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Colonização nosocomial por bactérias de Gram negativo resistentes produtoras de β-lactamases em cães

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os antibióticos β-lactâmicos são os mais usados, tanto na medicina veterinária como humana. O mecanismo de resistência mais comum a esta classe de antibióticos é a produção de β-lactamases (β-lactamases de espectro alargado - ESBLs, cefalosporinases - AmpCs e carbapenemases) por bactérias de Gram negativo. Os objectivos deste trabalho foram: detectar a presença e quantificar a colonização nosocomial do trato gastrointestinal por bactérias de Gram negativo produtoras de β-lactamases, em cães submetidos a tratamento cirúrgico e identificar quais os factores de risco responsáveis pela colonização e pelo aumento da carga bacteriana. Recolheram-se amostras fecais a 43 cães pertencentes ao grupo de controlo do ambiente (C1ca, n=43) e a 25 cães do grupo de cirurgia: na admissão ao hospital no dia da cirurgia (C1cx, n=25) e após a cirurgia (C2cx, n=22). As recolhas foram realizadas no Hospital Escolar da FMV-ULisboa, entre Fevereiro e Julho de 2014. As amostras foram processadas no Laboratório de Resistência aos Antibióticos e Biocidas (LRAB). Foram isoladas bactérias resistentes às cefalosporinas de 3ª geração (3CG) a partir do meio de MacConkey com 2μg/ml de cefotaxima e bactérias resistentes aos carbapenemos a partir do meio de MacConkey com 2μg/ml de meropenem. Foram realizados testes fenotípicos (Testes de Susceptibilidade aos Antibacterianos [TSA] pelo método de difusão em disco) e testes genotípicos (Polymerase Chain Reactions [PCRs]), de forma a identificar qual o mecanismo de resistência presente nas bactérias isoladas. Nas estirpes resistentes às 3CG, verificou-se um aumento significativo de animais colonizados em C2cx (73%, n=16/22), relativamente a C1cx (P=0,007) e a C1ca (P=0,017). O número de animais colonizados foi também significativamente superior no grupo C1ca (P=0,030) relativamente aos cães em C1cx. As contagens foram significativamente superiores em C2cx comparativamente a C1cx(P=0,004) e a C1ca(P<0,0001), e em C1ca relativamente a C1cx (P=0,0006). Entre os possíveis factores de risco analisados o factor residente (P=0,030) foi o único significativo para o aumento do número de animais colonizados com estirpes resistentes às 3CG e o factor tempo de contacto com a FMV(P=0,001) para o aumento da carga bacteriana. A resistência aos carbapenemos em C1cx foi de 4% (n=1), em C2cx de 23% (n=5) e no grupo C1ca foi de 2% (n=1). As β-lactamases mais prevalentes foram as ESBLs, foram detectadas apenas duas AmpCs plasmídicas e não foram detectadas Carbapenemases. Este trabalho vem reforçar a importância da aplicação de sistemas de controlo de colonização e de infecção nosocomial, para assim melhorar os cuidados de saúde animal e proteger a Saúde Pública.
Autores principais:Correia, Joana Alves Veloso Domingues
Assunto:Cães Resistência β-lactamases Cefalosporinas de 3ª geração Carbapenemos Dogs Resistance β-lactamases 3rd generation cephalosporins Carbapenems
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os antibióticos β-lactâmicos são os mais usados, tanto na medicina veterinária como humana. O mecanismo de resistência mais comum a esta classe de antibióticos é a produção de β-lactamases (β-lactamases de espectro alargado - ESBLs, cefalosporinases - AmpCs e carbapenemases) por bactérias de Gram negativo. Os objectivos deste trabalho foram: detectar a presença e quantificar a colonização nosocomial do trato gastrointestinal por bactérias de Gram negativo produtoras de β-lactamases, em cães submetidos a tratamento cirúrgico e identificar quais os factores de risco responsáveis pela colonização e pelo aumento da carga bacteriana. Recolheram-se amostras fecais a 43 cães pertencentes ao grupo de controlo do ambiente (C1ca, n=43) e a 25 cães do grupo de cirurgia: na admissão ao hospital no dia da cirurgia (C1cx, n=25) e após a cirurgia (C2cx, n=22). As recolhas foram realizadas no Hospital Escolar da FMV-ULisboa, entre Fevereiro e Julho de 2014. As amostras foram processadas no Laboratório de Resistência aos Antibióticos e Biocidas (LRAB). Foram isoladas bactérias resistentes às cefalosporinas de 3ª geração (3CG) a partir do meio de MacConkey com 2μg/ml de cefotaxima e bactérias resistentes aos carbapenemos a partir do meio de MacConkey com 2μg/ml de meropenem. Foram realizados testes fenotípicos (Testes de Susceptibilidade aos Antibacterianos [TSA] pelo método de difusão em disco) e testes genotípicos (Polymerase Chain Reactions [PCRs]), de forma a identificar qual o mecanismo de resistência presente nas bactérias isoladas. Nas estirpes resistentes às 3CG, verificou-se um aumento significativo de animais colonizados em C2cx (73%, n=16/22), relativamente a C1cx (P=0,007) e a C1ca (P=0,017). O número de animais colonizados foi também significativamente superior no grupo C1ca (P=0,030) relativamente aos cães em C1cx. As contagens foram significativamente superiores em C2cx comparativamente a C1cx(P=0,004) e a C1ca(P<0,0001), e em C1ca relativamente a C1cx (P=0,0006). Entre os possíveis factores de risco analisados o factor residente (P=0,030) foi o único significativo para o aumento do número de animais colonizados com estirpes resistentes às 3CG e o factor tempo de contacto com a FMV(P=0,001) para o aumento da carga bacteriana. A resistência aos carbapenemos em C1cx foi de 4% (n=1), em C2cx de 23% (n=5) e no grupo C1ca foi de 2% (n=1). As β-lactamases mais prevalentes foram as ESBLs, foram detectadas apenas duas AmpCs plasmídicas e não foram detectadas Carbapenemases. Este trabalho vem reforçar a importância da aplicação de sistemas de controlo de colonização e de infecção nosocomial, para assim melhorar os cuidados de saúde animal e proteger a Saúde Pública.