Publicação

Variabilidade dos regimes de vento e potencial eólico na região de Cascais

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho é o resultado do estudo dos regimes de vento, sua variabilidade e o potencial eólico na região de Cascais para a produção de energia eléctrica a curto e médio prazo num quadro de alterações climáticas. Na primeira fase da investigação, fez-se uma avaliação das modificações recentes do comportamento dos ventos no Atlântico Norte a partir de bibliografia publicada por vários autores em revistas científicas. Com base nas estações meteorológicas no troço litoral entre o Cabo Carvoeiro e Lisboa foram efectuadas várias análises estatísticas para perceber se na costa ocidental portuguesa também ocorreram as tendências reportadas. A verificação da tendência secular do vento foi efectuada a partir de um modelo baseado na correlação entre as velocidades médias mensais e a Oscilação do Atlântico Norte (NAO). Esta análise permitiu verificar que durante o período de 1865 até a actualidade não se verificou nenhuma tendência significativa. Através de uma análise de Fourrier foram identificados períodos de maior variabilidade (de 2, 5, 15 e 28 anos) nas velocidades mensais da estação de Lisboa/Portela. Considerou-se que 28 anos seria um período óptimo para se preverem modificações futuras do potencial eólico na região de Cascais, já que prefigura um intervalo de tempo suficientemente longo para que se possam planear acções de instalação e produção de energia eléctrica com retorno económico. Desde o início de funcionamento da estação de Lisboa/Portela foi encontrado igual período de tempo (28 anos), tendo sido observado um decréscimo das velocidades médias mensais de 1,8 m/s. Devido às condições de variabilidade nas velocidades médias é provável que a seguir a um período de decréscimo ocorra igual aumento de vento, o que mantém as condições de tendência nula secular. Estes resultados permitiram construir cenários de 28 anos com aumentos e descidas de velocidade médias de ± 1,8 m/s. Na segunda parte do trabalho, foram calculadas as velocidades médias do vento e o potencial eólico (através da densidade de potência) na região de Cascais a partir das estações de Tires e do Cabo Raso. Foram feitas várias simulações com o software WAsP a partir dos cenários de aumento e diminuição futura do vento e os valores comparados com as condições actuais. Os resultados mostram que é possível o aproveitamento para a produção eléctrica a nível local, sobretudo quando as velocidades forem tendencialmente superiores às actuais. A aplicação do potencial em parques eólicos de grandes dimensões será de difícil execução na medida em que a região se encontra fortemente humanizada (35% de área urbana) e com condicionantes devido à proximidade do Parque Natural Sintra-Cascais. No final propõe-se um conjunto de medidas de boas práticas com vista à produção local de energia eléctrica, que poderá ser uma solução ambientalmente sustentável para as necessidades locais dos munícipes. Futuramente dever-se-á aprofundar este estudo através da projecção do crescimento urbano do concelho, que implicará novas necessidades mas também menos condições para a pequena produção eólica.
Autores principais:Madeira, João Pedro Antunes
Assunto:Clima - Cascais (Portugal) Potencial eólico - Cascais (Portugal) Ventos - Oceano Atlântico Norte Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho é o resultado do estudo dos regimes de vento, sua variabilidade e o potencial eólico na região de Cascais para a produção de energia eléctrica a curto e médio prazo num quadro de alterações climáticas. Na primeira fase da investigação, fez-se uma avaliação das modificações recentes do comportamento dos ventos no Atlântico Norte a partir de bibliografia publicada por vários autores em revistas científicas. Com base nas estações meteorológicas no troço litoral entre o Cabo Carvoeiro e Lisboa foram efectuadas várias análises estatísticas para perceber se na costa ocidental portuguesa também ocorreram as tendências reportadas. A verificação da tendência secular do vento foi efectuada a partir de um modelo baseado na correlação entre as velocidades médias mensais e a Oscilação do Atlântico Norte (NAO). Esta análise permitiu verificar que durante o período de 1865 até a actualidade não se verificou nenhuma tendência significativa. Através de uma análise de Fourrier foram identificados períodos de maior variabilidade (de 2, 5, 15 e 28 anos) nas velocidades mensais da estação de Lisboa/Portela. Considerou-se que 28 anos seria um período óptimo para se preverem modificações futuras do potencial eólico na região de Cascais, já que prefigura um intervalo de tempo suficientemente longo para que se possam planear acções de instalação e produção de energia eléctrica com retorno económico. Desde o início de funcionamento da estação de Lisboa/Portela foi encontrado igual período de tempo (28 anos), tendo sido observado um decréscimo das velocidades médias mensais de 1,8 m/s. Devido às condições de variabilidade nas velocidades médias é provável que a seguir a um período de decréscimo ocorra igual aumento de vento, o que mantém as condições de tendência nula secular. Estes resultados permitiram construir cenários de 28 anos com aumentos e descidas de velocidade médias de ± 1,8 m/s. Na segunda parte do trabalho, foram calculadas as velocidades médias do vento e o potencial eólico (através da densidade de potência) na região de Cascais a partir das estações de Tires e do Cabo Raso. Foram feitas várias simulações com o software WAsP a partir dos cenários de aumento e diminuição futura do vento e os valores comparados com as condições actuais. Os resultados mostram que é possível o aproveitamento para a produção eléctrica a nível local, sobretudo quando as velocidades forem tendencialmente superiores às actuais. A aplicação do potencial em parques eólicos de grandes dimensões será de difícil execução na medida em que a região se encontra fortemente humanizada (35% de área urbana) e com condicionantes devido à proximidade do Parque Natural Sintra-Cascais. No final propõe-se um conjunto de medidas de boas práticas com vista à produção local de energia eléctrica, que poderá ser uma solução ambientalmente sustentável para as necessidades locais dos munícipes. Futuramente dever-se-á aprofundar este estudo através da projecção do crescimento urbano do concelho, que implicará novas necessidades mas também menos condições para a pequena produção eólica.