Publicação
Diferenciação entre bons leitores e leitores fracos estudantes do ensino superior
| Resumo: | A leitura é uma componente fundamental para o sucesso académico no Ensino Superior, e para estudantes com dificuldades ao nível da leitura pode haver também consequências que daí advêm: apresentam maiores níveis de ansiedade, pior desempenho académico e elevados níveis de frustração. Ao mesmo tempo, têm uma ortografia pobre e não conseguem igualar os outros estudantes na velocidade de leitura e escrita. Assim, este estudo tem como objetivos identificar bons e fracos leitores do Ensino Superior e evidenciar padrões diferenciados de desempenho nos dois grupos em capacidades relacionadas com a leitura consoante o critério de seleção dos participantes (TIL 1-min/ 3 provas coletivas relacionadas com conhecimento ortográfico e fonologia supra-segmental). São também analisadas as capacidades envolvidas na realização do TIL consoante o nível de leitura dos participantes e o contributo da nomeação rápida na fluência de leitura. Participaram neste estudo 126 estudantes universitários, com idades compreendidas entre os 18 e os 63 anos. Os participantes realizaram cinco provas coletivas relacionadas com conhecimento ortográfico, fonologia supra-segmental e compreensão de leitura. Numa fase posterior, 70 desses estudantes (54 raparigas e 16 rapazes), foram avaliados num conjunto de provas individuais relacionadas com consciência fonológica, memória fonológica, leitura de palavras e pseudopalavras, nomeação rápida e um questionário de autorrelato. Os resultados mostram que os fracos leitores apresentam piores resultados ao nível da leitura de pseudopalavras (descodificação), memória fonológica e nomeação rápida de cores, sendo o tamanho do efeito maior para a leitura de pseudopalavras. As capacidades de consciência fonológica e leitura de palavras apenas estão comprometidas quando se analisa o desempenho dos participantes em função do desempenho em três das provas coletivas aplicadas, sendo este critério mais discriminativo de dificuldades de leitura. Além disso, os dados indicam que há uma relação entre o questionário de autorrelato e o nível objetivo de leitura dos participantes, indicando que os estudantes universitários têm consciência das suas capacidades de leitura e escrita. Relativamente às capacidades envolvidas na realização do TIL, os leitores fracos parecem apoiar-se mais na fonologia e os bons leitores no conhecimento ortográfico. No que diz respeito às capacidades envolvidas à nomeação rápida, os resultados mostram que a capacidade de nomear letras rapidamente e com precisão prediz a fluência de leitura de palavras irregulares, em bons e em fracos leitores. No caso de bons leitores, esta capacidade também prediz a fluência de leitura de palavras e de pseudopalavras. O presente estudo reforça a ideia de que existe um défice fonológico universal relacionado com as dificuldades de leitura, como se depreende pelas falhas ao nível da descodificação. A nível prático, salienta-se a importância do domínio do princípio alfabético aquando da aprendizagem da leitura e a aplicação das três provas coletivas no Ensino Secundário para despiste de dificuldades de leitura. |
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| Autores principais: | Neves, Maria Gonçalves Alvim |
| Assunto: | Leitura Fonologia suprassegmental Compreensão da leitura Hábitos de leitura Teses de mestrado - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A leitura é uma componente fundamental para o sucesso académico no Ensino Superior, e para estudantes com dificuldades ao nível da leitura pode haver também consequências que daí advêm: apresentam maiores níveis de ansiedade, pior desempenho académico e elevados níveis de frustração. Ao mesmo tempo, têm uma ortografia pobre e não conseguem igualar os outros estudantes na velocidade de leitura e escrita. Assim, este estudo tem como objetivos identificar bons e fracos leitores do Ensino Superior e evidenciar padrões diferenciados de desempenho nos dois grupos em capacidades relacionadas com a leitura consoante o critério de seleção dos participantes (TIL 1-min/ 3 provas coletivas relacionadas com conhecimento ortográfico e fonologia supra-segmental). São também analisadas as capacidades envolvidas na realização do TIL consoante o nível de leitura dos participantes e o contributo da nomeação rápida na fluência de leitura. Participaram neste estudo 126 estudantes universitários, com idades compreendidas entre os 18 e os 63 anos. Os participantes realizaram cinco provas coletivas relacionadas com conhecimento ortográfico, fonologia supra-segmental e compreensão de leitura. Numa fase posterior, 70 desses estudantes (54 raparigas e 16 rapazes), foram avaliados num conjunto de provas individuais relacionadas com consciência fonológica, memória fonológica, leitura de palavras e pseudopalavras, nomeação rápida e um questionário de autorrelato. Os resultados mostram que os fracos leitores apresentam piores resultados ao nível da leitura de pseudopalavras (descodificação), memória fonológica e nomeação rápida de cores, sendo o tamanho do efeito maior para a leitura de pseudopalavras. As capacidades de consciência fonológica e leitura de palavras apenas estão comprometidas quando se analisa o desempenho dos participantes em função do desempenho em três das provas coletivas aplicadas, sendo este critério mais discriminativo de dificuldades de leitura. Além disso, os dados indicam que há uma relação entre o questionário de autorrelato e o nível objetivo de leitura dos participantes, indicando que os estudantes universitários têm consciência das suas capacidades de leitura e escrita. Relativamente às capacidades envolvidas na realização do TIL, os leitores fracos parecem apoiar-se mais na fonologia e os bons leitores no conhecimento ortográfico. No que diz respeito às capacidades envolvidas à nomeação rápida, os resultados mostram que a capacidade de nomear letras rapidamente e com precisão prediz a fluência de leitura de palavras irregulares, em bons e em fracos leitores. No caso de bons leitores, esta capacidade também prediz a fluência de leitura de palavras e de pseudopalavras. O presente estudo reforça a ideia de que existe um défice fonológico universal relacionado com as dificuldades de leitura, como se depreende pelas falhas ao nível da descodificação. A nível prático, salienta-se a importância do domínio do princípio alfabético aquando da aprendizagem da leitura e a aplicação das três provas coletivas no Ensino Secundário para despiste de dificuldades de leitura. |
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