Publicação
Choques assimétricos e identificação de "clusters" na UE
| Resumo: | O facto da UEM implicar, por definição, a perda de autonomia na condução da política monetária e cambial, limitando assim os instrumentos dos Estados membros para ajustar eventuais choques assimétricos, levou diversos autores a procurar avaliar a probabilidade da ocorrência deste tipo de choques na futura zona-Euro. As conclusões tradicionais da literatura das Zonas Monetárias Óptimas apontam para a existência de um grupo de países mais correlacionados entre si, os "core", incluindo a Alemanha, Áustria, Bélgica, França e Holanda, e de outro grupo de países menos correlacionado entre si e relativamente aos " core", os " periféricos", incluindo a Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal. Esta ideia correspondia à visão de uma UEM a duas velocidades e punha em causa a viabilidade de uma UEM alargada. No entanto, a extrapolação para a UEM das conclusões sobre choques na UE está sujeita à crítica de Lucas ( 1976). Além disso, aquela dicotomia clássica é um resultado específico a um período de análise entre os anos sessenta e início dos noventa. Recorrendo a uma aplicação original da análise de "clusters" às séries de choques de oferta e procura identificados pelo tradicional modelo VAR, procurei neste trabalho demonstrar que existe na verdade uma Europa a várias velocidades, onde se podem distinguir pelo menos três grupos: os " core" tradicionais, os " periféricos do Norte", incluindo os países nórdicos, a Irlanda e o Reino Unido e os "periféricos do Sul", incluindo todos os países mediterrâneos. A análise revela ainda que este último grupo é actualmente o mais correlacionado com os " core", fruto de uma forte convergência em relação à Alemanha, sobretudo após o choque da reunificação alemã, com destaque para Espanha e Portugal. Apesar desta metodologia de análise ser original na literatura sobre choques na UE. ela está em linha com os resultados mais recentes, nomeadamente de Boone ( 1997). |
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| Autores principais: | Vaz, Luís Nunes de Brito Serra |
| Assunto: | choques assimétricos análise de " clusters" União Económica e Monetária teoria das Zonas Monetárias Óptimas modelos Vector Auto Regressivos método de Ward. asymmetric shocks cluster analysis Economic and Monetary Union Optimal Currency Amas Vector Auto Regression Ward's method |
| Ano: | 1998 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O facto da UEM implicar, por definição, a perda de autonomia na condução da política monetária e cambial, limitando assim os instrumentos dos Estados membros para ajustar eventuais choques assimétricos, levou diversos autores a procurar avaliar a probabilidade da ocorrência deste tipo de choques na futura zona-Euro. As conclusões tradicionais da literatura das Zonas Monetárias Óptimas apontam para a existência de um grupo de países mais correlacionados entre si, os "core", incluindo a Alemanha, Áustria, Bélgica, França e Holanda, e de outro grupo de países menos correlacionado entre si e relativamente aos " core", os " periféricos", incluindo a Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal. Esta ideia correspondia à visão de uma UEM a duas velocidades e punha em causa a viabilidade de uma UEM alargada. No entanto, a extrapolação para a UEM das conclusões sobre choques na UE está sujeita à crítica de Lucas ( 1976). Além disso, aquela dicotomia clássica é um resultado específico a um período de análise entre os anos sessenta e início dos noventa. Recorrendo a uma aplicação original da análise de "clusters" às séries de choques de oferta e procura identificados pelo tradicional modelo VAR, procurei neste trabalho demonstrar que existe na verdade uma Europa a várias velocidades, onde se podem distinguir pelo menos três grupos: os " core" tradicionais, os " periféricos do Norte", incluindo os países nórdicos, a Irlanda e o Reino Unido e os "periféricos do Sul", incluindo todos os países mediterrâneos. A análise revela ainda que este último grupo é actualmente o mais correlacionado com os " core", fruto de uma forte convergência em relação à Alemanha, sobretudo após o choque da reunificação alemã, com destaque para Espanha e Portugal. Apesar desta metodologia de análise ser original na literatura sobre choques na UE. ela está em linha com os resultados mais recentes, nomeadamente de Boone ( 1997). |
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