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Mecanismos de genotoxicidade de nanopartículas

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Resumo:Nos últimos anos o uso de nanopartículas ganhou grande destaque em vários ramos distintos, que vão desde o seu uso em biomedicina e cosmética até à sua presença em dispositivos eletrónicos e em engenharia. As suas características distintas de todos os outros materiais demonstraram vantagens que advêm do seu reduzido tamanho. O tamanho destas partículas, que se encontra compreendido na nanoescala, faz com que diversas propriedades físico-químicas destes materiais estejam alteradas em comparação aos seus semelhantes de tamanhos superiores. Para além disso, as suas propriedades únicas podem estar também na origem dos seus efeitos adversos, os quais ainda não se encontram totalmente descritos. Ao fazer uma revisão de vários estudos genotóxicos in vitro e in vivo, esta monografia tem como objetivo a discussão de potenciais mecanismos de genotoxicidade induzida por nanopartículas e os seus efeitos adversos nos organismos. Também se pretende analisar os diferentes estudos que investigam fenómenos de genotoxicidade, as suas limitações e estratégias para as ultrapassar. Os resultados obtidos desta pesquisa demonstram que ainda existe um longo caminho a percorrer no que diz respeito ao estudo da genotoxicidade e dos mecanismos associados à mesma para os nanomateriais. Existem resultados contraditórios tanto para o mesmo tipo de ensaios (in vitro vs in vivo) como na extrapolação de ensaios in vitro para organismos in vivo. Os mecanismos mais apontados na literatura como responsáveis pelos efeitos genotóxicos das nanopartículas, para além da genotoxicidade primária, apontam para modos de ação indiretos, como é o caso de stress oxidativo com a produção de espécies reativas de oxigénio, processos inflamatórios, perturbação do ciclo celular e interações com substâncias antioxidantes. Em resumo, é necessária uma maior e melhor caracterização das nanopartículas e a condução de estudos mais fidedignos, nos quais haja uma adaptação metodológica adequada a estas nanopartículas. Neste sentido poderá ser obtida mais informação sobre a genotoxicidade a qual poderá ser comparada e usada numa avaliação correta do risco inerente da sua utilização, cada vez mais ampla. É necessária também a elaboração de mais normas para o estudo de nanopartículas, devido às suas particularidades distintas de qualquer outro material.
Autores principais:Marques, Ana Filomena Aurélio
Assunto:Nanopartículas Stress oxidativo Inflamação Nanogenotoxicidade Dano no DNA Mestrado integrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos últimos anos o uso de nanopartículas ganhou grande destaque em vários ramos distintos, que vão desde o seu uso em biomedicina e cosmética até à sua presença em dispositivos eletrónicos e em engenharia. As suas características distintas de todos os outros materiais demonstraram vantagens que advêm do seu reduzido tamanho. O tamanho destas partículas, que se encontra compreendido na nanoescala, faz com que diversas propriedades físico-químicas destes materiais estejam alteradas em comparação aos seus semelhantes de tamanhos superiores. Para além disso, as suas propriedades únicas podem estar também na origem dos seus efeitos adversos, os quais ainda não se encontram totalmente descritos. Ao fazer uma revisão de vários estudos genotóxicos in vitro e in vivo, esta monografia tem como objetivo a discussão de potenciais mecanismos de genotoxicidade induzida por nanopartículas e os seus efeitos adversos nos organismos. Também se pretende analisar os diferentes estudos que investigam fenómenos de genotoxicidade, as suas limitações e estratégias para as ultrapassar. Os resultados obtidos desta pesquisa demonstram que ainda existe um longo caminho a percorrer no que diz respeito ao estudo da genotoxicidade e dos mecanismos associados à mesma para os nanomateriais. Existem resultados contraditórios tanto para o mesmo tipo de ensaios (in vitro vs in vivo) como na extrapolação de ensaios in vitro para organismos in vivo. Os mecanismos mais apontados na literatura como responsáveis pelos efeitos genotóxicos das nanopartículas, para além da genotoxicidade primária, apontam para modos de ação indiretos, como é o caso de stress oxidativo com a produção de espécies reativas de oxigénio, processos inflamatórios, perturbação do ciclo celular e interações com substâncias antioxidantes. Em resumo, é necessária uma maior e melhor caracterização das nanopartículas e a condução de estudos mais fidedignos, nos quais haja uma adaptação metodológica adequada a estas nanopartículas. Neste sentido poderá ser obtida mais informação sobre a genotoxicidade a qual poderá ser comparada e usada numa avaliação correta do risco inerente da sua utilização, cada vez mais ampla. É necessária também a elaboração de mais normas para o estudo de nanopartículas, devido às suas particularidades distintas de qualquer outro material.