Publicação
Metástases ósseas : primeira manifestação de carcinoma hepatocelular : a propósito de um caso clínico
| Resumo: | O Carcinoma Hepatocelular (CHC) é a neoplasia do fígado mais comum e uma das mais letais. Apesar de avanços ao nível do diagnóstico, é frequentemente diagnosticada em estadios avançados, com cerca de 1/3 dos doentes a apresentar metastização óssea. No entanto, a metastização óssea é infrequentemente descrita como manifestação inicial do CHC. Apresenta-se o caso, de um doente com lesões ósseas líticas espinhais, com investigação etiológica, a culminar nos diagnósticos de CHC e Mieloma Múltiplo (MM). Homem, 54 anos, melanodérmico, sem antecedentes pessoais relevantes, com história de 6 semanas de dor lombar intensa e fadiga. Boa performance status com exame objetivo com dor à palpação no hipocôndrio direito. Na avaliação analítica apresentava hemoglobina 11,7 g/dL, enzimas hepáticas aumentadas e bilirrubina séria, creatinina e cálcio normais. Serologia para o vírus da Hepatite B (HBV) compatível com Hepatite B Crónica e níveis séricos de α-fetoproteina (943 ng/ml) muito elevados. Eletroforese de proteínas com banda nas regiões β e γ, e componente biclonal IgA lambda na imunofixação sérica. No Mielograma revelou-se um aumento de plasmócitos que constituíam 20% da celularidade total. Nos estudos imagiológicos, revelaram-se múltiplas lesões líticas nos corpos vertebrais de D6 a L2. Na tomografia computorizada abdominal, fígado ligeiramente aumentado, com margens irregulares e múltiplas área nodulares parenquimatosas, confluentes, a sugerir CHC. Com diagnósticos de CHC e MM estabelecidos para discriminar a etiologia das lesões líticas, realizou-se biópsia óssea guiada por TC. Os resultados histopatológicos e imuno-histoquimicos foram compatíveis com metástases de CHC. Este caso ilustra o desafio diagnóstico etiológico de lesões ósseas líticas, entre duas doenças com potencial envolvimento ósseo. A coexistência de CHC e MM poderá refletir uma etiopatogénese comum. O vírus da hepatite B, para além de hepatotrópico, é hipotetizado a sua associação com o aumento do risco para o MM, por estimulação antigénica crónica. |
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| Autores principais: | Sobral, Carlota Santos Garcia Marques |
| Assunto: | Carcinoma hepatocelular Vírus da hepatite B Metastização Lesões ósseas Mieloma múltiplo |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O Carcinoma Hepatocelular (CHC) é a neoplasia do fígado mais comum e uma das mais letais. Apesar de avanços ao nível do diagnóstico, é frequentemente diagnosticada em estadios avançados, com cerca de 1/3 dos doentes a apresentar metastização óssea. No entanto, a metastização óssea é infrequentemente descrita como manifestação inicial do CHC. Apresenta-se o caso, de um doente com lesões ósseas líticas espinhais, com investigação etiológica, a culminar nos diagnósticos de CHC e Mieloma Múltiplo (MM). Homem, 54 anos, melanodérmico, sem antecedentes pessoais relevantes, com história de 6 semanas de dor lombar intensa e fadiga. Boa performance status com exame objetivo com dor à palpação no hipocôndrio direito. Na avaliação analítica apresentava hemoglobina 11,7 g/dL, enzimas hepáticas aumentadas e bilirrubina séria, creatinina e cálcio normais. Serologia para o vírus da Hepatite B (HBV) compatível com Hepatite B Crónica e níveis séricos de α-fetoproteina (943 ng/ml) muito elevados. Eletroforese de proteínas com banda nas regiões β e γ, e componente biclonal IgA lambda na imunofixação sérica. No Mielograma revelou-se um aumento de plasmócitos que constituíam 20% da celularidade total. Nos estudos imagiológicos, revelaram-se múltiplas lesões líticas nos corpos vertebrais de D6 a L2. Na tomografia computorizada abdominal, fígado ligeiramente aumentado, com margens irregulares e múltiplas área nodulares parenquimatosas, confluentes, a sugerir CHC. Com diagnósticos de CHC e MM estabelecidos para discriminar a etiologia das lesões líticas, realizou-se biópsia óssea guiada por TC. Os resultados histopatológicos e imuno-histoquimicos foram compatíveis com metástases de CHC. Este caso ilustra o desafio diagnóstico etiológico de lesões ósseas líticas, entre duas doenças com potencial envolvimento ósseo. A coexistência de CHC e MM poderá refletir uma etiopatogénese comum. O vírus da hepatite B, para além de hepatotrópico, é hipotetizado a sua associação com o aumento do risco para o MM, por estimulação antigénica crónica. |
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