Publicação
Rastreio de parasitas gastrointestinais e pulmonares em gatos de gatis nos distritos de Lisboa e Setúbal, Portugal
| Resumo: | Os gatos são hospedeiros de diversos parasitas, sendo reconhecido o potencial zoonótico de alguns. O risco de transmissão aos humanos assumiu particular relevância nos últimos anos, devido à crescente popularidade do gato como animal de estimação. No entanto, são raros os estudos efetuados em Portugal sobre este tema, motivo pelo qual se procedeu a uma avaliação epidemiológica da fauna parasitológica gastrointestinal e pulmonar, em gatos mantidos em gatis, nos distritos de Lisboa e Setúbal. Para o efeito, recolheram-se 260 amostras fecais distribuídas por ambos os distritos entre Julho e Novembro de 2015, sendo 169 provenientes de Lisboa e 91 de Setúbal. Foram submetidas a análise através de quatro técnicas coprológicas qualitativas: Flutuação de Willis, Sedimentação Natural, Método de Baermann e Esfregaço fecal. Foi ainda realizada uma pesquisa de Tritrichomonas foetus em 25 gatos através do meio de cultura InPouchTM TF-Feline. Observaram-se formas parasitárias em 43,5% das amostras (113/260), tendo sido detetadas infeções mistas em 18,1% (47/260) dos casos. O grupo predominante de parasitas foi a dos Protozoários (34,6%), seguido dos Nemátodes (33,8%) e Céstodes (1,5%). O nemátode Toxocara cati foi identificado em 18,1% das amostras, (47/260), correspondendo à maior prevalência, seguido de Cystoisospora felis identificado em 16,9% (44/260), Cystoisospora rivolta 11,2% (29/260), Ancylostomatidae 10,4% (27/260), Aelurostrongylus abstrusus 5,4% (14/259), Cryptosporidium spp. 4,4% (9/204), Giardia spp. 3,9% (8/204), Taeniidae 1,2% (3/260) e Dipylidium caninum 0,4% (1/260). Não foram detetadas formas parasitárias de T. foetus. Os resultados comprovaram o elevado grau de parasitismo nos gatis estudados, em particular dos agentes zoonóticos das famílias Toxocaridae, Ancylostomatidae, Taeniidae e dos géneros potencialmente zoonóticos Cryptosporidium e Giardia. O número excessivo de animais nos gatis e consequente elevada proximidade, facilita a transmissão de parasitas com ciclos de vida diretos, o que pode justificar os resultados encontrados para T. cati e Cystoisospora spp. A dependência financeira dos gatis dificulta a pronta e eficaz implementação de atitudes profiláticas e de controlo, tornando mais difícil a erradicação de parasitoses. Espera-se que a crescente sensibilização a nível da sociedade, favorecendo a Saúde e Bem-Estar Animal, com repercussão jurídica e política, possa de algum modo disponibilizar meios e melhores condições nos gatis. |
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| Autores principais: | Carvalho, Íris Teixeira |
| Assunto: | gatos parasitas gastrointestinais parasitas pulmonares gatis Lisboa Setúbal Portugal cats gastrointestinal parasites lung parasites shelters |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os gatos são hospedeiros de diversos parasitas, sendo reconhecido o potencial zoonótico de alguns. O risco de transmissão aos humanos assumiu particular relevância nos últimos anos, devido à crescente popularidade do gato como animal de estimação. No entanto, são raros os estudos efetuados em Portugal sobre este tema, motivo pelo qual se procedeu a uma avaliação epidemiológica da fauna parasitológica gastrointestinal e pulmonar, em gatos mantidos em gatis, nos distritos de Lisboa e Setúbal. Para o efeito, recolheram-se 260 amostras fecais distribuídas por ambos os distritos entre Julho e Novembro de 2015, sendo 169 provenientes de Lisboa e 91 de Setúbal. Foram submetidas a análise através de quatro técnicas coprológicas qualitativas: Flutuação de Willis, Sedimentação Natural, Método de Baermann e Esfregaço fecal. Foi ainda realizada uma pesquisa de Tritrichomonas foetus em 25 gatos através do meio de cultura InPouchTM TF-Feline. Observaram-se formas parasitárias em 43,5% das amostras (113/260), tendo sido detetadas infeções mistas em 18,1% (47/260) dos casos. O grupo predominante de parasitas foi a dos Protozoários (34,6%), seguido dos Nemátodes (33,8%) e Céstodes (1,5%). O nemátode Toxocara cati foi identificado em 18,1% das amostras, (47/260), correspondendo à maior prevalência, seguido de Cystoisospora felis identificado em 16,9% (44/260), Cystoisospora rivolta 11,2% (29/260), Ancylostomatidae 10,4% (27/260), Aelurostrongylus abstrusus 5,4% (14/259), Cryptosporidium spp. 4,4% (9/204), Giardia spp. 3,9% (8/204), Taeniidae 1,2% (3/260) e Dipylidium caninum 0,4% (1/260). Não foram detetadas formas parasitárias de T. foetus. Os resultados comprovaram o elevado grau de parasitismo nos gatis estudados, em particular dos agentes zoonóticos das famílias Toxocaridae, Ancylostomatidae, Taeniidae e dos géneros potencialmente zoonóticos Cryptosporidium e Giardia. O número excessivo de animais nos gatis e consequente elevada proximidade, facilita a transmissão de parasitas com ciclos de vida diretos, o que pode justificar os resultados encontrados para T. cati e Cystoisospora spp. A dependência financeira dos gatis dificulta a pronta e eficaz implementação de atitudes profiláticas e de controlo, tornando mais difícil a erradicação de parasitoses. Espera-se que a crescente sensibilização a nível da sociedade, favorecendo a Saúde e Bem-Estar Animal, com repercussão jurídica e política, possa de algum modo disponibilizar meios e melhores condições nos gatis. |
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