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Síndrome amotivacional e consumo de cannabis : novas perspectivas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: O cannabis é a substância ilícita mais consumida em Portugal. A despenalização do seu consumo e eventual utilização para fins terapêuticos torna premente a identificação e caracterização extensiva dos seus efeitos agudos e crónicos, nomeadamente o Síndrome Amotivacional, relacionado com consumos frequentes e essencialmente caracterizado por apatia, anedonia, embotamento afectivo e diminuição da motivação para actividades dirigidas a objectivos. É essencial a exploração desta e de outras consequências do uso desta substância, nomeadamente dos seus efeitos na adolescência - idade em que, geralmente, se iniciam os consumos - para delinear novas estratégias preventivas e terapêuticas eficazes, identificando possíveis diagnósticos diferenciais e evitando prescrição desnecessária. Objectivo: Esta revisão de leitura teve como principal objectivo a exploração dos efeitos agudos e crónicos do consumo do cannabis, abordando as consequências neurobiológicas do consumo da substância. Focou-se essencialmente na caracterização do Síndrome Amotivacional relacionado com o consumo crónico do cannabis e eventual diagnóstico diferencial com a Perturbação Depressiva Major Induzida por Consumo de Substância/Medicamento. Métodos: Foi realizada uma pesquisa literária nas bases de dados Pubmed e B-on e introduzidas as palavras-chave: "amotivational syndrome", "depression", "anhedonia", "apathy", "cannabis". Foram também incluídos artigos que constavam da bibliografia de outros, por interessarem ao tema. Resultados: O Síndrome Amotivacional é genericamente caracterizado por apatia, anedonia, embotamento afectivo e diminuição da motivação para actividades dirigidas a objectivos. A evidência sugere que a administração aguda de cannabis leva a um estado transiente de amotivação, sendo que tanto o consumo agudo como o crónico estão associados a pior performance em actividades dirigidas a objectivos e reduzem a sensibilidade do sistema de recompensa do indivíduo a estímulos não relacionados com substâncias - sistema mesocorticolímbico -, afectando negativamente a transmissão dopaminérgica nas mesmas áreas cerebrais. Conclusões: Os resultados demonstram que, de facto, o cannabis é uma substância com efeitos a curto e a longo prazo que devem ser considerados no âmbito das políticas de saúde pública. Relativamente ao Síndrome Amotivacional, é claro que se desenvolve nos consumidores frequentes, com consequências importantes para a sua vida social e actividades laborais. É urgente a realização de mais estudos especialmente centrados nos efeitos crónicos desta substância, nomeadamente para eliminar a possível influência de outras variáveis nos seus resultados e investigar se, de facto, o Síndrome Amotivacional é uma consequência do consumo do cannabis ou é um factor pré-mórbido, já presente no indivíduo, que condiciona o início dos consumos.
Autores principais:Rodrigues, Ana Carolina Alves
Assunto:Cannabis Síndrome amotivacional Perturbação depressiva major Psiquiatria
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: O cannabis é a substância ilícita mais consumida em Portugal. A despenalização do seu consumo e eventual utilização para fins terapêuticos torna premente a identificação e caracterização extensiva dos seus efeitos agudos e crónicos, nomeadamente o Síndrome Amotivacional, relacionado com consumos frequentes e essencialmente caracterizado por apatia, anedonia, embotamento afectivo e diminuição da motivação para actividades dirigidas a objectivos. É essencial a exploração desta e de outras consequências do uso desta substância, nomeadamente dos seus efeitos na adolescência - idade em que, geralmente, se iniciam os consumos - para delinear novas estratégias preventivas e terapêuticas eficazes, identificando possíveis diagnósticos diferenciais e evitando prescrição desnecessária. Objectivo: Esta revisão de leitura teve como principal objectivo a exploração dos efeitos agudos e crónicos do consumo do cannabis, abordando as consequências neurobiológicas do consumo da substância. Focou-se essencialmente na caracterização do Síndrome Amotivacional relacionado com o consumo crónico do cannabis e eventual diagnóstico diferencial com a Perturbação Depressiva Major Induzida por Consumo de Substância/Medicamento. Métodos: Foi realizada uma pesquisa literária nas bases de dados Pubmed e B-on e introduzidas as palavras-chave: "amotivational syndrome", "depression", "anhedonia", "apathy", "cannabis". Foram também incluídos artigos que constavam da bibliografia de outros, por interessarem ao tema. Resultados: O Síndrome Amotivacional é genericamente caracterizado por apatia, anedonia, embotamento afectivo e diminuição da motivação para actividades dirigidas a objectivos. A evidência sugere que a administração aguda de cannabis leva a um estado transiente de amotivação, sendo que tanto o consumo agudo como o crónico estão associados a pior performance em actividades dirigidas a objectivos e reduzem a sensibilidade do sistema de recompensa do indivíduo a estímulos não relacionados com substâncias - sistema mesocorticolímbico -, afectando negativamente a transmissão dopaminérgica nas mesmas áreas cerebrais. Conclusões: Os resultados demonstram que, de facto, o cannabis é uma substância com efeitos a curto e a longo prazo que devem ser considerados no âmbito das políticas de saúde pública. Relativamente ao Síndrome Amotivacional, é claro que se desenvolve nos consumidores frequentes, com consequências importantes para a sua vida social e actividades laborais. É urgente a realização de mais estudos especialmente centrados nos efeitos crónicos desta substância, nomeadamente para eliminar a possível influência de outras variáveis nos seus resultados e investigar se, de facto, o Síndrome Amotivacional é uma consequência do consumo do cannabis ou é um factor pré-mórbido, já presente no indivíduo, que condiciona o início dos consumos.