Publicação
O microbioma, a doença inflamatória intestinal e a alimentação
| Resumo: | O microbioma intestinal, dotado de uma complexa diversidade de microrganismos, desempenha um papel essencial na manutenção da saúde do hospedeiro. A complexa interação entre o microbioma, fatores genéticos, fatores ambientais e o sistema imunitário, revela-se determinante no desenvolvimento e progressão da Doença Inflamatória Intestinal, uma condição inflamatória crónica e recidivante do trato gastrointestinal, caracterizada por períodos de exacerbação e remissão, cuja incidência tem aumentado nos últimos anos. A doença associa se à presença de inflamação progressiva, o que aumenta a probabilidade de complicações extraintestinais, comprometendo a qualidade de vida do doente. A atividade e gravidade da doença obrigam ao desenvolvimento de estratégias capazes de restaurar a homeostasia intestinal, permitindo uma melhor gestão da mesma. Esta doença não apresenta cura conhecida, logo a indução e remissão clínica com melhoria da taxa de cicatrização da mucosa, refletem o objetivo primordial das abordagens terapêuticas já desenvolvidas. Além das abordagens terapêuticas farmacológicas atualmente disponíveis, estratégias com base na microbiota intestinal, como a utilização de probióticos, prebióticos, simbióticos, assim como a realização de transplante de microbiota fecal, revelam igualmente a capacidade de indução e manutenção da remissão da Doença Inflamatória Intestinal, com restauro da composição e diversidade da microbiota intestinal. Todavia, torna-se necessária a realização de mais estudos nesta área, com o objetivo de aprofundar conhecimentos relativos a aspetos fundamentais específicos, nomeadamente ao nível da eficácia e segurança destas abordagens. A microbiota intestinal de um indivíduo saudável mantém-se relativamente estável ao longo da vida, no entanto, determinados fatores podem influenciar o seu equilíbrio. A alimentação influencia a microbiota intestinal, refletindo a importância da correta escolha do regime dietético mais adequando para o doente. O conceito de nutrição de precisão revela uma abordagem promissora, uma vez que permite um acompanhamento personalizado baseado na microbiota intestinal do doente, adaptando a dieta às suas necessidades, com decréscimo de recaídas nutricionais e melhoria do estilo de vida. Atualmente, permanece a necessidade de aprofundar, de forma robusta e rigorosa, os conhecimentos acerca da nutrição personalizada, centrados na variabilidade interindividual característica da doença. |
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| Autores principais: | Pinto, Adriana Alvaredo |
| Assunto: | Microbioma intestinal Disbiose Doença inflamatória intestinal Colite ulcerosa Doença de Crohn Mestrado Integrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O microbioma intestinal, dotado de uma complexa diversidade de microrganismos, desempenha um papel essencial na manutenção da saúde do hospedeiro. A complexa interação entre o microbioma, fatores genéticos, fatores ambientais e o sistema imunitário, revela-se determinante no desenvolvimento e progressão da Doença Inflamatória Intestinal, uma condição inflamatória crónica e recidivante do trato gastrointestinal, caracterizada por períodos de exacerbação e remissão, cuja incidência tem aumentado nos últimos anos. A doença associa se à presença de inflamação progressiva, o que aumenta a probabilidade de complicações extraintestinais, comprometendo a qualidade de vida do doente. A atividade e gravidade da doença obrigam ao desenvolvimento de estratégias capazes de restaurar a homeostasia intestinal, permitindo uma melhor gestão da mesma. Esta doença não apresenta cura conhecida, logo a indução e remissão clínica com melhoria da taxa de cicatrização da mucosa, refletem o objetivo primordial das abordagens terapêuticas já desenvolvidas. Além das abordagens terapêuticas farmacológicas atualmente disponíveis, estratégias com base na microbiota intestinal, como a utilização de probióticos, prebióticos, simbióticos, assim como a realização de transplante de microbiota fecal, revelam igualmente a capacidade de indução e manutenção da remissão da Doença Inflamatória Intestinal, com restauro da composição e diversidade da microbiota intestinal. Todavia, torna-se necessária a realização de mais estudos nesta área, com o objetivo de aprofundar conhecimentos relativos a aspetos fundamentais específicos, nomeadamente ao nível da eficácia e segurança destas abordagens. A microbiota intestinal de um indivíduo saudável mantém-se relativamente estável ao longo da vida, no entanto, determinados fatores podem influenciar o seu equilíbrio. A alimentação influencia a microbiota intestinal, refletindo a importância da correta escolha do regime dietético mais adequando para o doente. O conceito de nutrição de precisão revela uma abordagem promissora, uma vez que permite um acompanhamento personalizado baseado na microbiota intestinal do doente, adaptando a dieta às suas necessidades, com decréscimo de recaídas nutricionais e melhoria do estilo de vida. Atualmente, permanece a necessidade de aprofundar, de forma robusta e rigorosa, os conhecimentos acerca da nutrição personalizada, centrados na variabilidade interindividual característica da doença. |
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