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Incidência e consequências da hipocalcémia subclínica no pós-parto de vacas leiteiras

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Resumo:A vaca leiteira tem vindo a apresentar, ao longo dos anos, um aumento notável na sua produção de leite, em parte, devido à rentabilização e aumento da eficiência reprodutiva. No entanto, atualmente, é consensual a existência de uma correlação negativa entre este elevado nível de produção e consequente desempenho reprodutivo, com o estado nutricional e a saúde metabólica do animal. A diminuição da fertilidade, que acarretam importante impacto na produção leiteira, está essencialmente relacionada com eventos que ocorrem no período peri-parto. Este período, nas vacas leiteiras altas produtoras, é um dos períodos mais críticos da lactação, pois as necessidades nutricionais da vaca estão significativamente aumentadas. No peri-parto, a concentração de cálcio no sangue associa-se com o decréscimo na contração muscular e competência imunitária, pelo que a presença de hipocalcémia condiciona um risco acrescido de doenças uterinas e outras. A hipocalcémia, ou seja a presença de uma concentração sanguínea de cálcio total < 2mmol/L ou cálcio ionizado < 1mmol/L , é então um factor determinante e que se deve ter em consideração de forma a se atingir um efetivo saudável e uma normal produção de leite. A hipocalcémia ocorre, de modo geral, durante o parto ou no pós-parto imediato e é considerado um acontecimento inevitável, provocado pelo aumento das necessidades de cálcio que ocorre no início da lactação, com a súbita excreção de cálcio no colostro. Este estudo procurou avaliar as concentração de cálcio ionizado após o parto e a sua correlação com o parto e doenças reprodutivas, com base numa amostra de 80 vacas leiteiras, com duas ou mais lactações. Para tal, correlacionou-se a presença de hipocalcémia subclínica com a ocorrência de retenção placentária, distócia, metrite tóxica, metrite clínica, inatividade ovárica e endometrite clínica, antes e após a administração de PGF2-alfa. Após a análise dos resultados foi possível estabelecer uma associação significativa (p=0,05) entre hipocalcémia subclínica e i) ocorrência de distócia, ii) número de lactações, iii) endometrite clínica antes da administração de PGF2-alfa e iv) involução do cérvix. Assim a hipocalcémia subclínica está associada a perdas económicas e problemas a nivel do bem-estar animal, sendo importante evitar o seu desenvolvimento.
Autores principais:Koch, Gabriela Meleiro da Silva
Assunto:Hipocalcémia subclínica Doenças uterinas Involução uterina Subclinical hypocalcaemia Uterine pathologies Uterine involution
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A vaca leiteira tem vindo a apresentar, ao longo dos anos, um aumento notável na sua produção de leite, em parte, devido à rentabilização e aumento da eficiência reprodutiva. No entanto, atualmente, é consensual a existência de uma correlação negativa entre este elevado nível de produção e consequente desempenho reprodutivo, com o estado nutricional e a saúde metabólica do animal. A diminuição da fertilidade, que acarretam importante impacto na produção leiteira, está essencialmente relacionada com eventos que ocorrem no período peri-parto. Este período, nas vacas leiteiras altas produtoras, é um dos períodos mais críticos da lactação, pois as necessidades nutricionais da vaca estão significativamente aumentadas. No peri-parto, a concentração de cálcio no sangue associa-se com o decréscimo na contração muscular e competência imunitária, pelo que a presença de hipocalcémia condiciona um risco acrescido de doenças uterinas e outras. A hipocalcémia, ou seja a presença de uma concentração sanguínea de cálcio total < 2mmol/L ou cálcio ionizado < 1mmol/L , é então um factor determinante e que se deve ter em consideração de forma a se atingir um efetivo saudável e uma normal produção de leite. A hipocalcémia ocorre, de modo geral, durante o parto ou no pós-parto imediato e é considerado um acontecimento inevitável, provocado pelo aumento das necessidades de cálcio que ocorre no início da lactação, com a súbita excreção de cálcio no colostro. Este estudo procurou avaliar as concentração de cálcio ionizado após o parto e a sua correlação com o parto e doenças reprodutivas, com base numa amostra de 80 vacas leiteiras, com duas ou mais lactações. Para tal, correlacionou-se a presença de hipocalcémia subclínica com a ocorrência de retenção placentária, distócia, metrite tóxica, metrite clínica, inatividade ovárica e endometrite clínica, antes e após a administração de PGF2-alfa. Após a análise dos resultados foi possível estabelecer uma associação significativa (p=0,05) entre hipocalcémia subclínica e i) ocorrência de distócia, ii) número de lactações, iii) endometrite clínica antes da administração de PGF2-alfa e iv) involução do cérvix. Assim a hipocalcémia subclínica está associada a perdas económicas e problemas a nivel do bem-estar animal, sendo importante evitar o seu desenvolvimento.