade, crescimento e emprego entre os então 28 estados-membros da UE desempenharam um forte papel no aumento do euroceticismo britânico. Para tal, serão analisados discursos políticos, tomadas de decisão e um conjunto de dados que retratam o contexto económico não apenas britânico, como também de três estados-membros estruturalmente menos desenvolvidos que, ao mesmo tempo, registaram maiores fluxos de imigração para o Reino Unido: Portugal, Polónia e Roménia. Será ainda essencial olhar para o período entre 2004 e 2016, com especial enfoque para dois momentos: a partir de 2004, com o alargamento da UE, e de 2008 em diante, desde o início da crise económico-financeira. A dissertação desenvolve o facto das assimetrias económico-sociais entre os países membros do bloco terem conduzido a que, ao longo dos anos, fosse canalizada uma maior fatia do orçamento comunitário – financiado por todos os estados-membros consoante o Rendimento Nacional Bruto (RNB) – para os países menos desenvolvidos e, por outro lado, que muitos habitantes destes últimos países migrassem para o Reino Unido em busca de melhores condições económicas. Os brexiteers garantiam que o dinheiro enviado para Bruxelas podia ser aplicado nos serviços britânicos e que a chegada de cada vez mais europeus tinha impacto na segurança social e na qualidade do emprego. Estes argumentos ganharam especial importância com os efeitos da crise económico-financeira de 2008. Conclui-se que o designado Brexit tem um cariz económico e político assente em dois pilares de argumentação: nas contribuições para o orçamento comunitário e no controlo da imigração intraeuropeia.
Autores principais:Monteiro, Guilherme Filipe de Oliveira
Assunto:Brexit Assimetrias Económicas Imigração Orçamento Comunitário Brexit Economic Asymmetries Immigration EU Budget
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A União Europeia atravessa momentos de desafios variados e o risco de desfragmentação, depois dos britânicos terem votado em referendo pela saída do bloco em 2016. Neste trabalho, contudo, o objetivo será o de perceber até que ponto as disparidades económicas, de competitividade, crescimento e emprego entre os então 28 estados-membros da UE desempenharam um forte papel no aumento do euroceticismo britânico. Para tal, serão analisados discursos políticos, tomadas de decisão e um conjunto de dados que retratam o contexto económico não apenas britânico, como também de três estados-membros estruturalmente menos desenvolvidos que, ao mesmo tempo, registaram maiores fluxos de imigração para o Reino Unido: Portugal, Polónia e Roménia. Será ainda essencial olhar para o período entre 2004 e 2016, com especial enfoque para dois momentos: a partir de 2004, com o alargamento da UE, e de 2008 em diante, desde o início da crise económico-financeira. A dissertação desenvolve o facto das assimetrias económico-sociais entre os países membros do bloco terem conduzido a que, ao longo dos anos, fosse canalizada uma maior fatia do orçamento comunitário – financiado por todos os estados-membros consoante o Rendimento Nacional Bruto (RNB) – para os países menos desenvolvidos e, por outro lado, que muitos habitantes destes últimos países migrassem para o Reino Unido em busca de melhores condições económicas. Os brexiteers garantiam que o dinheiro enviado para Bruxelas podia ser aplicado nos serviços britânicos e que a chegada de cada vez mais europeus tinha impacto na segurança social e na qualidade do emprego. Estes argumentos ganharam especial importância com os efeitos da crise económico-financeira de 2008. Conclui-se que o designado Brexit tem um cariz económico e político assente em dois pilares de argumentação: nas contribuições para o orçamento comunitário e no controlo da imigração intraeuropeia.